Reconhecer o problema é o primeiro grande passo para resolvê-lo

abr, 2014

Edição 98 – Março de 2014
Por Luiz Fernando Arruda 

Como já está sendo anunciado que temos uma condição bastante preocupante quanto à nossa capacidade de produzir energia neste período de seca (outros virão pois o problema é cíclico), podemos aproveitar e iniciar também algumas práticas que podem aliviar o sistema elétrico nacional. Trata-se de aproveitar uma situação adversa e transformá-la em oportunidade de melhoria.

Quando aconteceu o racionamento na década passada, também investiu-se em usinas térmicas, as quais têm sido fundamentais para que o Sistema Interligado Nacional (SIN) se mantenha. Foi também imposta uma série de medidas que reduziu o consumo de energia no país. Destas medidas resultou que a maioria das unidades consumidoras de média tensão investiu em geradores a diesel para, inicialmente, conseguir o percentual de redução de consumo exigido e também, posteriormente, para optar pela tarifa verde.

Assim, como medida emergencial e temporária, podemos pensar que para essas unidades consumidoras (UC) que já possuem, todas, um medidor com memória de massa e quatro quadrantes e, portanto, apto a tarifas horo-sazonais, pode ser implementada uma medida que permita a compra de energia pelo sistema de distribuição. Aquelas UCs que já operam em paralelo podem ampliar as vantagens atuais e vender energia e aquelas UCs que apenas usam o gerador com entrada e saída de paralelismo em rampa podem ter o período de tempo da tarifa verde ampliado.

Com isto poderia ser remunerado o esforço destas UC pagando a elas um valor menor que o da energia hoje comprada no mercado. Bom negócio para as duas partes e, como resultado, teremos ainda algum alívio para o sistema.

Outras devem ser medidas perenes que deverão trazer alívio ao sistema e também para a tarifa (e, de forma real, baixando o custo de fato).

Térmicas demandam tempo para início de operação, mas tentar novamente mobilizar a população e a indústria quanto à necessidade de se ter um posicionamento mais racional ao consumir energia é fundamental e o momento exige isso!

Outro ponto se refere à quantidade de energia que se perde com a energia usada sem o devido pagamento. Esta questão das perdas não técnicas por furto/roubo de energia merece, definitivamente, um tratamento mais sério pelo poder concedente e pelas autoridades de segurança do país. É crime (e não delito como alguns querem tratar a questão) e traz prejuízos enormes ao país.

A quantidade de energia nestas condições (em 2013) é brutal, em torno de 30,4 TWh /ano! Se imaginarmos que 30% desse total pode ser evitado com medição e o devido pagamento, estamos falando de 10 TWh / ano, o que é também muito significativo.

Se o governo federal entende que eletricidade é um insumo que deve ser mais subsidiado do que já é para baixos consumos, então, pode até criar regras para que a população de baixa renda tenha mais facilidade para pagar pelo que consome. Neste caso, cabe ao governo mostrar a todos o valor do subsídio, seus limites e também agir de forma severa com qualquer um que use artifício ilegal para não pagar ou pagar apenas parte do que consome.

Cabe também ao governo federal permitir que as medições externalizadas (instaladas na rede e com funções de leitura remota e outras que facilmente podem ser agregadas) sejam entendidas como solução definitiva e tratar do assunto com visão empresarial e não acadêmica.

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