Painel de Mercado

fev, 2010

Por Lívia Cunha – 22 de Fevereiro de 2010

 

Brasil precisa de mais eficiência energética

Estudo do Banco Mundial sugere aumento de investimentos dos países que integram o BrIC em projetos de eficiência energética

Estudo, publicado em livro, defende maior eficiência energética em países emergentes

 

O Brasil, ao lado da Índia, China e Rússia, compõe o grupo das principais economias emergentes do mundo, que apresentam os maiores índices de crescimentos absolutos e potenciais para os próximos anos. Eles constituem o chamado BrIC (Brasil, Índia e China), termo criado pelo economista inglês Jim O’Neill após estudo sobre o desenvolvimento econômico desses países.

 

Para alavancar esse desenvolvimento, a geração de energia elétrica também tem que aumentar, de forma a oferecer às indústrias a fonte energética necessária para a geração de seus produtos. Isso porque o consumo de energia per capita, explica o engenheiro eletricista Gildo Magalhães, é um dos indicadores do nível de desenvolvimento de um país. “O Brasil tem um déficit acumulado de energia elétrica. E está muito abaixo dos seus vizinhos (Argentina, Uruguai e Chile, por exemplo), em especial, nas classes mais pobres, que tem um consumo muito baixo. Mas, em geral, o consumo elétrico do nosso País é muito baixo”.

 

Para que o País continue se desenvolvendo segundo os índices esperados de crescimento, é preciso que essa geração elétrica aumente, mas ela não pode crescer indiscriminadamente, é o que sugere o estudo Financing Energy Efficiency: Lessons from Brazil, China, India, and Beyond (do inglês “Financiando a Eficiência Energética: Lições do Brasil, China e Índia”) realizado pelo Banco Mundial. Para a pesquisa, que foi publicada em livro, o que precisa crescer, aliada ao aumento da geração elétrica, é a eficiência energética desses países.

 

Como esses países já têm registrados índices de crescimento econômicos maiores, nos últimos dez anos, tem ocorrido também um aumento no consumo de energia mundial, puxada pela China, Índia e Brasil. Ao mesmo tempo em que tem acontecido um aumento nos preços da energia e nas emissões de gases do efeito estufa. Para impedir um colapso e para contribuir para um desenvolvimento sustentável, o mundo terá que investir recursos e na elaboração de pesquisas que contribuam para aumentar a eficiência energética, sobretudo nas grandes nações em desenvolvimento.

 

O livro aponta que, se não houver ganhos significativos em eficiência, a China, a Índia e o Brasil mais do que duplicarão o seu consumo de energia e as emissões de gases que geram o efeito estufa até 2030. Apesar de os países já investirem nesse tipo de tecnologia, a exemplo dos projetos desenvolvidos no Brasil – a partir da lei 10.295, de 17 de outubro de 2001, que dispõe sobre a política nacional de conservação e uso racional de energia, e pelas ações do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), com o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) de eficiência energética, do Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE), e da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco) – esse investimento teria de ser otimizado e potencializado para acompanhar as projeções de crescimento desses países.

 

O estudo sugere ainda que aperfeiçoamentos em termos de custo poderiam reduzir o consumo de energia atual do Brasil, da Índia e da China em pelo menos 25%; que a utilização de tecnologias modernas com foco em eficiência poderiam diminuir em pelo menos 10% o crescimento dessa demanda em 2030 e provocar uma redução de 16% nas estimativas de elevação das emissões de gás carbônico.

 

Outro fator agravante é o aumento da população. Isso porque, atualmente, quando o mundo tem uma população estimada de 6 bilhões de pessoas, segundo o último censo, só esses três países abrigam 40% da população mundial. E, de acordo com o doutor em engenharia elétrica, especialista em inventários de emissões de gases do efeito estufa, a expectativa é de que no final de 2010 se conclua que já houve um aumento de 1,3 bilhão de pessoas, chegando a 7,3 bi. “Isso é um fator importante para o uso dos recursos porque tudo utiliza energia. Dessa forma, a matriz energética vai ter que ser mudada”, sendo necessários mais investimentos em energias eficientes e que degradem menos o meio ambiente.

 

O livro se concentra na China, Índia e Brasil porque eles são três dos dez maiores consumidores de energia do mundo. Além de abrigarem 40% da população mundial e responderem por mais da metade da demanda total de energia das nações em desenvolvimento, a estimativa é de que, em 2030, eles respondem por 42% do aumento da demanda de energia em todo o mundo. Por isso, o estudo do Banco Mundial diz que o investimento em eficiência energética em especial nesses três países é essencial por uma questão de segurança do abastecimento de eletricidade, competitividade econômica, melhoria da qualidade de vida e sustentabilidade ambiental.

 

A publicação, que tem 306 páginas, está divida em duas grandes partes: a primeira fala sobre as lições de eficiência energética da China, Índia e do Brasil, e a segunda fala sobre estudos de caso de financiamento de eficiência energética. Nas análises feitas nos países, o estudo do Banco Mundial afirma que, nos últimos dez anos, o principal obstáculo para se alcançar a eficiência esteve na inadequação dos sistemas organizacionais e institucionais e na falta de acesso aos recursos necessários.

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