Smart cities

mar, 2016

Edição 121 – Fevereiro de 2016
Por Luiz Fernando Arruda

Como nos nossos últimos encontros, o assunto tem sido relativo a prover mais inteligência ao grid de distribuição para incrementar qualidade e segurança e conseguir uma operação menos onerosa, fatalmente, temos que abordar o assunto, observando experiências e oportunidades do que se chama de “smart city”.

Depois de alguns dias visitando o paraíso de Fernando de Noronha, não há como não sonhar com um banho de tecnologia naquela ilha ajudando os esforços de conservação do meio ambiente.

Tudo começa pelo fato de a geração ser totalmente a diesel! Isto sugere uma ação integrada de governos Federal e Estadual, facilitando o investimento a ser feito pelos indivíduos e pela concessionária.

 

Como o sol por lá (praticamente na linha do Equador) é bem generoso, poderíamos começar por uma geração distribuída baseada em fotovoltaica. Aliás, é possível visualizar umas placas próximas ao aeroporto, mas a placa de propaganda de empreendimento parece ser maior que a área das placas fotovoltaicas!

 

Também os ventos por lá são fartos e, mesmo evitando grandes geradores (por lá é corrente o receio de que as grandes pás matem pássaros e um aero gerador antigo, dizem, foi destruído por uma descarga atmosférica) de 2 MW ou 3 MW, podem ser viabilizados geradores de baixa capacidade (de 5 kW a 30 kW) com torres mais baixas.

 

Com isso, seria fundamental e interessante uma forma de gestão desta energia sendo entregue dos telhados das pousadas e casas para o sistema de distribuição da ilha.

 

Postes autônomos de iluminação pública (com Led) também seriam parte do esforço com pequenas placas fotovoltaicas, baterias e geradores eólicos de baixa capacidade.

 

Esta gestão inteligente também seria usada para minimizar as perdas não técnicas, pois, em alguns locais, nota-se o esforço da concessionária em ter medidores fiscais fixos e instalados nos postes para confrontar com o medidor de faturamento. Como a estrutura da concessionária no local é pequena, os medidores fiscais por cada secundário de transformador indicariam “on time” onde estão sendo feitas conexões ilegais temporárias (já que o ar condicionado é imprescindível para garantir boas horas de sono).

 

 

Com todo este rearranjo que pode, pelo menos em parte, ser financiado pelas várias (e caras) tarifas pagas pelos turistas, teríamos:

 

  • Menor custo de energia para moradores e empreendedores (restaurantes e pousadas); 
  • Menor emissão de poluentes na ilha pela sensível diminuição de queima de diesel; 
  • Melhor aproveitamento da energia com as reformas de rede que serão necessárias, resultando perdas técnicas também menores; 
  • Maior confiabilidade do sistema com a diversificação das fontes, ficando a geração diesel como base; 
  • As bases necessárias para dimensionar um projeto de bancos de baterias em locais estratégicos para suprir os picos de consumo e acumular eventuais sobras diurnas da geração fotovoltaica; 
  • Informações dos eventuais problemas decorrentes de geração distribuída (transitórios gerados, instabilidade, necessidade de formas de compensação, qualidade da energia, etc.) quando esta se torna preponderante em certos horários; 
  • Uma face mais visível dos esforços para dar àquele santuário mais sustentabilidade e um ambiente mais saudável de preservação do meio ambiente.

 

Como subproduto, teríamos como avaliar todos os ganhos (e problemas) de uma forma muito precisa e, de fato, perceber o real valor deste novo patamar tecnológico a ser alcançado nas cidades inteligentes.

Comentários

Deixa uma mensagem

%d blogueiros gostam disto: