Por que precisamos das redes inteligentes (smart grid)? Parte II

dez, 2015

Edição 118 – Novembro de 2015
Por Luiz Fernando Arruda

Continuando o tema iniciado na coluna anterior, vamos tratar de duas questões fundamentais:

  1. Smart grid como instrumento de eficientização das concessionárias de distribuição
  2. Smart grid como uma usina virtual

Não há qualquer dúvida sobre a necessidade de modernizar a maneira com a qual as concessionárias de distribuição lidam com o mercado.

Basta uma chuva mais forte e com rajada de vento para que o sistema caia; e o cliente, quando tenta contatar a central de atendimento, ouve aquela gravação indesejada: “devido ao acúmulo de chamadas só estamos atendendo problemas de falta de energia e acidentes na rede”. Você então disca o número indicado e ouve “todos os atendentes estão ocupados.

Ligue daqui a alguns momentos”.

Pronto: é este o tratamento dado. E você então acende as velas para iluminar a casa e ajudar na reza para que consigam reparar os danos na rede!

Minimamente, a concessionária tem que dispor de indicativos para lhe informar onde a energia foi interrompida, identificar chamadas e informar providências ou, ao menos, que já tem conhecimento do problema na sua área.

Não dá para pagar tarifas padrão NASA e ter serviços padrão FIFA! E a automação ou digitalização das redes pode sim alterar esta forma pré-histórica de trabalhar nas distribuidoras e melhorar a qualidade da energia fornecida.

Este exemplo da falta de energia é bem percebido por qualquer usuário, mas no dia a dia das concessionárias muito mais pode e precisa ser melhorado!

Quanto à questão da usina virtual há dois caminhos muito interessantes a seguir. O primeiro diz respeito à curva de carga que, conforme já tratamos, pode ser trabalhada de forma a eliminar o pico diário. A experiência que o setor de média tensão nos deu permite afirmar ser possível (embora um pouco mais trabalhoso) fazer uma replicação da tarifa binômia no segmento de baixa tensão.

Com o advento do medidor eletrônico, tarifar energia e capacidade de uso não custa mais nada (tendo o valor de energia a o controle do tempo) e, se acrescido a isto, tivermos projetos de AMI (infraestrutura avançada de medição) concentrados em áreas para atender a nichos de unidades consumidoras e também uma tarifa obrigatória, teremos como resultado a possibilidade de, consistentemente, postergar investimentos na geração e transmissão.

Como resultado secundário teremos a diminuição de perdas técnicas e melhoria da qualidade do fornecimento de energia!

O outro caminho a ser trilhado é mais árduo, pois trata-se de mitigar perdas não técnicas. Algumas poucas empresas têm estas perdas bem reduzidas, mas a maioria, com as metas impostas para a renovação de concessão que se avizinha, terá que trabalhar (e muito) para não “levarem bomba” já nos dois primeiros anos da renovação.

Se a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de fato, aplicar os critérios que estão postos quanto a este quesito, vamos ver muitas concessões cassadas brevemente a menos que se alie tecnologia e presença massiva de equipes para inspecionar e limpar os problemas presentes em milhões de unidades consumidoras que geram perdas não técnicas.

Portanto, viabilizar estes investimentos em novas tecnologias parece ser essencial. E só o poder público, com políticas adequadas, pode deflagrar estas mudanças.

Isto será nosso tema nos próximos encontros.

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