Proteção contra raios para os tanques que armazenam líquidos inflamáveis (continuação)

ago, 2014

Edição 102 – Julho 2014
Por Jobson Modena

Como proteger um tanque com teto de espessura superior a 4 mm e com respiros que deixam sair um vapor inflamável a baixa velocidade

Em torno da saída do respiro há uma área classificada padronizada sob a forma de esfera que, para a maioria dos produtos derivados do petróleo, tem um raio de 1,5 m para a divisão 1 (zona 1) e mais um metro para a divisão 2 (zona 2), segundo a NFPA. A proteção consiste em instalar hastes verticais metálicas com altura e distância entre elas tais que assegurem que o raio não ultrapasse o volume de proteção criado, aumentando o risco. O cálculo deve ser feito para nível 1 de proteção, conforme o anexo B da ABNT NBR 5419, e os captores devem ser soldados diretamente sobre o teto do tanque.

Como proteger um tanque com teto de espessura inferior a 4 mm

Há duas maneiras de proteger esses tanques:

  • Instalar em torno do tanque, e à distância superior a 2 metros dele, postes ou torres de aço galvanizado de modo que esferas fictícias de 20 m de raio, apoiadas sobre sua extremidade fiquem com a tangente inferior a não menos de 2 m do ponto mais alto do teto. Isso garantirá uma proteção isolada no nível 1 de proteção, segundo o anexo B da ABNT NBR 5419.
  • Uma alternativa mais econômica é instalar, com solda, por exemplo, captores verticais diretamente sobre o teto, com distâncias calculadas pelo modelo eletrogeométrico, com esfera de raio igual a 20 m (nível 1).  A justificativa é que os tetos finos poderão conduzir bem as correntes dos raios, só não poderão ser atingidos diretamente por eles, para não produzir pontos quentes na face interna da chapa. Se houver pontos de saída de vapores, a proteção deverá ser feita como no item anterior, referente aos respiros.

Análise dos sistemas de medição de nível e temperatura

Apesar de um tanque estar protegido contra o impacto direto dos raios, é possível que o sistema de medição de temperatura ou do nível do líquido proporcione diferenças de potencial perigosas que venham a causar acidentes de grandes proporções. É necessário que não haja contato entre os sensores e o líquido ou o vapor dentro do tanque. É possível também que surjam diferenças de potencial entre os instrumentos de medição e o sistema de aquisição de dados, pela falta de equalização dos potenciais entre os sistemas de aterramento do tanque e do sistema de aquisição de dados, causando um mal funcionamento ou destruição de componentes mais sensíveis.

Medidas relacionadas à equipotencialização, blindagem e aterramento devem ser tomadas no sentido de minimizar esses efeitos. A solução definitiva para as diferenças de potencial seria o uso de fibra ótica para o tráfego de dados entre o campo e a sala de controle.

Aterramento dos tanques

Os tanques devem ser aterrados para escoamento das correntes impulsivas, bem como para evitar elevações de potencial que possam causar centelhamento. Um tanque é considerado aterrado pela ABNT NBR 5419 se preencher as seguintes condições:

– Estar conectado a um subsistema de aterramento que atende às exigências de 5.1.3 da ABNT NBR 5419;

– Se estiver acoplado eletromecanicamente a uma rede de tubulações eletricamente contínuas e aterradas;

– Se for cilíndrico vertical e estiver apoiado no solo ou sobre uma base de concreto enterrada e tiver, no mínimo, 6 m de diâmetro, ou estiver apoiado sobre revestimento betuminoso, mas com diâmetro mínimo de 15 m.

Medidas de manutenção preventiva, conforme item 6 da ABNT NBR 5419, e corretiva são indispensáveis para manter a integridade física dos eletrodos, bem como sua eficiência na dispersão das correntes impulsivas sem causar perturbações no solo que possam oferecer maiores riscos às instalações e, principalmente, à vida das pessoas que trabalhem ou circulem pelo local.

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