Projeto híbrido eólico-solar

jun, 2017

Uma alternativa para aumentar a competitividade e facilitar a penetração de projetos fotovoltaicos de maior porte no país

 

A estrutura de geração elétrica no Brasil é caracterizada essencialmente pela presença das fontes renováveis, principalmente pelos grandes blocos de geração de hidrelétricas. Apesar do percentual de participação da fonte de origem hidráulica ter reduzido consideravelmente, o Brasil ainda possui forte dependência desta fonte no âmbito da geração de energia elétrica. A Figura 1 apresenta a comparação da capacidade instalada de geração por fontes no Brasil entre 2001 e 2015.

Figura 1 – Capacidade Instalada por fontes de geração (Aneel, 2016).

Considerando a recente atualização do Plano Decenal de Expansão de Energia, a taxa média de expansão da carga será de 3,8% a/a, o que representa um crescimento médio estimado de 2900 MWmed/ano até o ano de 2024. Naturalmente, esta evolução reflete a necessidade de expansão das fontes de energia, de forma a suprir e assegurar o atendimento energético do país. Considerando atender à demanda da carga ano a ano, o sistema de geração deverá expandir-se de forma a incrementar anualmente o valor de 3800 MW no sistema elétrico nacional, totalizando o montante de 38 GW ao longo do período decenal (EPE, 2015). Diante desse contexto, a Figura 2 apresenta a evolução do crescimento da matriz elétrica, em que é possível destacar o crescimento efetivo das fontes eólica e solar. Tal crescimento comprova o investimento da iniciativa privada no setor de geração frente ao interesse do governo brasileiro em explorar o potencial existente das referidas fontes.

Figura 2 -Evolução da matriz elétrica no Brasil (EPE, 2015).

O uso da fonte fotovoltaica através do aproveitamento do sol e o uso da fonte eólica através da utilização do vento são práticas que tendem a minimizar a emissão de poluentes na atmosfera, visto que não requerem processos de combustão para geração de energia elétrica. As fontes de energia intermitentes funcionam bem quando complementam outras fontes que estão disponíveis com mais regularidade, como é o caso da energia hidrelétrica, que depende da quantidade da água dos reservatórios. O desenvolvimento e uso de apenas um tipo de recurso energético, renovável ou não, não é a solução definitiva para todos os problemas associados à energia. Fatores, como disponibilidade do recurso energético, capacidade de transporte, distribuição e armazenamento, custo de produção, condições geográficas e econômicas, dentre outros, precisam ser considerados na escolha da matriz energética de um país ou uma região. Além da diversificação da matriz energética, as fontes renováveis de energia, principalmente a solar e eólica, têm efeitos positivos, tais sejam; recurso inesgotável, redução dos impactos climáticos, desenvolvimento econômico local, criação de empregos, transferência de tecnologia, desenvolvimento da cadeia produtiva e criação de mercados descentralizados.

Projetos híbridos eólico-solares

Os sistemas híbridos de energia elétrica são definidos como sendo aqueles que utilizam mais de uma fonte de geração de energia que, dependendo da disponibilidade dos recursos, devem gerar e distribuir energia elétrica, de forma otimizada e com custos mínimos, a uma determinada carga ou a uma rede elétrica, isolada ou conectada a outras redes. Tipicamente, sistemas híbridos são aplicados de forma a atender a residências que estão afastadas ou isoladas da rede elétrica convencional, aumentando a confiabilidade do fornecimento e garantia do recurso energético, dada a possibilidade de uma fonte suprir a falta temporária de outra. Os primeiros sistemas híbridos foram instalados na década de 1970, provavelmente, decorrente da busca de uma alternativa energética frente à crise do petróleo de 1973. Dentre os projetos implantados na década supracitada, destacam-se o sistema híbrido eólico-diesel instalado no ano de 1977 em Clayton, Novo México, Estados Unidos da América e o sistema híbrido fotovoltaico-diesel instalado no ano de 1978 na reserva indígena Papago, Arizona, EUA.

No Brasil, o primeiro sistema híbrido foi instalado em 1986, na ilha de Fernando de Noronha, Estado de Pernambuco. O sistema funcionava utilizando as fontes eólico-diesel com uma potência eólica de 75 kW e diesel-elétrica de 50 kW. Posteriormente, o sistema foi repotencializado, contando com uma capacidade nominal de geração de 2,1 MW, sendo 75 kW + 225 kW de eólica e 1,8 MW de diesel. Em 2009, após um raio atingir a pá do aerogerador provocando incêndio e destruindo o equipamento, a ilha passou a operar somente pelo sistema a diesel. Entretanto, em 2014, a Celpe, em parceria com os governos norte-americano e alemão, por meio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), da Agência de Cooperação Alemã (GIZ), e o National Renewable Energy Laboratory (NREL), inaugurou a usina solar denominada Noronha I com potência instalada de 400 kWp (quilowatt-pico).

Uma segunda usina solar, concebida em parceria com o Governo de Pernambuco, entrou em operação em julho do ano passado. Denominada de Noronha II, a usina conta com 1.836 módulos fotovoltaicos de silício policristalino e capacidade instalada de 550 KWp. Juntas as duas usinas serão responsáveis por cerca de 10% da energia consumida no arquipélago, evitando o consumo anual de aproximadamente 400 mil litros de diesel na termelétrica local.

A empresa Enel Green Power (EGP) inaugurou uma usina híbrida eólico-solar localizada município de Tacaratu, em Pernambuco, no nordeste do Brasil. O projeto é composto pelo parque eólico de 80 MW “Fonte dos Ventos” com 34 aerogeradores Siemens e teve sua operação iniciada no final de 2014. No ano seguinte a Enel inaugurou as duas plantas fotovoltaicas “Fontes Solar I e II”, com capacidade instalada de 11MWp, dando origem a usina híbrida eólico-solar. Em operação, a usina híbrida é capaz de produzir mais de 17 GWh cada ano, o equivalente ao consumo de aproximadamente 90 mil residências, evitando assim a emissão de mais de 5.000 toneladas de CO2 na atmosfera a cada ano. A construção das plantas teve investimento total de aproximadamente 148 milhões de dólares.

Em escala mundial, uma das maiores usinas híbridas eólico-solar está sendo concebida por meio da joint venture denominada de “SPK” formada pelas empresas Samsung Renewable Energy, Korea Electric Power Corporation e Pattern Energy. Denominado de Grand  Renewable Energy Park, o projeto híbrido eólico-solar ficará localizado próximo ao lago de Lake Erie, na região de Ontario-Canadá, contemplando 150 MW de parques eólicos e 100 MW solar fotovoltaica, totalizando um projeto híbrido de 250 MW.  O layout do projeto inclui 67 aerogeradores, 425.000 módulos fotovoltaicos, uma subestação coletora de 34,5/230 kV e 20 km de linha de transmissão em 230 kV.

Arranjos e configurações de sistemas híbridos eólio-solares

Um sistema híbrido de geração do tipo eólio-solares é baseado nos aproveitamentos nos recursos naturais de vento e sol, em que a combinação dessas fontes procura explorar satisfatoriamente a complementaridade entre ambas no tempo. Uma das principais desvantagens de sistemas de geração de eletricidade individuais com as fontes de energia solar e eólica, a intermitência do recurso, pode ser parcial ou totalmente superada quando da utilização conjunta de tais fontes em sistemas híbridos. A complementaridade entre as fontes, muitas vezes verificada em alguns locais durante diferentes períodos de tempo, garante maior confiabilidade ao sistema.

O comportamento da radiação solar ao longo do dia segue um padrão razoavelmente previsível, iniciando no início da manhã com valores discretos, atingindo um máximo próximo ao meio-dia e decrescendo até o pôr-do-sol. Em contrapartida, o comportamento do recurso eólico é menos previsível, devido à variação natural da velocidade dos ventos. Entretanto, tipicamente, o perfil das velocidades mais elevadas ocorre em períodos, em que o nível de radiação solar é baixo ou inexistente, conferindo ao sistema maior continuidade no que se refere à geração de energia elétrica. A Figura 3 apresenta a complementaridade entre as fontes solar e eólica para uma dada região.

Figura 3 -Complementariedade entre os recursos eólico e solar (CRESESB, 2013).

Classificação de sistemas híbridos eólio-solares

Os sistemas híbridos podem ser classificados de diversas formas, sendo a mais comumente utilizada, de acordo com a forma de interligação com a rede elétrica e porte da usina. Quanto à forma de interligação com a rede elétrica, os sistemas híbridos podem ser caracterizados em sistemas isolados, caracterizados por atenderem a um conjunto de carga totalmente independente, normalmente através de uma mini rede e isolada do sistema interligado, ou por sistemas interligados aos quais a energia elétrica gerada é escoada na rede convencional de uma distribuidora ou transmissora.

Normalmente, os sistemas isolados são dotados de grupos de bateria de modo a permitir o fornecimento em período de indisponibilidade dos recursos renováveis. Para distribuição da energia elétrica gerada aos consumidores, são utilizadas mini redes compostas por postes, transformadores, cabos chaves e isoladores. Já os sistemas interligados têm como principal vantagem o intercâmbio da energia elétrica entre os seus diversos pontos de geração e consumo. Nesta modalidade, esses sistemas funcionam como blocos de geração complementar dentro da matriz energética, conectando-se através do sistema elétrico interligado.

Com relação ao porte dos sistemas híbridos eólico-solar, os mesmos podem ser caracterizados mediante os seguintes intervalos de capacidades nominais:

  1.  Microssistema híbrido: Capacidade < 1 kW. Essa faixa de potência é utilizada para o atendimento de pequenas cargas individuais;
  2. Sistema híbrido de pequeno porte: 1 kW ≤ Capacidade < 100 kW. Essa faixa de potência é a mais encontrada nos sistemas atualmente em operação;
  3. Sistema híbrido de médio porte: 100 kW ≤ Capacidade < 1.000 kW. Essa faixa de potência é tipicamente constituída por grandes capacidades relativas ao subsistema de geração elétrica;
  4. Sistema híbrido de grande porte: Capacidade > 1.000 kW. Há poucos sistemas híbridos no mundo cuja capacidade está dentro dessa faixa. Normalmente, são sistemas de geração distribuída, compondo blocos de geração complementares no sistema interligado.

Aspectos regulatórios

Considerando o aproveitamento de sistemas híbridos de geração de energia elétrica de grande porte (eólico e solar), o Brasil carece de uma regulamentação especifica para estes tipos de projetos, o que dificulta sua inserção na matriz energética. Dessa forma, os projetos são tratados separadamente, devendo estes seguirem as resoluções da Aneel, as quais estabelecem os requisitos necessários à outorga de autorização, para exploração de usinas eólica e solar, respectivamente. Consequentemente, sinergias que poderiam ser melhores aproveitadas, como o efetivo compartilhamento da infraestrutura, agilidade na aquisição de licenças e autorizações e o aproveitamento da complementariedade energética, acabam sendo não exploradas por inexistência de arcabouço regulatório próprio. Pelo tratamento distinto entre as fontes, projetos híbridos esbarram em burocracias, como a necessidade de criação de empresas distintas, gerando custos contábeis e fiscais, impossibilidade de compensação energética entre fontes distintas no âmbito de projetos regulados, ausência de um processo único de licenciamento ambiental, impossibilidade de parecer de conexão unificado junto as distribuidoras e/ou ONS, dentre outras.

Em relação aos projetos eólicos ou solar de capacidades reduzidas (usinas com potência ≤5MW), a Aneel dispensa dos empreendedores o ato de outorga, exigindo apenas o registro destas. Entretanto, o registro só pode ser concedido, uma vez que as obras da usina estão concluídas, conforme consta no anexo III da resolução 391 referente a usinas eólicas, que necessita ser assinado pelo empreendedor. Entretanto, a ausência de ato autorizativo anterior à implantação de usina com capacidade reduzida, é impeditiva para alguns processos, tais como: licença ambiental, autorização de conexão e processo de cadastro e adesão à CCEE. Este último, de acordo com os Procedimento de Comercialização, submódulo 1.1 (CCEE), requer a apresentação do instrumento de outorga de concessão, permissão, autorização e/ou registro.

Em outras palavras, somente após a conclusão das obras e após receber o registro da Aneel, é que o empreendedor poderá dar início ao processo de adesão junto à CCEE. Este fato, atrela atrasos e riscos na disponibilização da usina para geração de energia elétrica ao sistema interligado nacional.

Caso prático: usina híbrida eólica-solar Caetité

O projeto a ser detalhado refere-se ao empreendimento híbrido eólico solar denominado de Caetité Va. O projeto tem como objetivo gerar energia elétrica para venda no ambiente de contratação livre, mediante disponibilização de 26,4 MW, dos quais 21,6 MW provém da fonte eólica e 4,8 MWp da energia solar fotovoltaica. Situado no município de Caetité, Estado da Bahia, o projeto híbrido eólico-solar será o primeiro empreendimento deste tipo na Bahia, com energia negociada no mercado livre de energia. O projeto terá a capacidade de geração de 12 MW médios, proporcionando energia equivalente ao consumo de uma cidade com 130 mil pessoas. Financiado através de recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep – agência de fomento à inovação vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), o empreendimento foi enquadrado pela Finep na linha “Inovação Pioneira”, que conta com taxa de juros de 3,5 ao ano e prazo de amortização de dez anos. O empreendimento entrou em operação no segundo semestre de 2016. O local escolhido para implementação da usina híbrida teve como principal premissa a atratividade dos recursos eólico (velocidade do vento em m/s) e solar (radiação Wh/m2dia) associada à média de temperatura anual da ordem de 22 ºC. As Figuras 4 e 5 ilustram a localização do município de Caetité, frente à disponibilidade dos recursos energéticos.

Figura 4 – Mapa de radiação solar. 

Figura 5 – Velocidade média anual do vento (m/s).

A Tabela 1 reúne os dados técnicos mais importantes para a usina híbrida eólico-solar, de acordo com o layout considerado com seus respectivos componentes de geração de energia.

Tabela 1 – Resumo das características da UFV Caetité Va (Renova, 2016)

A Usina Solar Fotovoltaica localiza-se em uma propriedade rural com área total aproximada de 9 hectares, distante 15 km da sede do município de Caetité (BA) e altitude média de 905 m. O relevo do terreno inclui áreas planas e declives de até 3,8%, favorecendo a montagem das estruturas de suporte dos módulos fotovoltaicos. Não foi necessário realizar a construção dos novos acessos externos, em função do aproveitamento da infraestrutura civil dos parques eólicos. Já os parques eólicos Saboeiro e Jurema preta estão distantes de cerca de 6 km no sentido oeste em relação à usina fotovoltaica. Tanto os parques eólicos, quanto a usina fotovoltaica, conectam-se na subestação coletora 12.1, a qual se encontra em execução com objetivo de escoar energia de outros parques eólicos da região. Este aproveitamento evitou a necessidade de construção de novas linhas de transmissão e de subestação adicionais, impactando positivamente na redução do custo do empreendimento. A linha de transmissão de 500 kV, também em fase de execução, permitirá a conexão da subestação coletora 12.1, com a rede básica através da ligação com a subestação Igaporã III de propriedade da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf). A Figura 6 ilustra o arranjo supracitado e a Figura 7 imagens da obra do empreendimento.

Figura 6 – Mapa de localização do projeto (Renova, 2016).

Figura 7 – Imagens das obras da usina híbrida eólio-solar Caetité Va (Renova, 2016).

Complementariedade energética

Para a realização do estudo da complementariedade da dinâmica de longo prazo dos regimes eólico e solar na região da usina híbrida Caetité, foi utilizado o banco de dados do MERRA (Modern-Era Retrospective Analysis for Research and Applications), que oferece informações mais precisas, com histórico que remonta ao ano de 1970. A etapa inicial de todo o estudo climatológico corresponde à análise e ao conhecimento mais profundo do fenômeno em estudo. No caso em questão, uma das informações mais relevantes é a verificação da existência de periodicidades nas séries de radiação solar e velocidades de vento, que nos permitam prever as suas variabilidades ao longo do tempo – por exemplo, “anos bons” ou “anos ruins”.

Para isso, foi aplicado à série de velocidades mensais de vento e radiação solar uma transformada de Fourier, encontrando as energias/periodicidades interanuais contidas no sinal. Avaliando o espectro da série, a Figura 8 corresponde à periodicidade de 46 anos das séries eólica e solar. É interessante notar a grande defasagem entre as duas (aproximadamente 15 anos). Verifica-se, desta forma, uma complementariedade que chega a aproximar-se de um “espelhamento” – em outras palavras, quando a velocidade dos ventos aumenta a radiação solar diminui e vice-versa. Estas periodicidades apontam para a tendência geral de ventos mais desfavoráveis nos próximos anos – excetuando-se, sempre, efeitos extremos que podem levar a mudanças climáticas ainda não vivenciadas no histórico, e, portanto, não analisadas.

 

Figura 8 – Complementariedade eólico-solar na curva de 46 anos (Pinto, 2016).

Observa-se que, ao contrário da dinâmica eólica, a fonte solar possui momento de produção mais elevada, em função do comportamento esperado dentro do regime de flutuações de aproximadamente 15 anos. Desta forma, é possível notar a grande complementariedade entre as fontes no local de análise. Normalmente, a queda de produção de uma fonte é compensada pelo aumento da outra, evidenciando um produto híbrido de maior valor, capaz de garantir um produto mais estável e menos vulnerável à variabilidade climatológica.

Após a entrada em operação da usina híbrida, será possível analisar a dinâmica anual, através dos dados brutos medidos in loco, e consequentemente atestar se o comportamento será semelhante à análise interanual realizada através do banco de dados do MERRA. Após esta etapa, o empreendimento tem como objetivo elaborar estudos e sugestões que possam subsidiar a criação de um arcabouço regulatório especifico junto à Aneel, bem como apresentar o potencial e as oportunidades junto ao Ministério de Minas e Energia e demais órgãos competentes, acerca do aproveitamento de usinas híbridas eólica-solar em leilões de contratação de energia elétrica.

Conclusão

O presente trabalho evidenciou as perspectivas e o desenvolvimento das fontes eólica e solar fotovoltaica no Brasil, apresentando os dados e os cenários de crescimento no país, diante da corrida pela diversificação da matriz energética, a qual ainda depende essencialmente dos recursos hídricos. Dentro da oportunidade de crescimento destas fontes, projetos híbridos eólico-solar apresentam-se como uma alternativa competitiva a inserção e disseminação de projetos fotovoltaicos de grande porte.

Realizada a caracterização de projeto híbridos de geração de energia elétrica, ilustrando suas principais configurações e características técnicas, foram evidenciados, especificamente, os empreendimentos híbridos eólico-solar como forma viável de geração para o sistema elétrico. Do ponto de vista regulatório, foi constatado que ainda não se dispõe de arcabouço regulatório específico para sistemas híbridos de geração de energia de grande porte. Dessa forma, a legislação vigente obriga o empreendedor a solicitar de forma individual os pedidos de outorga, além do fato de que, se a usina for classificada como capacidade reduzida, o devido registro apenas é concedido após a construção do empreendimento. Portanto, a falta de um tratamento específico e unificado para sistemas híbridos atrela atrasos aos trâmites legais da implantação do empreendimento, aumentando o risco da indisponibilidade e energização do projeto, podendo impactar severamente o plano de negócios do investidor.

O estudo de caso abordado apresentou a substancial complementariedade existente na região da usina Caetité Va, em que, no período de aumento do recurso eólico, a redução da disponibilidade da irradiação solar é compensada, evidenciando um produto híbrido de maior valor, capaz de garantir um produto mais estável e menos vulnerável à variabilidade climatológica.

A otimização de recursos e valores de CAPEX ocorre em função do aproveitamento e do compartilhamento das instalações e infraestruturas eletromecânicas e civis. Como consequência, o projeto híbrido atenua impactos no meio ambiente por reduzir o valor de área e vegetação a ser suprimida. Após a entrada em operação da usina, será possível avaliar outros aspectos de sinergias, inclusive a possibilidade de redução de custos de O&M, além da avaliação quantitativa dos valores de geração elétrica e recursos energéticos medidos in loco, podendo gerar novas oportunidades de desenvolvimento de projetos híbridos eólico-solar na região.


Referências

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[19] PINTO, LEONTINA Engenho Pesquisa e Consultoria. Estudo das Características Técnicas e Sinergias de Projeto Híbrido Solar e Eólica, 2016.

Este trabalho foi originalmente apresentado durante a Conferência do Brazil Windpower, realizado entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro de 2016, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Por Pedro Leoni, Carlos Carvalho, Lucas Abreu e Daniel Barbosa*

Edição 134 – Março

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