Testando a fiação dos transformadores de medição e proteção – como garantir a qualidade da instalação?

ago, 2017

Ao longo dos anos realizando testes e comissionamentos em diversas instalações, junto a um grande número de empresas, posso afirmar que, aparentemente, não existe um padrão estabelecido para o teste de cabeamento e fiação em instalações de proteção e controle. Basicamente, as empresas empregam procedimentos baseados na experiência de um aprendizado contínuo, criando um conjunto de processos baseados em sua rotina, na experiência dos profissionais envolvidos e nos equipamentos de teste disponíveis.

Geralmente, todo esse processo é balizado pela percepção de quais erros serão encontrados ou, no caso ideal, de quais problemas não serão encontrados na instalação.

Em particular, devemos ter especial cuidado com as instalações da fiação dos transformadores de proteção e medição. Serão eles que enviarão as informações para que nosso sistema de proteção e medição funcionem com o desempenho esperado.

Quando envolvemos as conexões de transformares de instrumentos, de corrente e tensão, é essencial que utilizemos métodos e ferramentas confiáveis, garantindo que a instalação cumpra sua função. Outro ponto importante a ser observado é a segurança dos profissionais envolvidos nesse trabalho.

Uma configuração de instalação muito comum em uma subestação elétrica convencional é um sistema trifásico, com três transformadores de corrente e três transformadores de tensão. Digo convencional porque podemos também tratar de uma subestação totalmente digitalizada, mas isso é assunto para outro dia.

Com essa configuração podemos apontar alguns erros comuns na instalação que os testes tendem a encontrar, como:

  • Interrupções na fiação secundária de transformadores de corrente ou de tensão;
  • Conexões de aterramento adicionais não intencionais;
  • Erro de polaridade da fiação secundária;
  • Secundário do transformador de corrente aberto.

Já no painel dos relés e medidores:

  • Mau funcionamento de um pente de teste de relé ou de um conector de teste de relé;
  • Inversão de fase na fiação secundária;
  • Sentido de instalação do transformador configurado incorretamente no relé ou medidor.

Este último item não pode ser dito como um erro de fiação, mas pode ser um item difícil de testar e identificar o problema. Assim, é adequado eliminar o erro durante o teste da fiação e deixar o sistema pronto para operar.

Então qual a melhor prática, procedimento ou ferramenta?

Em princípio, qualquer equipamento que produza uma corrente e uma tensão e tenha medidores de corrente e tensão servirá para executar a maioria dos testes de fiação. Entretanto, uma análise mais atenta mostra que muitos dos equipamentos de teste disponíveis no mercado têm grandes desvantagens, apresentando erros e perda de desempenho para os testes, como, por exemplo, se o equipamento de teste não detecta interrupções curtas das chaves de teste. Algumas vezes tenta-se a verificação desta função por meio de uma injeção primária. Entretanto, isto não é aconselhável (de fato, pode ser extremamente perigosa), pois, se a chave de teste falhar durante o ensaio, ele vai gerar tensões excessivamente elevadas.

Além disso, a verificação da polaridade com fontes tradicionais e as entradas de medição são, obviamente, possíveis, mas um cabo deve ser passado a partir do ponto de medição na instalação até a fonte, algo que é muito demorado. Se isso não for feito, muitos erros não serão detectados.

Nós já escutávamos que “o barato sai caro”, mas também que “o ótimo é inimigo do bom”. Então, o que fazer?

A boa técnica e a segurança dos profissionais e das instalações estarão asseguradas se usarmos:

  1. Ferramentas de teste adequadas;
  2. Os melhores procedimentos disponíveis;
  3. Profissionais devidamente qualificados.

Como já citou Henry Ford: “Não encontre um defeito, encontre uma solução.”

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