Redes inteligentes: algumas contribuições

jan, 2014

Edição 95 – Dezembro de 2013
Por Luiz Fernando Arruda 

Na edição anterior, abordamos o tema “redes inteligentes” pelo prisma da audiência pública do dia 13 de novembro de 2013, convocada pela Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados em Brasília e dissemos que esta iniciativa reabre as esperanças para aqueles que sonham em ter mais inteligência a serviço do sistema interligado nacional.

Reabrir é um termo adequado, pois as condições regulatórias atuais somadas à insegurança quanto ao processo que vem chegando para a renovação das concessões, não são propícias a investimentos em novas tecnologias (há outros riscos, os quais trataremos oportunamente).

Este sonho encerra o desejo de termos mais eficiência, de vermos implementada uma tarifa binômia e horo-sazonal para baixa tensão (não opcional, nos mesmos termos em que já vigora para o sistema de comunicação), melhor qualidade e preços mais justos (mas não forjados, com transferência de custos dos consumidores para os contribuintes em geral).

Muitos não entendem e, por isso, precisamos frisar: isto é muito diferente de obrigar as concessionárias a instalar medidores de energia elétrica com algumas funcionalidades, mas sem qualquer menção a um sistema de medição que de fato permita que os medidores sejam mesmo inteligentes e não autistas isolados do mundo!

Além disto, cabe perguntar: quais medidores? Quando os medidores que atendem à Portaria Inmetro 401, de 15.08.2013, estarão disponíveis para os compradores? Quando a Resolução Normativa 502, da Aneel, de 07.08.2013, vai poder ser atendida?

Teremos, certamente, a emissão de um regulamento técnico metrológico (RTM) para, a partir daí, ter regras claras para os fabricantes de medidores ultimarem seus projetos, implementar testes internos e apresentarem seus protótipos para os ensaios oficiais.

Tem ainda a questão das funcionalidades básicas e aquelas consideradas suplementares ou opcionais. Que custo será acrescentado se, na verdade, as funções estiverem todas contempladas?

Não é mais adequado que a Aneel assuma como prudente o investimento em medidores completos em funcionalidades para padronização e redução de custo de estoque? Também não é melhor que a Aneel considere que a comunicação entre medidores e sistema corporativo da concessionária seja obrigatória e não opcional? Para a indústria, certamente, são fatores importantíssimos em termos de programação de compra de componentes e fabricação.

Quanto aos investimentos que serão necessários para termos de fato os sistemas de medição em condições operacionais e também quanto aos esforços da área de TI e comunicação para a efetiva obtenção de resultados positivos, já há indicativos de serem os de melhor retorno posto que relacionados a tecnologia.

Pelo que se pode observar da ação isolada dos vários agentes até o momento, temos que colocar os esforços na mesma direção e sentido e, portanto, precisamos mesmo de um fato novo que ordene a questão.

Alguns podem entender que são críticas. Eu entendo estes comentários e sugestões como contribuições necessárias para que não sejam aplicados recursos sem qualquer possibilidade de resultados positivos já que não há ainda uma política unificadora de procedimentos que garanta êxito para as medidas que vemos hoje, isoladas, sem sincronismo e desconexas.

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