Suplemento Eletrônica

out, 2009

Por Flávia Lima e Lívia Cunha – 27 de Outubro de 2009

 

Pinguins robôs imitam movimentos e ações de seres vivos

 

Para o escritor irlandês Oscar Wilde, que viveu entre os anos 1854 e 1900, a vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida. A afirmação é sempre rodeada de discussões, sobre quem tem maior influência sobre quem, mas fato é que as duas se influenciam mutuamente, tanto no plano artístico convencional como também no tecnológico. Prova disso é o novo projeto de automação da empresa alemã Festo, no qual a natureza claramente inspira a tecnologia: a empresa desenvolveu pinguins robôs que voam e nadam.

 

 

O projeto, que está no estado da arte – como é conhecido o nível mais alto de desenvolvimento de uma técnica na área científica – do segmento de automação industrial, utiliza a tecnologia para se inspirar no funcionamento dos corpos de seres vivos. Os pinguins robôs, batizados de AquaPenguins e AirPenguins, fazem parte do projeto mais recente do núcleo de pesquisas Bionic Learning Network da Festo, que há quatro anos desenvolve estudos desse tipo em parceria com universidades européias e com a Didactic, braço educacional da empresa.

O objetivo dos trabalhos do núcleo é recriar a forma, os movimentos e até mesmo hábitos comportamentais de seres vivos por meio da biotecnologia. Os AquaPenguim, por exemplo, foram baseados na tecnologia de Veículos Submarinos Autônomos, do inglês AUVs, que faz os protótipos se auto-orientarem e navegarem na água, desenvolvendo diferenciados modelos de comportamento em grupo. Dessa forma, os pinguins se movimentam de forma independente, na água ou no ar, e são capazes de interagirem uns com os outros, desenvolvendo padrões de comportamento coletivo.

Protótipos da Festo são capazes de interagir com o ambiente

Para que eles tenham uma ação mais parecida com a dos animais reais, a cabeça, o pescoço e a calda dos pinguins robôs são baseadas na nova estrutura 3D Fin Ray, que utiliza sistemas de sensores 3D e imitam os mecanismos de ecolocalização, parecido com sonares de golfinhos e morcegos. Essa tecnologia permite ainda que o AquaPenguin e o AirPenguin realizem manobras, nadando ou flutuando, inclusive para trás, o que os pinguins animais não são capazes de fazer, e se movimentem próximos uns aos outros, mas sem se trombarem, explica o gerente de marketing da Festo do Brasil, Weeney Bolfaine.

 

Inicialmente, os protótipos não terão interação com animais reais e também não serão comercializados. O objetivo da Festo com o projeto é buscar nos movimentos reais dos animais inspiração para novos avanços tecnológicos, além de demonstrar o progresso e a inovação da empresa. O diretor de estratégia e tecnologia da Festo da Alemanha, Eberhard Veit, explica que a intenção da empresa ao realizar esse tipo de pesquisa é se tornar uma liderança em inovação no setor, caminhando para oferecer aos seus clientes novas tecnologias e soluções cada vez mais eficientes em automação. Os pinguins foram desenvolvidos na sede da companhia, na Alemanha, em uma divisão de inventos tecnológicos para ampliar a pesquisa, onde também ficam expostos.

Comentários

Deixe uma mensagem