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mar, 2015

Edição 108 – Janeiro de 2015
Espaço 5419
Por Jobson Modena*

Documento da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que possui o status de segunda norma do setor elétrico mais procurada e consultada do país, a ABNT NBR 5419:2005 – Proteção de estruturas contra descargas atmosféricas já foi NB 165 – Proteção de estruturas contra descargas elétricas atmosféricas em 1970. E, de lá para cá, com o objetivo de aperfeiçoar seu texto transformando-o em uma ferramenta cada vez mais consistente para auxiliar a engenharia nacional na proteção contra os raios, tem passado por várias revisões.

O primeiro grande salto técnico no texto aconteceu em 1993 quando, utilizando como referência a norma IEC 61024 – Lightning protection, series a and b, foram introduzidos: os conceitos de nível de proteção; os três métodos de cálculo que até hoje são utilizados na captação (Franklin, Faraday e Esfera rolante); o cálculo do número de descidas em função principalmente do perímetro da estrutura; o comprimento do eletrodo de aterramento com base na resistividade do solo etc. Outra mudança importante a ser mencionada na edição de 1993 foi, juntamente com a resolução 04/89 da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), a proibição da utilização dos captores radioativos, colocando fim à possibilidade da utilização desse dispositivo em qualquer tipo de Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) existente no Brasil.

Após mais de vinte anos, surge o que o grupo revisor da Comissão de Estudos – CE: 64.10, proteção contra descargas atmosféricas do Comitê Brasileiro de Eletricidade, Eletrônica, Iluminação e Telecomunicações (Cobei), chamou de “o segundo grande salto técnico no texto da NBR 5419”. Com dez anos de revisão do texto base de 2005 e com um grupo bastante heterogêneo, o trabalho foi conduzido e terminado, basicamente por seis participantes regulares, culminando na criação de um documento, que é baseado na norma IEC 62305 – Lightning protection, series 1 to 4, com mais de 340 páginas, dividindo os assuntos em quatro partes:

Parte 1: Princípios gerais, que estabelece os requisitos mínimos para a determinação de proteção contra descargas atmosféricas, bem como fornece subsídios para a utilização dos conceitos em projetos de proteção contra descargas atmosféricas.

Parte 2: Gerenciamento de risco, que estabelece os requisitos para análise de risco em estruturas devido às descargas atmosféricas para a terra e tem o propósito de regrar a avaliação de tais riscos, permitindo a escolha das medidas de proteção apropriadas a serem adotadas para reduzir o risco de dano causado por raio ao limite ou abaixo do limite tolerável.

Parte 3: Danos físicos a estruturas e perigos à vida. Provê os requisitos para proteção de uma estrutura contra danos físicos por meio de um SPDA e para proteção de seres vivos contra lesões causadas pelas tensões de toque e passo nas vizinhanças de um SPDA. Aplica-se a projeto, instalação, inspeção e manutenção do SPDA para estruturas sem limitação de altura, bem como o estabelecimento de medidas para proteção contra lesões a seres vivos causadas pelas tensões de passo e toque provenientes das correntes impulsivas.

Parte 4: Sistemas elétricos e eletrônicos internos na estrutura. Parte que fornece informações para projeto, instalação, inspeção, manutenção e ensaio de sistemas de proteção para equipamentos elétricos e eletrônicos (Medidas de Proteção contra Surtos – MPS), a fim de reduzir o risco de danos permanentes internos à estrutura devido aos impulsos eletromagnéticos causados pelas descargas atmosféricas, mas que não cobre a proteção total contra essas interferências.

Quando se compara os dois textos (atual e novo), o grau de complexidade relacionado às diferenças não se restringe apenas aos cálculos, mas também aos conceitos, à utilização e ao posicionamento de novos materiais. Dessa maneira, tendo em vista a quantidade de mudanças e de incrementos realizados no novo texto, analisou-se a necessidade de um veículo para promover a interface com o usuário e com isso melhorar o nível de compreensão dos conceitos apresentados. Assim, por meio da revista O Setor Elétrico, surge o “Espaço 5419”.

Mensalmente, um dos seis especialistas que mais contribuíram e finalizaram o novo texto terá a oportunidade de dissertar sobre um assunto tratado em uma das partes da nova NBR 5419 de forma mais amigável e colaborativa, sem o rigor linguístico que o documento exige.

Além disso, deverá acontecer em breve um evento marcando o lançamento do documento. A data será divulgada oportunamente, também visando trazer à tona as novas determinações e esclarecer os pontos mais críticos da revisão.

Portanto, boas novas nos aguardam, assim, resta-nos agradecer a todos os envolvidos no processo desde 2005, especialmente aos engenheiros Hélio Sueta, José Barbosa de Oliveira, José Claudio de O. e Silva, Normando Alves e Sérgio Santos pelas incontáveis horas de dedicação e esforço.

E que finalmente chegue a nova ABNT NBR 5419:2015, afinal, ela será a estrela do show, que com seu brilho elucidará técnicas e conceitos, ajudando ainda mais a proteção contra raios no Brasil. 

Saudações,

Jobson Modena
Coordenador da Comissão de estudos 64.10

 

 

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