Smart grid: agora é a hora?

jan, 2013

Edição 82 – Novembro de 2012

Por Luiz Fernando Arruda

De outras épocas, todos nós já ouvimos que há tempo para tudo e não vejo como discordar disto. De outro lado, todos que acreditamos que novas tecnologias hoje disponíveis podem nos ajudar a ter sistemas elétricos (em toda a cadeia: geração, transmissão e distribuição) mais confiáveis, a utilizar energia elétrica de forma mais racional, a permitir a inserção de energia renovável por mini e microgeradores (a tal geração distribuída), a mitigar perdas (otimizar as técnicas e tentar zerar aquelas não técnicas) e dar ao mercado de energia uma nova cara, na qual os consumidores possam optar por um perfil de consumo mais adequado (reduzindo seu custo mensal de forma sustentável), entendemos que já passou da hora de termos políticas públicas e a desejável e saudável flexibilidade negocial no setor que viabiliza o início de um novo patamar tecnológico na nossa indústria.

Mas considerando os fatos mais recentes e a instabilidade em que vivemos, parece-me que estamos na hora de recolhimento de expectativas e de investimentos, que neste setor elétrico são sempre de retorno no longo prazo e que demandam alguns pré-requisitos para serem viabilizados.

Em termos técnicos entendo que já há maturidade para uma gama de ações, embora eu ainda fique assustado quando vejo algumas entrevistas nas quais se incentiva uma expectativa de automação que não teremos como atender em menos de uma década!

O balanço que se pode fazer hoje é que continuaremos com ações pontuais de automação visando à mitigação de perdas não técnicas em sistemas de distribuição.

Há espaço, inclusive, para que alguns setores ainda insistam nos medidores eletromecânicos que geram ativos mais elevados (vão contra a modicidade tarifária) sem agregar qualquer outro valor, mas que são plenamente aceitos pelo poder concedente.

Mas se o momento atual não é propício para ações concretas, ele se mostra como um período que pode ser rico para reflexões e planejamento.

As experiências em curso no Brasil, embora insipientes e restritas à área de distribuição, já mostram que, se não houver uma política pública clara e que aponte caminhos e fontes de financiamento para os projetos, o assunto “smart grid” continuará restrito a pesquisas do meio acadêmico, a revistas especializadas e aos seminários especializados.

Portanto, estas experiências aliadas à expectativa de entrada no cenário energético das mini e microgerações (incentivadas por ação direta da Aneel e cuja decisão esperamos fortemente que não tenha sua data de início adiada), sem dúvida, serão um marco importante para o setor elétrico. Nesse sentido, esperamos o amadurecimento de medidas que viabilizem negócios para a indústria nacional ligados a tecnologia e a energia elétrica.

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