Painel de Mercado – SIPDA

dez, 2009

Por Lívia Cunha – 15 de Dezembro de 2009

 

Inovação e inventividade

Em tempo de aumento da frequência de raios, a proteção contra descargas atmosféricas são cada vez mais importantes. As principais novidades e tendências de pesquisa do setor foram discutidas no X SIPDA

 

Um número maior de descargas atmosféricas têm atingido o Brasil nos três últimos anos. Enquanto em 2005 o país teve a incidência de 3,7 milhões de raios, concentrados especialmente na região centro-sul do país, no ano passado, o número de descargas dobrou, alcançando os 7,5 milhões.

 

 

O registro foi feito pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com levantamento divulgado neste ano. O aumento se deve, segundo o Grupo, às alterações climáticas que o mundo tem sofrido, como o conhecido fenômeno La Niña, que provoca o resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

 

Mas como as alterações climáticas não atingem só uma ou outra região e sim todo o globo, o aumento na incidência de descargas atmosféricas não é registrado só no Brasil. O livro “Lightning in the tropics: from a source of fire to a monitoring system of climatic changes” (do inglês, Os raios nos trópicos: de uma fonte de fogo a um sistema de monitoramento de mudanças climáticas, ainda sem edição em português), lançado em novembro em Nova York, nos Estados Unidos, sugere que o planeta terá cada vez mais raios em um futuro próximo e a distribuição geográfica dessas descargas também deve ser alterada.

 

A tendência do crescimento da frequência desses raios se deve, principalmente, ao aumento da temperatura provocada pela maior concentração de gases do efeito estufa na atmosfera terrestre. O Brasil hoje é o campeão mundial de descargas atmosféricas que registrou, nos últimos dez anos, um aumento de 18% na frequência desses efeitos, e que deve crescer ainda mais nos próximos anos.

 

O aumento da incidência de raios, e por vezes de intensidade, tende a intensificar também as preocupações sobre os riscos que estes podem representar para as pessoas, animais e instalações. Por consequência, intensificam também as pesquisas de especialistas do setor sobre como elaborar formas de proteção mais eficiente contra esse tipo de eventos.

 

X SIPDA

Para discutir as inovações tecnológicas a respeito de proteção contra descargas atmosféricas, aterramento e técnicas de modelagem e medição, aconteceu entre os dias 9 e 13 de novembro, em Curitiba (PR), o X Simpósio Internacional de Proteção Contra Descargas Atmosféricas (SIPDA). O evento, de caráter técnico-científico, reuniu 144 pesquisadores e profissionais da área, entre brasileiros e estrangeiros.

X Simpósio Internacional de Proteção contra Descargas Atmosféricas (Sipda) teve o maior número absoluto de participantes do exterior de toda a história

 

A crise financeira internacional foi, para o doutor em engenharia elétrica e organizador do simpósio, Alexandre Piantini, a principal causa da redução no número de participantes em relação aos anos anteriores, que reuniu cerca de 200 visitantes. Ao mesmo tempo, entretanto, a edição deste ano teve o maior número absoluto de participantes do exterior de toda a história do Simpósio Internacional de Proteção Contra Descargas Atmosféricas. Foram 54 estrangeiros contra 90 brasileiros. O país que mais levou pesquisadores ao evento foi a Colômbia (com 11 pessoas), seguida do Japão (8) e da Suíça (6). Além desses, 14 outros países estiveram representados no evento deste ano.

 

O SIPDA reúne “as pessoas mais reconhecidas no mundo na área de descargas atmosféricas. São pessoas com muita experiência, que nos ajudam muito”, explica Piantini. Dividido em três grandes momentos – as palestras, com personalidades convidadas; as seções técnicas e a exibição técnica, com trabalhos submetidos por pesquisadores –, o SIPDA teve abordou como temas: características e modelamento de raios, proteção de estruturas, aterramento, detecção e localização de descargas, impactos de raios em estruturas altas, entre outros. Foram submetidos 144 trabalhos e 96 aprovados nas seções técnicas.

 

O SIPDA é um evento bianual que, segundo seu mentor e presidente de honra, professor Duílio Leite, desde a sua primeira edição, em 1988, tem contribuído para o desenvolvimento da tecnologia e do conhecimento científico na área de descargas atmosféricas. Para o engenheiro eletricista e especialista no assunto, Jobson Modena, o simpósio tem como principal diferencial apresentar “as tendências do setor e as pesquisas que têm sido realizadas nas várias áreas”.

 

A próxima edição do SIPDA acontecerá em agosto de 2011, em parceria com a 14ª Conferência Internacional de Eletricidade Atmosférica (ICAE, da sigla em inglês), no Rio de Janeiro. “A ideia é que, ao fazer a inscrição para um, o profissional possa participar também do outro. Até porque os dois encontros não são concorrentes, queremos que os participantes tirem maior proveito possível, mas só definiremos mais detalhes no início do ano que vem”, concluiu Piantini.

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