SPDA em prédios de alvenaria estrutural – tem gente fazendo isso muito errado!

out, 2014

Edição 104 – Setembro 2014
Por Jobson Modena

Estou desenvolvendo um trabalho de verificação de continuidade elétrica em vergalhões de aço embutidos nas paredes de prédios construídos com alvenaria estrutural, que terão a função de condutores de descida do SPDA – sistema de proteção contra descargas atmosféricas. Serão mais de 100 unidades distribuídas em seis empreendimentos diferentes, localizados no estado de São Paulo.

Fiz uma breve pesquisa no site da ABNT <http://www.abntcatalogo.com.br> e encontrei 14 normas técnicas regulamentando a construção de edificações em alvenaria estruturada, os materiais e os ensaios necessários (resistência mecânica de componentes, vedação e etc.), justificando a importância de se manter este tipo de edificação em perfeitas condições de uso e praticamente com “risco zero” de comprometimento da estrutura. Questionei os engenheiros residentes de cada obra que estive se aquelas edificações respeitavam as citadas normas e tive 100% de respostas positivas, “senão o prédio cai”, disseram os mesmos.

Os resultados dos primeiros 19 ensaios de continuidade elétrica mostraram que não há a mesma preocupação com a integridade física das edificações no quesito SPDA, ou há um grande desconhecimento do assunto por parte das pessoas que projetaram e instalaram os vergalhões nas edificações. Foram encontrados resultados de continuidade elétrica variando o valor entre 50 e 200 vezes acima do que a ABNT NBR 5419 determina como limite máximo para validação dos vergalhões como elementos do SPDA.

Nesse contexto fica a questão: de que adianta tanta preocupação com a parte estrutural se ao projetar-se o SPDA, na grande maioria dos casos, a ABNT NBR 5419 é negligenciada, ou mal interpretada fazendo com que o sistema de proteção contra descargas atmosféricas seja o vilão da história e aumente o risco de dano com possível queda da edificação?

Salvo melhor entendimento, acredito que mesmo sendo confiável, uma edificação construída com alvenaria estrutural é bem mais frágil do que aquelas que possuem pilares e vigas de concreto armado em seu esqueleto. Nelas, determinadas negligências de projeto e instalação (como, não projetar anéis intermediários a cada 20 m de altura a partir do piso, condutores de descida em numero suficiente, anel de aterramento contínuo e um subsistema de captação que proporcione um volume de proteção abrangente para toda a edificação) acabam sendo minimizadas pela robustez da estrutura. Isto também não é aceitável, pois se pode provocar um acidente com os estilhaços de material que o raio desprender da edificação, porém, dificilmente o prédio irá cair, pelo menos não há notícias de ocorrências nesse sentido, mas o que acontecerá se um canto de parede de mais ou menos 0,5 m do prédio feito com alvenaria estrutural for arrancado pelo efeito da corrente de um raio?

É fácil entender a gravidade da questão e a responsabilidade que envolve um “simples” projeto de SPDA em um prédio residencial nas condições mencionadas. Vejam que não considerei neste texto os locais permitidos para execução da furação de fixação da parte do sistema que não estiver embutida na alvenaria.

Ficam o alerta e a sugestão para que os projetistas desse tipo de sistema entendam melhor os requisitos e os conceitos do fenômeno para prédios construídos com alvenaria estrutural, para que detalhem melhor seus projetos e, finalmente, recomendem que todos os SPDA sejam ensaiados corretamente antes da ocupação do edifício. 

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