Smart grid, riscos e, na prática, pouca inteligência

nov, 2014

Edição 105 – Outubro de 2014
Por Luiz Fernando Arruda 

É uma pena verificar que o assunto da indústria da eletricidade seja reduzido a uma discussão cega sobre um problema que tivemos em 2001. Não que aquele apagão não tenha sido fruto da imprevidência, falta de planejamento e até uma dose de irresponsabilidade: tanto foi assim que quem cuidou da emergência não era do setor e foi colocado na posição de gestor da crise pela reconhecida incompetência do setor em gerir a si mesmo (já naquela época, como hoje, havia a forte ingerência de políticos na indústria e com objetivos pouco republicanos).

Mas, ao final do processo, em 2002, muitas providências foram tomadas e são elas que estão sustentando o Sistema Interligado Nacional (SIN) por meio da geração térmica instalada hoje no Brasil.

Infelizmente, nesta última década, pouco se fez para termos fontes alternativas a partir de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), dejetos sólidos de esgoto ambos gerando gás a ser aproveitado em motores especiais para gerar energia. Também a eficientização perdeu muito espaço, já que a automação no Brasil se concentra em poucas instalações.

Também pouco aconteceu quanto a mini e microgeração fotovoltaica e eólica que precisam de incentivos de políticas públicas para criar a cadeia produtiva necessária aos negócios.

Toda esta geração distribuída se constitui em uma alavancagem forte em direção a uma distribuição de energia com mais inteligência embarcada, pois gera a necessidade efetiva de medição, controle e comando de cargas ao longo do sistema.

Diferentemente da tarifa branca que apenas aumentará custos – medidores caros e isolados, custos elevados de instalar e desinstalar os medidores, pouco ou nenhum ganho para a curva de carga do sistema e diminuição de faturas sem qualquer mudança significativa na forma de uso de cargas eletro intensivas –, e do famigerado medidor de pré-pagamento que esconde custos nos investimentos necessários no sistema de faturamento e de clientes em geral (além do custo das vendas fracionadas), a geração distribuída de fato chama por mais inteligência e entrega benefícios ao setor (principalmente) para a sociedade, pois implica em menos investimentos em transmissão, minimiza perdas e aumenta a confiabilidade do setor.

Como já dito anteriormente, se os setores que regulam a indústria da eletricidade entendessem que as distribuidoras, as geradoras e as transmissoras têm de ser setores lucrativos ficaria mais simples. A forma de gestão do setor e das próprias empresas está esgotada! Precisamos que se faça este controle e gestão de forma diferente se quisermos resultados melhores.

O caso dos medidores, isoladamente, pela grande interferência do Inmetro na relação da concessionária com o cliente final – exigindo display remoto em alguns casos e não dando qualquer alternativa funcional e de menor custo –, que deveria ser assunto exclusivo da Aneel, remete a muitos problemas.

Podemos começar pelo histórico de preços extremamente elevados aqui no Brasil se compararmos com outros países. Podemos também explorar a questão da baixa qualidade quando o preço se aproximou de valores civilizados!

De qualquer forma, sempre vemos que queremos o “grid” melhor gerido, mas esbarramos na falta de coordenação dos órgãos públicos envolvidos (veja o Leão mordendo a energia apenas compensada nos casos de aplicação de RN 482/2012) e de segurança institucional, pois os investimentos no setor têm maturação lenta.

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