O setor elétrico e as tristes estatísticas

fev, 2014

Edição 96 – Janeiro de 2014
Por João José Barrico de Souza 

Na coluna anterior, falávamos dos 70 anos da CLT e agora ainda em clima de comemoração não poderíamos deixar de lembrar os nove anos da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), que cresce, aparece e se estabelece a cada dia como uma entidade exemplar, realmente sem fins lucrativos e que foi criada por um pequeno grupo de obstinados, liderados por um grande obstinado, meu amigo Edson Martinho.

Entre as inúmeras palestras, apresentações e eventos realizados, já os vi no início, com 15 ou 20 pessoas, mas já os vi com mais de 800 participantes. Foram prêmios para publicações em jornais, em rádio e televisão, em revistas especializadas e não especializadas, cursos para docentes de eletricidade, apresentações para trabalhadores e para seus dirigentes e um único foco: segurança com eletricidade! Quero consignar à Abracopel e a todos os “abracopelenses” os meus votos de sucesso.

Uma entre as várias ações da Abracopel foi criar um informativo estatístico de acidentes de origem elétrica que reúne os acidentes “conhecidos” e os cataloga segundo algumas variáveis (idade/gravidade/localidade) e divulga informações que nem mesmo o poder público pode oferecer.

Paralelamente outra entidade ligada ao setor elétrico, a Fundação Coge (Funcoge) também publica os acidentes ocorridos em instalações de concessionárias, organizados segundo o vínculo do acidentado (trabalhadores próprios e terceirizados; pessoas da população; faixa etária; concessionária, região geográfica, etc.), dados extremamente úteis para análise.

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) é outra entidade que disponibiliza dados informativos sobre ocorrências nessa área (distribuição) do sistema elétrico de potência.

O único problema é discutir todos os números disponibilizados, já que eles não batem!

O que é certo, no entanto, é que é a distribuição¹ de energia elétrica a grande contribuinte para as estatísticas de acidentes – mais que 12 vezes o número de acidentes nas indústrias (onde a NR 10 funciona) e mais que o dobro dos acidentes em ambientes residenciais.

As causas são conhecidas: ligações clandestinas, trabalhos em proximidade, fio partido, manutenção precária, sistemas que não desligam, poda de árvores, entre outras.

Tudo indica que ações decisivas e conjuntas das empresas do setor² e do poder público devem ser adotadas com urgência se quisermos efetivamente baixar as estatísticas.

Descaso com a instalação e o seu mau estado de conservação são fatores de peso para a ocorrência de acidentes. Embora, haja serviços de telefonia e de tevê a cabo, as instalações compartilham os postes e a estrutura da rede elétrica de distribuição dentro da zona de risco. 

(1) Distribuição de energia elétrica é o transporte de energia elétrica a partir dos pontos onde se considera terminada a transmissão (ou subtransmissão) até a medição da energia inclusive.

(2) NR 10, item 10.14.2 – As empresas devem promover ações de controle de riscos originados por outrem em suas instalações elétricas e oferecer, de imediato quando cabível, denúncia aos órgãos competentes.

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