Validação do projeto de norma de instalações elétricas fotovoltaicas

nov, 2016

É interessante notar como os assuntos técnicos ligados a novas tecnologias estão avançando cada vez mais rapidamente, o que tem exigido das pessoas que acompanham a evolução e dos especialistas um esforço adicional nem sempre disponível para a elaboração de documentos normativos confiáveis.

Na coluna do mês anterior, falamos sobre três novos temas, além do principal que norteia os trabalhos da Comissão de Estudos CE 03:064.001 – Instalações elétricas de baixa tensão. Se revisar o texto principal da ABNT NBR 5410 já constitui um esforço considerável (e que na reunião anterior teve um ponto nevrálgico resolvido). A validação do projeto de norma de instalações elétricas fotovoltaicas tomou conta de toda a nossa agenda por se tratar do tema mais crítico atualmente e que carece de um documento normativo urgente para viabilizar tecnicamente os novos projetos que estão surgindo. São as linhas de financiamento que estão ficando disponíveis, as chamadas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para os projetos de P&D das distribuidoras de energia elétrica e as crescentes obras particulares que demandam requisitos validados desde o seu projeto. Isso não pode ficar na mão de projetistas e instaladores “curiosos” e que precisam dessa complementação da ABNT NBR 5410 atual das instalações convencionais.

Em relação a esse tema, mais uma vez, ele foi a prioridade na reunião ocorrida no último dia 19/10, durante a qual ficou demonstrado que estamos próximos da finalização do projeto de norma elaborado pelo GT Fotovoltaico. Resta cerca de 40% do conteúdo do projeto para ser lido, discutido e validado pela plenária da Comissão de Estudos, entrando nos requisitos para proteção contra sobrecorrentes (5.3.2 do projeto de norma).

Para caracterizar bem aos que acompanham esta coluna quais os componentes e critérios da parcela de geração fotovoltaica, reproduz-se abaixo a parte do texto já validado do projeto de norma.

Configurações do arranjo fotovoltaico

Configuração funcional de um sistema fotovoltaico

Arranjos fotovoltaicos são utilizados para fornecer energia a um circuito de aplicação.

A Figura 1 ilustra a configuração funcional geral de um sistema fotovoltaico.

ed-129_espaco-5410_fig-1Figura 1 – Configuração funcional geral de um sistema fotovoltaico.

Três tipos de circuitos de aplicação são considerados nesta norma:

  • O arranjo fotovoltaico é conectado a cargas em corrente contínua;
  • O arranjo fotovoltaico é conectado a um sistema em corrente alternada via UCP que inclui ao menos isolação galvânica;
  • O arranjo fotovoltaico é conectado a um sistema em corrente alternada via UCP que não inclui isolação galvânica.

Esquemas de aterramento de sistemas fotovoltaicos

A conexão de um arranjo fotovoltaico à terra é caracterizada pela existência ou não de qualquer aterramento por razões funcionais, pela impedância dessa conexão à terra e, também, pelo tipo de aterramento do circuito de aplicação (por exemplo, inversor ou outro equipamento) a que o arranjo fotovoltaico está conectado. Isto e a localização do ponto de aterramento afetam a segurança do arranjo fotovoltaico (ver Anexo B).

As especificações dos fabricantes de módulos fotovoltaicos e de UCPs a que o arranjo fotovoltaico é conectado devem ser levadas em consideração na determinação do tipo de esquema de aterramento mais apropriado.

O aterramento por razões de proteção de qualquer condutor vivo do arranjo fotovoltaico não é permitido.

O aterramento funcional deve ser feito de acordo com todas as condições a seguir:

  1. Existir, no mínimo, isolação galvânica entre os circuitos em corrente contínua e em corrente alternada. Essa isolação pode ser tanto interna quanto externa à UCP. Quando for externa à UCP e a UCP for um inversor, este deve ser compatível com este tipo de configuração e a isolação galvânica deve ser realizada por:
  • Um transformador por inversor; ou
  • Um transformador com diversos enrolamentos, com um enrolamento para cada inversor.

Nota        O inversor deve ser compatível com esse tipo de configuração.

  1. O aterramento de um dos condutores vivos em corrente contínua deve ser feito em um único ponto do arranjo fotovoltaico, próximo à entrada em corrente contínua da UCP ou na própria UCP.

Nota        O aterramento deve ser feito, preferencialmente, o mais próximo possível do dispositivo de seccionamento do arranjo fotovoltaico, entre este dispositivo e a entrada em corrente contínua da UCP.

  1. Uma das seguintes condições adicionais pode ser aplicada:
  • Quando um condutor vivo do arranjo fotovoltaico for diretamente aterrado por razões funcionais, é requerida proteção por desconexão automática do aterramento para eliminar qualquer corrente de falta pelo condutor do aterramento funcional (ver subcláusula 5.7.2);
  • Quando um condutor vivo do arranjo fotovoltaico for aterrado por razões funcionais via resistência, é requerida proteção por um dispositivo supervisor de isolamento (DSI) (ver subcláusula 5.7.3.1.1).

Conforme já destacado no mês anterior, a leitura do texto base do projeto de norma em conjunto permitiu mais uma vez a discussão de pontos que não apareceriam numa análise baseada somente à distância e individualmente. É melhor, mais seguro e prudente investir mais tempo nas discussões nesta fase, do que esperar um retorno de votação da consulta nacional para rediscutir pontos já consolidados.

Em relação ao projeto de norma de eficiência energética em instalações elétricas de baixa tensão sendo desenvolvido por GT específico, foram marcadas três reuniões presenciais do próprio GT, que serão divulgadas oportunamente e realizadas em outubro e novembro.

Você se interessa por algum desses assuntos?  Entre em contato conosco e participe mesmo à distância.


Por Eduardo Daniel, consultor da MDJ Assessoria e Engenharia Consultiva e coordenador da Comissão de Estudos 03:064-001 do CB-0/ABNT, que revisa a norma de instalações de baixa tensão ABNT NBR 5410.

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