Planejamento, burocracia e perda de tempo

jul, 2010

Edição 54, julho de 2010

Por Luiz Fernando Arruda

Quem, como eu, começou a carreira de engenheiro em ambiente de obra e executando montagens tem, por natureza, uma certa relutância em aceitar algumas etapas que antecedem um projeto executivo. A gente se acostuma ao ritmo acelerado das montagens e a achar solução para erros de projeto e, enfim, a ter criatividade e rapidez de decisão para colocar tudo em plena operação da forma correta e no prazo requerido.

Com o passar do tempo, a experiência nos ensina que o tempo empregado em planejamento é o tempo mais nobre de qualquer atividade. Não é perda de tempo.

Mas também se observa que temos que evoluir muito neste quesito, pois muitas vezes vemos que esta importante etapa não é priorizada e nem aplicada na medida e nas formas corretas. Planejamento bem feito é meio caminho andado para o sucesso das etapas seguintes. Falta de planejamento ou planejamento mal feito é certeza de problemas à frente. A maioria dos desajustes resultantes de projetos mal planejados acaba por ser resolvida em campo, mas demanda muito esforço e causa prejuízos.

O que se observa na prática, no entanto, é que muitos recursos são empregados de forma atabalhoada, caótica mesmo. Conheço fábricas que não planejam suas instalações elétricas de forma adequada ao crescimento da produção, que pagam multas por falta de controle de fator de potência, que gastam mais que o necessário porque estão sub ou sobrecontratadas em demanda de energia e que usam proteções inadequadas para suas cargas.

Outras querem alterar o relé de proteção geral por este estar atuando. Quantas vezes ouvi comentários saudosistas sobre o comportamento dos relés “pica-pau” que nunca atuavam. Esquecem que a carga aumentou, que algumas partidas simultâneas de motores passaram a ocorrer e que o relé eletrônico, quando atua, está cumprindo sua obrigação, protegendo a rede pública e os demais consumidores que dela dependem.

O que deve ser combatido a qualquer custo é a perda de tempo decorrente de burocracia que se traduz em procedimentos inadequados, em falta de comprometimento, em criar tarefas desnecessárias, em implementar técnicas de postergação que dão suporte aos incompetentes. E, mais recentemente, aos “gurus” que propagam técnicas mostradas em livros, mas que não têm qualquer vínculo com os processos da empresa.

Assim, vemos técnicas ótimas, se aplicadas a procedimentos repetitivos, sendo replicadas como solução para processos criativos e não repetitivos. E a cada momento aparece uma “moda nova” e aquele velho raciocínio “se foi implantada em determinado lugar então tem que ser aqui também”.

Aí é comum, em conversas reservadas (quase ninguém assume posição crítica nas reuniões na empresa, pois não se pode posicionar contra estes “gurus”), ouvirmos os comentários e avaliações dos momentos de puro constrangimento nas sessões de “mão na cumbuca” e similares que se instalam por aí afora. E vemos a transformação de técnicas adequadas, sob certas condições, em procedimentos totalmente ineficientes por falta de ambiente, de adequação aos processos em estudo e de técnica de quem as aplica.

E, por fim, temos que assumir que o planejamento adequado não é garantia de bons resultados. Tem que haver experiência, competência e dedicação aplicadas na fase de execução. Caso contrário, o planejamento se resume a textos e planilhas sem qualquer consequência. Perda de tempo.

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