Por que precisamos das redes inteligentes (smart grid)?

nov, 2015

Edição 117 – Outubro de 2015
Por Luiz Fernando Arruda

Já abordamos aqui muitas vezes e muito se comenta sobre os benefícios advindos da implementação das redes inteligentes.

Pois bem, mas e o que de fato interessa? Quais os ganhos efetivos? Não estou falando das ações de marketing nas reportagens chapa branca de algumas empresas e sim o que nós, como consumidores, vamos ganhar. E as empresas de distribuição de energia, cujo negócio hoje não é dos mais atrativos. E a sociedade como um todo? E o meio ambiente?

Hoje vamos nos concentrar em três pontos.

Primeiro: smart grid diminui as perdas não técnicas.

Em áreas de perdas não técnicas muito elevadas, a infraestrutura avançada de medição (AMI – início de todo programa de smart grid), se associada a algum nível de blindagem da medição e da própria rede e intensificação das inspeções, pode resultar em diminuição das PNT (o que tem o efeito de uma usina virtual ao ser uma medida de racionalização de consumo); mas o AMI sozinho não resolve! Quem afirmar isso desconhece a matéria e não sabe da realidade em áreas socialmente degradadas e praticamente sem a presença do Estado.

O AMI apenas traz informações precisas e em tempo hábil. O resto exige muito investimento, criatividade, suor e coragem!

Segundo: smart grid diminui as faltas de energia e busca caminhos alternativos automaticamente (chamam até de GPS da energia elétrica).

Existem, sim, projetos de autorrecomposição de partes do sistema de distribuição (self healing) muito usados em áreas densamente povoadas e de alto requisito de confiabilidade; mas o AMI sozinho, mais uma vez, não resolve nada. Tem de existir redes de distribuição alternativas em duplicidade. Tem de investir em chaves e dispositivos de proteção tele comandados. Tem de investir em softwares para tratar dados e transformá-los em informações (falta de energia, por exemplo).

Em um cenário em que bairros inteiros são precariamente atendidos (em algumas empresas há bairros simplesmente não atendidos!), fica difícil imaginar que o Poder Concedente vá considerar como prudente investimentos de redes em duplicidade!

Hoje, apenas os medidores “smart” são computados como ativos e há a promessa de que os módulos de comunicação também serão considerados como investimento (o reforço de TI, estrutura de comunicação e demais serviços auxiliares que o AMI demanda estão de fora!).

Quem se lembra do tempo que se levou para alterar o tempo de depreciação do medidor eletrônico em relação aos 25 anos do medidor eletromecânico não vai ser muito otimista com relação à aceitação de todos os investimentos necessários ao AMI ou às redes inteligentes.

Terceiro: os consumidores poderão economizar energia pois poderão ter informações precisas e “on time”.

Verdade, desde que haja incentivos para este gerenciamento que demanda tempo, dedicação e alteração de hábitos de uso dos equipamentos elétricos. Como ainda não temos qualquer incentivo para a produção de eletrodomésticos inteligentes (que podem ser acionados de forma programada pela comunicação “blue tooth” com o medidor, que sinaliza horários de menor tarifa, por exemplo), o consumidor tem de agir por si próprio para ligar e desligar aparelhos.

Ou seja, não é assim tão simples e sabemos que poucos estarão dispostos a fazer este esforço, a menos que a tarifa horo sazonal de baixa tensão seja obrigatória. Aí, sim! Havendo penalização (uso da energia em horário de pico) e premiação (uso da energia em horário do “vale” da curva de carga), podemos ter a certeza de que a curva de carga será mais plana e as empresas poderão postergar investimentos, o que de fato traz ganhos para a sociedade (menor necessidade de usinas que se traduz em menor pressão sobre recursos da natureza) ao efetivamente contribuir para a modicidade tarifária. Diminuir tarifas de fato, isso é um grande ganho!

Outros pontos merecem nossa atenção e vamos tratar disso brevemente.

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