Sistemas de aterramento

set, 2016

Este espaço é dedicado a reportar um resumo do que está sendo discutido nas reuniões de revisão da norma ABNT NBR 5410:2004, baseado nas alterações do texto da IEC correspondente e nos pontos apresentados pelos participantes. É importante sempre ressaltar que as citações desta coluna constituem um relato do que foi discutido e que foram aprovadas na reunião plenária pela Comissão de Estudos, porém, a aprovação como parte oficial do Projeto de Norma, somente será feita antes do texto ser enviado para consulta nacional.

Nas reuniões de junho e julho, foram discutidos assuntos pertinentes ao capítulo 5.1.2.2.4, “Seccionamento automático da alimentação” em função do esquema de aterramento adotado. Durante as duas reuniões foram muito discutidas as características e as condições de aplicabilidade dos diferentes esquemas de aterramento, conforme descrito na norma ABNT NBR 5410:2004 e na própria IEC.

Em particular, no esquema TT, todas as partes condutivas expostas protegidas coletivamente pelo mesmo dispositivo de proteção devem ser conectadas por condutor de proteção a um eletrodo de aterramento comum a todas estas partes. Quando vários dispositivos de proteção são utilizados em série, este requisito se aplica separadamente a todas as partes condutivas expostas protegidas por cada dispositivo. O neutro ou o ponto central do sistema de alimentação deve ser aterrado. Se o neutro ou um ponto central não existir ou não estiver acessível, um condutor de fase deve ser aterrado.

No esquema IT, a alimentação é isolada da terra ou aterrada através de uma impedância de valor suficientemente elevado. Neste caso, o ponto aterrado é o ponto neutro da alimentação ou um ponto neutro artificial. Na hipótese de ponto neutro artificial, pode-se ligá-lo diretamente à terra se sua impedância de sequência zero for alta o suficiente. Onde o ponto neutro ou ponto central não existirem, um condutor fase pode ser conectado à terra por meio de alta impedância.

Haverá uma nota específica sobre a necessidade de reduzir sobretensões e amortecer as oscilações de tensão que podem conduzir a uma instalação IT com aterramento via impedância ou pontos neutros artificiais. As características desse aterramento devem ser compatíveis com as da instalação.

Ainda numa instalação IT, a corrente de falta, no caso de uma única falta à massa ou à terra, é de pequena intensidade, não sendo imperativo o seccionamento automático da alimentação, se satisfeita a condição descrita na norma. Entretanto, devem ser tomadas providências para evitar o risco de tensões de contato perigosas no caso da ocorrência de uma segunda falta, envolvendo outro condutor vivo.

Tendo em vista as razões que normalmente motivam a adoção do esquema IT, a primeira falta deve ser localizada e eliminada o quanto antes.

Para que não seja imperativo o seccionamento automático quando de uma primeira falta à terra ou à massa, a seguinte condição deve ser satisfeita:

RA . Id < UL

Em que:

RA – é a resistência do eletrodo de aterramento das massas, em ohms;

Id – é a corrente de falta, em ampères, resultante de uma primeira falta direta entre um condutor de fase e uma massa. O valor de Id leva em conta as correntes de fuga naturais e a impedância global de aterramento da instalação;

UL – é a tensão de contato limite.

As tensões de contato limite para diferentes situações, em função das influências externas dominantes, são dadas no anexo C da norma (que está em análise ainda). Quando, em uma mesma instalação, houver massas em situações distintas (por exemplo, algumas massas sob influências externas caracterizáveis como situação 1 e outras massas na situação 2) e ligadas ao mesmo eletrodo de aterramento, deve ser adotado o menor valor de UL.

Foi realizada uma consulta ao Technical Committee 64 da IEC sobre os valores limites de contato, cuja resposta será analisada na reunião de agosto próximo e, em função disso, pode ser que a norma passe a citar os valores numéricos.

Em sistemas IT, os seguintes dispositivos de monitoramento e proteção podem ser utilizados:

  • Dispositivo supervisor de isolamento (DSI);
  • Dispositivo de monitoramento de corrente diferencial-residual;
  • Sistema de localização de falhas;
  • Dispositivo de proteção contra sobrecorrentes;
  • Dispositivo de proteção à corrente diferencial-residual

Se um dispositivo de proteção diferencial-residual for utilizado, o seu disparo em caso de primeira falta não pode ser desconsiderado em razão da corrente capacitiva de fuga.

Deve ser previsto um dispositivo supervisor de isolamento (DSI) para indicar a ocorrência de uma primeira falta à massa ou à terra. A primeira falta deve ser localizada e eliminada o mais rápido possível.

Exceto onde um dispositivo de proteção seja instalado para interromper o fornecimento no caso de ocorrência da primeira falta à terra, um dispositivo de monitoramento de corrente diferencial-residual ou um sistema de localização de falha deve estar disponível para indicar a falha à terra de uma parte viva para partes condutivas expostas ou para a terra. Este dispositivo deve disparar um alarme sonoro ou uma sinalização visual e continuar enquanto a falha persistir. Se houver os dois tipos, o alarme sonoro pode ser cancelado, porém a sinalização visual deve continuar enquanto a falha persistir.

Além desses pontos importantes, a partir da reunião de agosto/2016, haverá ao final da reunião (iniciando às 15h30), a continuação da discussão do texto base da norma de eficiência energética de instalações elétricas conduzida pelo Grupo de Trabalho específico. Essa inserção no mesmo dia da reunião plenária da CE 03:64.001 visa aproveitar a presença dos participantes comuns e acelerar a discussão e contribuição dos participantes.

Quanto ao GT de instalações elétricas fotovoltaicas, a previsão de envio do texto base elaborado é desse mês de julho, para início da discussão pela plenária a partir da reunião de setembro/2016.

Um Grupo de Trabalho adicional foi criado para a discussão sobre a interface entre a instalação da empresa distribuidora e a instalação interna, cuja primeira reunião será realizada em 28/7/2016 às 9h na Abinee II, mesmo local da plenária da CE 03:064.001.


* Eduardo Daniel, consultor da MDJ Assessoria e Engenharia Consultiva, superintendente da Certiel Brasil e coordenador da Comissão de Estudos 03:064-001 do CB-3/ABNT, que revisa a norma de instalações de baixa tensão ABNT NBR 5410.

Comentários

Uma Resposta

  1. RICARDO RANDO disse:

    Com relação ao esquema IT “Onde o ponto neutro ou ponto central não existirem, um condutor fase pode ser conectado à terra por meio de alta impedância.” minhas considerações: …aterro uma das fases, certamente alta impedância logo corrente de sequencia zero baixa, as outras fases sãs sofrem sobretensões ou seja devo considerar uma isolação melhor dos alimentadores com certeza o acoplamento capacitivo e logo a impedância da fase aterrada deverá ser menor do que a capacitância das fases sãs. A classe de isolação destes alimentadores foi considerada ??

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