Troca de conhecimentos marca etapa carioca do Cinase

out, 2010

Edição 56 – Setembro de 2010
Por Weruska Goeking

Congresso itinerante impressiona segunda cidade visitada pela quantidade e qualidade das informações das palestras oferecidas pelo evento.

Conhecida pelas belas paisagens, passeios turísticos e diversão, a cidade do Rio de Janeiro atraiu alguns de seus moradores e de cidades próximas para um evento diferente nos dias 26 e 27 de agosto. Profissionais da área de engenharia elétrica da capital fluminense, Petrópolis e arredores foram conferir a programação do I Circuito Nacional do Setor Elétrico (Cinase), evento que traz como principal diferencial o caráter itinerante, passando por cidades importantes do País e levando informações técnicas por meio de palestras realizadas por profissionais renomados em seu nicho de atuação.

Os dois dias de congresso e exposição contaram com a presença de aproximadamente 300 engenheiros eletricistas e técnicos que atestaram a qualidade das palestras ministradas e comprovaram outra característica do evento que ficou evidenciada na etapa do Rio de Janeiro: a vanguarda. “O objetivo do Cinase é tratar de tendências. O dia a dia nós tratamos em cursos”, explica Hilton Moreno.

No primeiro dia de palestras, o engenheiro eletricista José Ernani da Silva falou sobre subestações de consumidores: incompatibilidade entre as seletividades das proteções contra sobrecorrentes da concessionária e do consumidor. Após a apresentação de suas ideias, ele concluiu que a metodologia atual prejudica o consumidor e que há confusão sobre quem a define, a ABNT NBR 14039 ou a concessionária. O assunto foi um dos mais polêmicos dos dois dias de congresso.

Após debates acalorados sobre o tema, foi a vez de o engenheiro eletricista e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco), José Starosta, apresentar sua palestra sobre compensação de energia reativa (correção de fator de potência) na presença de harmônicas e cargas especiais.

O especialista Gilberto Carlos Whale falou sobre supervisão de resistência de isolamento e localização de falhas em circuitos de comando e controle em corrente contínua e o engenheiro eletricista João José Barrico fez mais uma de suas apresentações bem humoradas e informativas sobre NR-10 e a mudança na cultura de segurança nos trabalhos com eletricidade.

No segundo dia de palestras, o engenheiro José Roberto Muratori falou das novas aplicações da automação predial e residencial, e projetos inovadores para edificações eficientes. O especialista também abordou as metas governamentais para redução do consumo de energia e a importância do smart grid para o alcance dessas metas e para a implantação de projetos de automação.

Um estudo sobre dimensionamento econômico e ambiental de condutores elétricos, que pode reduzir as perdas elétricas e as emissões de gases de efeito estufa, foi objeto da apresentação do engenheiro eletricista e coordenador técnico do congresso, Hilton Moreno. Ele explicou como dimensionar os condutores e seus custos a partir de alguns exemplos. As vantagens desse método estão no aumento da vida útil do cabeamento, no melhor comportamento dos fios e cabos em relação às correntes de sobrecarga, nos menores custos totais da instalação e na menor emissão de CO2.

O engenheiro eletricista Jobson Modena falou sobre o uso de DPS nas instalações de baixa tensão, suas funções básicas, efeitos diretos e indiretos, os níveis de proteção, além de onde e como instalar.

Finalizando o segundo dia de congresso com uma palestra sobre quadros de distribuição tipo TTA e PTTA conforme a ABNT NBR IEC 60439-1, o engenheiro eletricista Paulo Barreto abordou erros de terminologia, definições e características técnicas dos quadros.

Além da troca de conhecimento entre os profissionais durante as palestras e os intervalos, o tempo reservado para perguntas dos congressistas suscitou discussões e opiniões relevantes para os presentes. Sobre a palestra de José Ernani da Silva, por exemplo, o engenheiro eletricista aposentado da Petrobras e atual assessor do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura, Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), José Roberto de Souza Cruz, defendeu a postura da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), afirmando que “a Agência está atuando junto às concessionárias e resolvendo falhas do sistema que prejudicam o consumidor”.

Cruz ainda opinou sobre a carência de palestras técnicas no setor. “O setor elétrico está muito abandonado no País. Outras áreas, até mesmo outras engenharias, têm muitos congressos desse tipo enquanto a engenharia elétrica está muito aquém disso. E esse tipo de palestras tem impacto na educação continuada dos profissionais, pois é o balcão de ideias, projetos e soluções. O Cinase está de parabéns nesse sentido”, disse.

Não foram apenas os profissionais já formados e em busca de atualização que procuraram o Cinase. Diversos alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ) assistiram as apresentações. O aluno da instituição e estagiário da Shell, Igor Pacheco de Albuquerque, conta que as palestras técnicas são um complemento para a base teórica aprendida no Cefet. “Aqui é possível ter uma visão mais prática que não existe na faculdade”, completa.

As palestras dos patrocinadores, curtas e mais focadas em tecnologia, também foram bem recebidas pelo público. O gerente da Fator Sistemas e Serviços, Roberto Franco de Oliveira, por exemplo, gravou o áudio de todas as palestras e ainda solicitou, para as próximas edições, que o CD recebido pelos congressistas no kit de boas-vindas também contenha as apresentações feitas pelos patrocinadores.

Já o instrutor do Senai, Mário César Moraes, deixou o trabalho de lado por dois dias para conferir toda a programação do Cinase. “É preciso se programar para esse tipo de evento e as palestras precisam ser muito interessantes para obter dispensa do trabalho”, afirmou.

O sucesso do evento demonstrado pela satisfação dos congressistas se deve, além dos palestrantes e patrocinadores, ao apoio institucional nacional e local. Um desses apoiadores do Rio de Janeiro foi o Sistema Firjan. A engenheira eletricista e analista de serviços tecnológicos do Sesi e do Senai, Scheila Pinto de Miranda, conta que o evento superou todas as suas expectativas e muitos docentes participaram do congresso.

A área de exposição dos patrocinadores manteve a organização planejada desde o primeiro evento do Cinase, realizado em Belo Horizonte (MG). Padronizados, os estandes trouxeram novidades tecnológicas e lançamentos de produtos para as áreas de proteção, automação, controle e gerenciamento de energia. Patrocinaram esta etapa as empresas Blutrafos, Cordeiro, Finder, Hellermann Tyton, Kron Medidores, Legrand, Megabarre, Metaltex, Novemp, Pextron, Phoenix Contact, Procobre, RDI e SEL.

Depois do Rio de Janeiro, o Cinase ainda passou pelo Recife (PE) nos dias 28 e 29 de setembro – confira a cobertura completa em nossa próxima edição – e a etapa seguinte do congresso itinerante acontece em Ribeirão Preto (SP) nos dias 26 e 27 de outubro. O Cinase é uma realização da Atitude Editorial e da Hilton Moreno Consulting.

Confira a seguir algumas fotos da etapa Rio de Janeiro:

 

 

 

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