Reformas e gambiarras

maio, 2012

Edição 73 / Fevereiro de 2012
Por Luiz Fernando Arruda

Já comentei sobre projetos de instalações de média tensão de instalações industriais e/ou comerciais, sobre concessionárias que não exigem projetos, mas podem estar certos de que há situações ainda piores.

 

Recentemente, esta questão de projetos em casos de reformas de edificações veio à tona com o desabamento de prédios no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais, deixando a questão da segurança física de edificações em evidência. Mas a questão da segurança das instalações elétricas de baixa e média tensão em edificações residenciais e/ou comerciais deveria preocupar também.

Primeiro precisamos nos lembrar que em muitas edificações antigas temos a subestação abaixadora dentro do edifício; isso se deve a uma antiga prática da maioria das concessionárias de distribuição de entregar um ramal de média tensão, cabendo aos futuros clientes (condomínio e lojas e/ou apartamentos) fazer o rebaixamento da tensão – o que por si só sempre foi errado, já que, na maioria dos casos, tratava-se de clientes de baixa tensão e o que define a tarifa é o nível de tensão do ponto de entrega de energia.

Algumas concessionárias concediam a condomínios maiores a tarifa binômia de média tensão, mas os demais clientes, a despeito de participarem das despesas de instalação e de manutenção da subestação, tinham e ainda têm de se conformar até hoje com a tarifa de baixa tensão.

Estas subestações são um caso a parte. Muitas delas foram montadas na época da construção e hoje não há nem mesmo uma forma de retirar o transformador para substituição em caso de manutenção.

Algumas ficam em “quartinhos” onde se encontra um barramento sem qualquer segurança e o próprio transformador instalado no chão (muitas vezes sujeito a águas de limpeza do prédio e umidade constante). As conexões são históricas e não são raros os pontos quentes decorrentes de conexões com elevada resistência.

Foram muitas as notificações quando atuava em concessionárias e sempre se ouvia a mesma desculpa: “se está aqui há anos e não houve qualquer problema, para que melhorar, para que mexer?”

Ao longo do tempo, pude observar que o que descrevi ocorre de forma generalizada na maioria dos Estados deste enorme Brasil.

Olhando o segmento de baixa tensão, ainda encontraremos edificações com a presença de cabos com isolamento em tecido, conexões por “charrua”, aumentos de carga à revelia da concessionária e que sobrecarregam as instalações comuns de prédios construídos há mais de 30 anos, quando o requisito de carga em cada unidade consumidora era mínimo.

Algumas concessionárias de distribuição exigem dos condomínios um novo projeto e até mesmo a troca de instalações comuns com o aumento de carga. Outras são lentas até mesmo para perceber que o medidor instalado em uma determinada unidade consumidora (muitas vezes de corrente máxima de 30 A ou 35 A) precisa ser trocado.

Uma grande parte das empresas, como parte dos procedimentos para redução de custo ou mesmo por falta de coragem e conhecimento de seus funcionários, adota a postura de simplesmente fazer de conta que nada há para ser fiscalizado. Infelizmente, só quando ocorrem acidentes de maior repercussão o assunto “segurança” vem à tona.

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