Ser ou não ser smart

abr, 2015

Edição 110 – Março de 2015
Por Luiz Fernando Arruda 

Tenho sido contatado constantemente sobre a efetividade da implementação de sistemas mais avançados para medição e que permitam, criada a rede de comunicação em campo, implementar mais inteligência no trato comercial e operacional dos sistemas de distribuição.

Na verdade, hoje, no Brasil temos um motivador que se chama “perdas não técnicas” (PNT) e que em algumas empresas atinge valores absurdos. Como são empresas do governo, em sua maioria, o prejuízo resultante é repartido com todos os contribuintes do país! Você, em qualquer lugar do Brasil, paga pela PNT de Manaus, de Alagoas, do Piauí, etc., só que paga como contribuinte e não como consumidor.

Nas empresas privadas com PNT elevadas, com raras exceções, a tarifa vem acobertando parte significativa do que seria o prejuízo do investidor.

Mesmo nas empresas com PNT consideradas baixas (algo em torno de 3% a 5% do total de energia ingressada na distribuição), investir em estrutura avançada de medição em áreas críticas dá um retorno sobre o investimento muito acima do custo de capital, mesmo nesta época de juros na estratosfera. Para tanto, a Aneel teria de permitir implantação de projetos de AMI com um certo nível de blindagem de redes por áreas.

Além de ser um bom investimento, isso melhoraria a qualidade da energia e minimizaria riscos para estas áreas críticas, já que a profusão de ligações clandestinas traz grandes problemas de segurança para as equipes de manutenção e de operação e para os usuários (mesmo para os poucos que não estão roubando energia).

Mas, com a maior sensibilidade que os tempos de escassez nos trazem, temos um ambiente favorável para a implementação de tarifas que permitem “planificar” a curva de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN), o que se traduz em postergação de investimentos e, de fato, em menor pressão sobre as tarifas.

Assim, as atribulações que vivemos são ricas em oportunidades para alterarmos velhos padrões e tirarmos a distribuição de energia da idade das pedras para os dias atuais, trazendo informações on-line de campo e, com elas, minimizando custos e melhorando a performance operacional.

Estranhamente, existem setores da sociedade civil que se dizem contra projetos de AMI e smart grid, pois estes eliminariam postos de trabalho. Santa ignorância destes setores retrógados (os de sempre: gente que não trabalha no setor, mas vive pendurada nele e acha que entende de tudo).

Na verdade, há uma transposição de tarefas e a empresa com automação mais avançada gera postos de trabalho com melhor qualidade.

Pesquisas feitas em alguns países mostram um ganho para os funcionários na medida em que eles passam a ter melhores condições de trabalho e melhor remuneração.

Obviamente, as políticas públicas neste campo são medidas que geram resultados no médio e longo prazos, mas precisamos mesmo ter planejamento sustentável e não improvisações que, sabemos, geram resultados de curto prazo mas que não se sustentam (exemplos recentes mostram isso).

Precisamos pensar no país com os olhos no futuro e não com objetivos do curto prazo, típico das mentes pequenas.

Comentários

Deixa uma mensagem

%d blogueiros gostam disto: