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mar, 2015

Edição 108 – Janeiro de 2015
Por Luiz Fernando Arruda 

Na coluna anterior, festejei que o ano, ao menos, ia acabar e isso já era uma vitória. Agora, em 2015, com o choque de realidade já quase todo aplicado, festejamos o novo ano.

Pelo que se anuncia, nem poderemos dizer que agora chegou a hora de a onça beber água. Mas o pequeno “apagão” vai ajudar. Tivemos uma restrição de carga forçada em oito Estados e no Distrito Federal e, como sempre, as pérolas que ouvimos são impagáveis.

De bom, pelo menos, é que já começamos a ouvir aqui e ali que precisamos racionalizar o consumo e que as devidas medidas já deveriam ter sido implementadas desde o ano anterior (isto dito em entrevista de ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel).

As bandeiras já começaram, mas muito mal explicadas em todas as faturas que vi e, em breve pesquisa que fiz, ninguém sabe o que isso significa; sabem apenas que o custo subiu. Também é bom que a “mágica” da MP 579 acabou e os custos transferidos do usuário de energia elétrica para o contribuinte da União vão ser mesmos repatriados para o setor elétrico; as promessas não duraram três anos. A bolha se desfez e pelo menos vamos ter uma quantificação real do custo da energia.

Em alguns locais do Brasil, a coisa vai ficar feia mesmo. Vejamos o exemplo do estado do Pará, no qual, no ano passado, o aumento autorizado pela Aneel beirou 40%. Como neste ano provavelmente teremos outros 40% vindo aí, poderemos constatar que o custo do MWh nas terras paraenses vai praticamente dobrar de um ano para outro! Atualmente, lá se paga, sem impostos, quase R$ 500 por MWh na baixa tensão (BT) e este valor pode chegar a R$ 700 facilmente.

Como o usuário percebe o valor da energia devidamente acrescido dos impostos, o valor efetivamente desembolsado chegará muito perto dos R$ 1.000 por MWh. Se comparada com valores internacionais de referência teremos aí mais um recorde indesejável.

Mas também, de bom, já que estamos mais realistas, é que finalmente a Aneel pode aproveitar a maré e lançar uma nova tarifa para BT que não seja esta tarifa branca que ainda nem decolou e que só traria problemas a todos.

Não sei de que cor ela seria chamada, mas não seria opcional. Seria mandatória nas áreas em que a distribuidora implementasse programas de AMI, permitindo, de fato, ganhos para o sistema com efetiva modulação de carga e diminuição real da tarifa no médio e longo prazos. Além disso, quem de fato contribuir para a postergação de investimentos (planificação da curva de carga) vai imediatamente se beneficiar dos descontos da nova tarifa. É só consumir nos horários de energia mais barata.

Nada de novo: já temos isso no sistema de telecomunicações do Brasil há muito tempo. Tem faltado vontade política e coragem para estender ao setor elétrico.

Com mais inteligência na gestão dos sistemas, pelo menos, poderíamos ter cortes programados na distribuição sem incluir trens metropolitanos e hospitais (tem diretor de empresa que disse – ou confessou – que desliga circuitos sem saber o que ficará sem energia!).

Emergencialmente, temos opções de efeitos quase instantâneos, ofertando descontos para quem ficar abaixo da média dos últimos 12 meses e estendendo o período da tarifa verde para unidades consumidoras de média tensão que passariam, então, a utilizar o gerador diesel mais que as três horas diárias atuais.

Muita coisa pode ser feita neste novo ambiente em que as coisas estão de fato sendo colocadas de forma real.

Quem sabe assim a gente nem precise torcer para que este ano também acabe logo!

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