Qualidade de fornecimento de energia elétrica em média tensão

maio, 2014

Edição 99 – Abril de 2014
Por Luiz Fernando Arruda 

É muito comum ouvir críticas direcionadas às concessionárias de energia elétrica quanto à qualidade do fornecimento de energia elétrica. Poucas vezes, no entanto, é tratada a questão sob o prisma da responsabilidade do cliente. Nas mais de duas décadas em que trabalhei em concessionárias de distribuição pude ver em todo o território brasileiro um panorama de quase completa irresponsabilidade.

Em muitas subestações consumidoras de energia, é possível encontrar verdadeiras peças dignas de museus de eletricidade. Disjuntores a óleo hoje incapazes de interromper qualquer corrente mesmo que da ordem da corrente nominal; relés tipo “pica-pau” que nem o maior curto-circuito no barramento conseguiria vencer a sujeira e falta de manutenção. Transformadores com vazamento de óleo que nunca foram amostrados para qualquer verificação.

Exagero? A minha coleção de fotos é impressionante e toda vez que revisito os arquivos eu ainda me surpreendo.

E poderíamos pensar que este é um mal de unidades consumidoras absolutamente sem importância, nas quais a energia elétrica não é um insumo fundamental ou cujo produto não é essencial. Mas não é assim!

Não é sem razão que, com frequência, ouvimos que um determinado aeroporto internacional ficou sem energia por problemas internos, embora, inicialmente sempre seja colocada dúvida sobre a responsabilidade da concessionária, saco de pancada preferencial das mídias. Segue-se o velho chavão: “houve um curto-circuito interno e a proteção atuou”. Depois, alguns dias passados, esta assunto não mais interessa a ninguém e não ficamos sabendo de fato o que houve.

Será que os responsáveis pelos aeroportos já ouviram falar em cubículo isolado a SF6? Será que já ouviram falar em dupla ou tripla alimentação com comutação automática? E quanto à geração de emergência mantida como reserva quente? E não dá para argumentar sobre custo nestes casos, pois em um aeroporto internacional energia cara é a que falta!

Se cuidam deste jeito do fornecimento de energia temos que ser gratos por não serem os responsáveis pela segurança dos voos!

De forma geral o que se observa é que há o entendimento que cabe apenas à concessionária manter a qualidade da energia fornecida, o que naturalmente é uma simplificação equivocada.

Todas as unidades consumidoras de média tensão têm a propriedade de poder causar problemas nas linhas de MT capazes de afetar milhares de unidades de BT e outras tantas de MT e cabem medidas punitivas a quem deliberadamente ou por omissão permite que problemas internos progridam para a rede pública.

Outros aeroportos internacionais, além do Galeão, também têm um sistema elétrico precário e todos ganharíamos se fosse feito um levantamento geral no Brasil todo e planejados investimentos de forma a mitigar riscos nestas unidades consumidoras tão importantes, fundamentais mesmo.

Além da segurança, muito se pode fazer quanto à eficiência energética, assunto que vamos abordar oportunamente. Apenas para pensar: que tal instalar alguma cobertura refratária ao sol no aeroporto Santos Dumont, cujo espaço parece que foi projetado para ser uma estufa e não um local para receber passageiros de uma forma confortável e segura?

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