Os desafios da eficiência energética

ago, 2012

Edição 77 / Junho de 2012
Por José Starosta

 

Na ressaca da conferência “Rio+20”, os povos do mundo avaliam, cada um a sua maneira e interesses, os resultados da conferência: modestos para uns, promissores para outros, fracos para aqueles que esperavam mudanças radicais.

 

Um dos fatos que chama a atenção é que não foi possível a criação do chamado “fundo verde” no valor de US$ 30 bilhões. Não iremos tratar dos prós e contras deste assunto, mas de outro tema que se refere à nossa realidade doméstica.

O plano decenal de expansão de energia (PDE 2020) elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) faz uma projeção de energia economizada (ou ganhos na eficiência) em 2011 da ordem de 2,7 TWh. Em 2015 a energia eficientizada acumulada prevista é da ordem de15 TWh, de acordo com o mesmo documento; trata-se de uma grande responsabilidade atribuída à sociedade (e ao próprio Governo), que é convocada para ajudar a compor a matriz energética brasileira com ações de eficiência energética. Por conta deste movimento e necessidade de avançar no tema, o próprio Ministério de Minas e Energia desenvolveu o Plano Nacional de Eficiência Energética (PNEf) e continua trabalhando nos projetos específicos. O PNEf resume em um único documento todas as ações que julga possíveis para que os objetivos sejam atendidos.

As vantagens dos projetos de eficiência energética são conhecidas por todos, mas sempre vale apena repetir:

  • “Usinas virtuais” juntos aos centros de consumo, com inúmeras vantagens;
  • Ganhos de produtividade, confiabilidade de operação, qualidade de energia, economia de água e outros insumos;
  • Redução de custos operacionais;
  • Forte vinculação com ganhos ambientais e ações de sustentabilidade.

O gráfico da Figura 1 extraído do PNEf, que se baseou no PDE 2019, apresenta as projeções de consumo de energia anuais em dois cenários, consumo base e participação da eficiência energética. A linha pontilhada apresenta a projeção anual considerando as ações de eficiência energética. 

Figura 1 – projeção de consumo anual de energia e participação da eficiência energética

Fonte: MME-PNEF quadro 1.

Projetos de eficiência energética dependem para sua viabilização de investimentos, aliás, como todo projeto de engenharia. Avaliações de projetos concluídos apontam para custos para a energia conservada de até 50% ao do custo marginal de expansão do setor.

O gráfico da figura 2 apresenta a evolução da diferença entre as duas curvas do gráfico da figura 1, e representa a energia economizada projetada. 

Figura 2 – Projeção da energia economizada. PDE 2019/PNEF – Fonte: MME-PNEF.

Tomando–se as informações do gráfico da Figura 2 e associando-se a um custo conservador de energia da ordem de R$ 200/MWh e projetos com payback simples de quatro anos, pode-se estimar os investimentos necessários, apresentados na Figura 3. Ou seja, precisamos agora de investimentos de US$ 1 bilhão para que as projeções se viabilizem.

Figura 3 – Projeção de investimentos necessários em projetos de eficiência energética.

Por outro lado, projeções mais arrojadas que às do MME, considerando os atuais indicadores de energia desperdiçada, apontam para outra realidade de potencial de eficiência energética. Os desperdícios anuais são estimados em 46.000 GWh. Assumindo-se a possibilidade de se economizar entre 20% e 40%, (valores crescentes no tempo) desta energia desperdiçada nos próximos anos, o potencial de mercado muda drasticamente e os números assumem outro grau de importância. Dessa maneira, na mesma base de custos de projetos considerada na análise anterior, estimam-se os novos investimentos necessários em outra escala. As Figuras 4 e 5 apresentam as projeções.

Figura 4 – Projeção de desperdício e potencial de mercado.

Figura 5 – Projeção de investimento para projetos de EE com base na Figura 4 e em projetos com payback de quatro anos.

Comparando-se as Figuras 3 e 5, é possível observar o que precisamos (Figura 3) ou o potencial para investimentos (Figura 5), entre US$ 1 bilhão e US$ 3 bilhões ainda neste ano.

A discussão está aberta. Vamos em frente e que tenhamos muita luz para achar o fundo deste túnel!

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