Vai com calma “seu” Joaquim

maio, 2015

Edição 111 – Abril de 2015
Por José Starosta – Consultor Técnico

A tarefa de arrumar a casa de verdade depois de anos de sujeira embaixo do tapete não deve ser uma tarefa lá muito fácil. O improviso passa a dar lugar ao planejamento e o afogadilho às ações consistentes, e o mundo todo “tá de olho”.

Uma situação econômica não muito agradável com indicadores que insistem em permanecer muito aquém das expectativas. Pelo jeito, teremos em 2015 uma taxa de inflação alta, recessão com queda da produção industrial, altos custos de energia, moeda desvalorizada, escândalos na administração pública e um monte de consequências nada animadoras decorrentes dos anteriores. O governo precisa acertar as contas e os perigos estão à solta nos cortes de despesa que não deveriam ser os investimentos em infraestrutura, mas sim na máquina pública; na outra ponta, aparecem os aumentos da arrecadação e dos impostos. Nossa balança comercial ficou recentemente positiva, não pela forma que se espera (exportações superiores às importações), mas devido à redução de importações relacionadas à falta de investimento principalmente o industrial.

Além disso, nossos parlamentares, que poderiam criar mecanismos adequados e inteligentes para facilitar nossas vidas, agem como se não tivessem conhecimento de causa (talvez não o tenham) dos aspectos reais que nos afligem e insistem em criar modelos inoperantes e que favorecem apenas parcelas da sociedade; assim está sendo na lei das terceirizações. Agem como se o assunto fosse novo e todos aqueles que defendem a tese seriam conspiradores e sonegadores. Durante a discussão na câmara, a turma do planalto só se preocupava em garantir que a arrecadação fosse mantida, deixando para trás importantes temas que enriqueceriam o modelo, baseado nos casos de sucesso. Parece que não sabem, ou mesmo não querem saber que, fundamentalmente, a terceirização cria um mercado de especialistas e amplia a vantagem competitiva de empresas brasileiras, mas este assunto não interessa àqueles que criam as regras e talvez nem entendam o que seja competitividade.

Um “iluminado” que foi eleito por cidadãos certamente incautos propõe outro imposto: “a tributação de 15% sobre lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas” a ser pago por aqueles que tentam manter a economia girando com suas empresas quase que heroicas e que já são tarifados em impostos em uma proporção próxima a 2/3 de seus lucros auferidos. Melhor voltar para as greves estudantis, senador.

O que nos resta é torcer pela parcimônia do seu Joaquim (da padaria) na montagem do custo do pãozinho que carrega em seus insumos muito trigo e energia com preços “na lua” (cada um por suas razões), e que se um dia os custos reduzirem, que se considere também a redução do preço do produto.

Vamos em frente apesar de tudo e de todos, Amém.

Eng. José Starosta
Consultor da revista O Setor Elétrico
consultor@osetoreletrico.com.br

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