O que os protocolos de M&V têm a nos ensinar?

ago, 2016

Julho de 2016

Os protocolos de medição e verificação (a chamada “M&V”) são peças fundamentais para desenvolvimento e avaliação adequados de projetos de ações de eficiência energética que se pretendam implantar, aliás, como qualquer projeto sério, com avaliação do status inicial e aquele que realmente se chega ao final. Não há como avaliar o resultado final alcançado de um projeto sem o claro conhecimento da situação inicial e premissas aplicáveis. Especificamente, o “Protocolo Internacional de Medição e Verificação de Performance” (PIMVP) da Efficiency Valuation Organization (EVO), voltado para projetos de eficiência energética, tem por objetivo apresentar uma estrutura com definição da terminologia utilizada em M&V e como abordar os tópicos importantes em um projeto de eficiência energética para elaboração de um correto plano de M&V, já que os planos devem ser específicos para cada projeto. Como parte integrante destas premissas, estabelece a linha de base dos padrões de consumo de energia da instalação (ou do equipamento ou sistema em que se pretende implantar um projeto de eficiência energética) para que seja comparada aos resultados obtidos ao final da implantação do projeto ou das ações de eficiência energética (conforme a terminologia do protocolo). O PMVIP tem aderências importantes com contratos de desempenho, adoção de padrões, aplicação da ISO 50001 e ainda documentação consistente de projetos, expectativas e resultados.

Trata-se de entender as variáveis envolvidas no consumo de energia de forma ampla, definindo as regras que nortearão os caminhos do projeto e fundamentalmente as conclusões para as novas medições e verificações ao final evidenciando as economias atingidas.

Nosso bom e velho mestre Agenor Garcia trouxe à luz, no treinamento ministrado, alguns conceitos importantes, a seguir resumidos:

– Linha de base: elaboração do perfil de consumo de energia antes das ações de eficiência energética, definindo o comportamento da energia em função das variáveis que a influenciam, a fim de que ao final da implantação se possa definir com boa precisão o impacto do projeto.

– Fronteira de medição: define os pontos que serão considerados no levantamento inicial e verificação posterior da economia, delimitados pela colocação dos medidores. Esta fronteira pode ser um circuito ou mesmo um interruptor alimentando algumas luminárias, ou um medidor da concessionária de uma indústria, dependendo do desenvolvimento do projeto.

– Opções de medição: se a opção de medição for isolada, como no caso do circuito de iluminação acima, a opção será tipo A (com medição dos parâmetros chave) ou B (com a medição de todos os parâmetros); se for escolhido o medidor da concessionária, será a opção tipo C. Há ainda a opção D que é aplicada em simulações de modelos normalmente em instalações novas, ainda em fase de projeto e planejamento.

– É importante discutir as incertezas envolvidas, que dependem do grau de precisão requerido, das práticas adotadas e de outras variáveis estatísticas.

 

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Figura 1 – Exemplo de modelo matemático que define a eficiência térmica de turbina.

Fonte: PIMVP-EVO

– Técnicas para construção de modelagens relativas, por exemplo, de processos industriais, com estimativa do cálculo do consumo de energia especifico.

Outros temas tratados no treinamento são a normalização da economia para bases semelhantes, variáveis independentes, fatores estáticos, busca de padrões, estabelecimento de modelos matemáticos, como o da Figura 1 e outros.

O PIMVP torna-se uma ferramenta atrativa para a execução de projetos de qualquer complexidade, incluindo aqueles que, de fato, trazem resultados práticos em projetos industriais e grandes complexos comerciais, servindo como documento de aferição e prova de conclusão adequada de projetos.

Especiais agradecimentos ao Prof. Dr. Agenor Pinto Garcia pela revisão do artigo.

 

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