Proteção contra incêndio em casos específicos

ago, 2015

Edição 114 – Julho de 2015
Espaço 5410

Esta seção é dedicada a um resumo do que vem sendo discutido nas reuniões de 2015 de revisão da norma ABNT NBR 5410:2004, baseada nas alterações do texto da IEC correspondente e nos pontos apresentados pelos participantes. É importante sempre ressaltar que as citações desta coluna constituem um relato do que foi discutido e que foram aprovadas na reunião plenária pela comissão de estudos, porém, a aprovação como parte oficial do projeto de norma, somente será feita antes de o texto ser enviado para consulta nacional.

Algumas seções que serão complementadas somente ao final dos trabalhos de revisão (por exemplo, referências normativas) não estão descritas aqui.

A revisão da norma ABNT NBR 5410 seguiu com a análise do texto base e das sugestões. Em função da revisão de alguns pontos que haviam sido discutidos anteriormente, está sendo reproduzido o texto de consenso da reunião de junho e julho de 2015 a partir do item 5.2.2.

O texto aprovado nas seções correspondentes encontra-se a seguir, ressaltando que alguns pontos foram modificados na última reunião, em função de novos parâmetros discutidos:

5.2.2.1.4 Os componentes fixos que produzem concentração de calor devem ser posicionados a uma distância suficiente de qualquer objeto fixo ou elemento de construção, de tal forma que tais objetos ou elementos não sejam submetidos, em condições normais, a uma temperatura perigosa — por exemplo, uma temperatura superior à de sua ignição.

5.2.2.1.5 Componentes da instalação que contenham líquidos inflamáveis em volume significativo devem ser objeto de precauções para evitar que, em caso de incêndio, o líquido inflamado, a chama, a fumaça e gases se propaguem para outras partes da edificação.

Nota 1: Tais precauções podem ser, por exemplo:

a)   Construção de um fosso de drenagem, para coletar vazamentos do líquido e assegurar a extinção das chamas, em caso de incêndio;

b)   Instalação dos componentes numa câmara resistente ao fogo, ventilada apenas por atmosfera externa, e previsão de soleiras, ou outros meios, para evitar que o líquido inflamado se propague para outras partes da edificação.

Nota 2: Em geral, considera-se “significativo” um volume igual ou superior a 25 L;

Nota 3: Para volumes inferiores a 25 L, é suficiente alguma providência que evite o vazamento do líquido.

Nota 4: É recomendável que a alimentação seja desligada tão logo um incêndio se inicie.

5.2.2.1.6 Os materiais de invólucros aplicados a componentes da instalação durante a execução da obra devem suportar a maior temperatura que o componente possa vir a atingir. Só se admitem invólucros de material combustível se forem tomadas medidas preventivas contra o risco de ignição, como revestimento com material incombustível, ou de difícil combustão, e baixa capacidade de condução térmica.

5.2.3 [422] Precauções em caso de riscos específicos de incêndio

5.2.3.1 Generalidades

5.2.3.1.1 A instalação de componentes elétricos deve ser restrita àqueles necessários para o uso do local considerado, à exceção das linhas elétricas, conforme 5.2.3.3.5.

5.2.3.1.2 Os componentes elétricos devem ser selecionados e instalados de tal modo que sua temperatura, em caso de uso normal e de aquecimento previsível em caso de falta, não dê origem a um incêndio. Estas disposições podem resultar da construção do componente ou das suas condições de instalação.

Nenhuma medida especial é necessária quando a temperatura das superfícies não for suscetível de provocar a ignição dos materiais nas proximidades.

5.2.3.1.3 Os dispositivos de desligamento térmico devem permitir somente religamento manual.

5.2.3.2 Proteção contra incêndio nas condições BD2, BD3 e BD4

(Definições de rota de fuga: caminho contínuo, devidamente protegido, proporcionado por portas, corredores, halls, passagens externas, balcões, vestíbulos, escadas, rampas ou outros dispositivos de saída ou combinações destes, a ser percorrido pelo usuário, em caso de um incêndio, de qualquer ponto da edificação até atingir a via pública ou espaço aberto, protegido do incêndio, em comunicação com o logradouro.

Nota: em algumas publicações a rota de fuga é denominada como saída de emergência, rota de saída ou saída, por exemplo na ABNT NBR 9077.

5.2.3.2.1 Nas condições BD2, BD3 e BD4, as linhas elétricas em rota de fuga devem atender aos seguintes requisitos:

– Serem dispostas de forma a não prejudicar a rota de fuga;

– Serem dispostas fora da zona de alcance normal ou atenderem no mínimo a solicitação mecânica AG3, conforme Tabela 7.

NOTA 1 — Sobre zona de alcance normal, ver figura 7.

– Serem tão curtas quanto possível;

– Os condutores e os condutos devem ser não propagantes de chama, livres de halogênio e com baixa emissão de fumaça e gases tóxicos;

NOTA 2 A conformidade com a exigência acima pode ser obtida usando os seguintes produtos:

— Cabos conforme os ensaios de incêndio da IEC 60332-1-2 e que atendam às condições de incêndio das normas IEC 60332-3-21, IEC 60332-3-22, IEC 60332-3-23, IEC 60332-3-24 e IEC 60332-3-25;

— Eletrodutos de seção circular classificados como não propagadores de chama, conforme IEC 61386-1;

— Eletrocalhas classificadas como não propagadoras de chama, conforme IEC 61084-1;

— Bandejas e leitos classificados como não propagadores de chama, conforme IEC 61537;

— Para sistemas de condutores pré-fabricados, ver série IEC 61534.

Nas condições BD2, BD3 e BD4, as linhas elétricas que alimentam circuitos de segurança devem possuir uma resistência ao fogo durante o tempo prescrito pela regulamentação dos elementos de construção ou então durante 1 h, na ausência de tal regulamentação.

NOTA 3 Para os requisitos que tratam das linhas elétricas para serviços de segurança, sob condições de incêndio, ver ABNT NBR 5410-5-56.

As linhas elétricas instaladas em rota de fuga devem apresentar uma taxa de produção de fumaça limitada.

NOTA 4 Se as normas de cabo não se pronunciarem sobre tal questão, deve ser adotado um valor de 60% da transmitância luminosa como mínimo para o ensaio do cabo conforme a IEC 61034-2.

5.2.3.2.2 Em áreas comuns, em áreas de circulação e em áreas de concentração de público, nas condições BD2, BD3 e BD4, as linhas elétricas embutidas devem ser totalmente imersas em material incombustível, enquanto as linhas aparentes e as linhas no interior de paredes ocas ou de outros espaços de construção devem atender a uma das seguintes condições:

a) No caso de linhas constituídas por cabos fixados em paredes ou em tetos, os cabos devem ser não propagantes de chama, livres de halogênio e com baixa emissão de fumaça e gases tóxicos;

b) No caso de linhas constituídas por condutos abertos, os cabos devem ser não propagantes de chama, livres de halogênio e com baixa emissão de fumaça e gases tóxicos. Já os condutos, caso não sejam metálicos ou de outro material incombustível, devem ser não propagantes de chama, livres de halogênio e com baixa emissão de fumaça e gases tóxicos;

No caso de linhas em condutos fechados, os condutos que não sejam metálicos ou de outro material incombustível devem ser não propagantes de chama, livres de halogênios e com baixa emissão de fumaça e gases tóxicos. Na primeira hipótese (condutos metálicos ou de outro material incombustível), podem ser usados condutores e cabos apenas não propagantes de chama; na segunda, devem ser usados cabos não propagantes de chama, livres de halogênio e com baixa emissão de fumaça e gases tóxicos.


* Eduardo Daniel, consultor da MDJ Assessoria e Engenharia Consultiva, superintendente da Certiel Brasil e coordenador da Comissão de Estudos 03:064-001 do CB-3/ABNT, que revisa a norma de instalações de baixa tensão ABNT NBR 5410.

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