O que falta no setor elétrico atualmente

dez, 2014

Edição 106 – Novembro de 2014
Por Luiz Fernando Arruda 

Olhando algumas informações sobre as usinas hidrelétricas e preço de energia podemos verificar alguns dados preocupantes. O Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) continua no seu valor máximo (isso mesmo, existe um limite) de R$ 822,83. Mais do que o valor em si mesmo, é bom observar que este período é o mais longo nos últimos tempos em que o PLD se mantém no topo: característica de problema crônico!

Como destaca o relatório da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE): “Neste cenário de elevação de temperaturas e afluências abaixo da média histórica, fica a expectativa de que os níveis dos reservatórios apresentem redução nas próximas semanas”. O tamanho e a gravidade do problema vão aumentar.

Será que é tempo de esperar e ver o que acontece? Como a economia não está indo tão bem como se falava em pronunciamentos oficiais de um mês atrás, a pressão não está muito grande ainda.

Mas me parece que realmente tem razão quem durante as crises inunda a imprensa com notícias sobre smart grid, dizendo que isso seria a solução para todos os problemas do setor elétrico e irritando autoridades no Planalto Central.

Nós sabemos que a implementação de novas tecnologias de integração e operação na distribuição e transmissão não é a solução para tudo, mas poderia, sim, amenizar significativamente alguns problemas que temos e outros que virão, a menos que caia um dilúvio em algumas áreas do Brasil e que os reservatórios do Sudeste cheguem no final de abril aos 35%.

Destaca-se que na última semana o nível de energia armazenada nos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) caiu de 20,88% para 19,95% e estamos em plena estação chuvosa (bem, novembro sempre foi considerado mês de chuvas fartas, mas quem sabe alguma nota técnica já mudou isso e, descuidado, não me dei conta).

Coisas simples podem ser feitas, mas demandam políticas públicas adequadas, competentes e que alterem a maneira com a qual se usa a energia elétrica nos segmentos de baixa tensão.

A famosa tarifa branca, se mandatória pela área de aplicação dos projetos (cada concessionária aprovaria projetos e as suas etapas junto à Aneel) regularia a demanda de energia no horário de ponta. Seriam obtidas postergação de investimentos para simples ampliações do sistema, menor pressão sobre recursos naturais e menor perda técnica no sistema em geral (a perda técnica no SIN está com comportamento crescente e só o Governo Federal pode determinar ações nesta área).

A diminuição das perdas não técnicas também pode ser usada como uma usina virtual, pois quem de fato paga pelo que consome adota procedimentos mais racionais. Como incentivar as ações neste sentido? Basta dar tempo para as concessionárias, garantindo a elas que as ações tomadas tenham o necessário tempo de maturação para garantir o tão saudável retorno sobre os investimentos (quem é contra lucros não gosta de ouvir falar disto).

A Aneel poderia seguir estes planos e tornar os projetos ações lucrativas e eficientes. Algo parecido com o que foi aprovado na revisão tarifária da Light, mas que deveria ser um tratamento estendido as demais empresas.

Este tempo de maturação é fundamental, até porque existe, ainda hoje, um risco tecnológico (pouco abordado pois ninguém gosta de falar do que deu errado) relativo à automação de processos comerciais que é mais elevado do que se “vende” por aí.

Ou seja, para termos o início efetivo do smart grid aqui nos trópicos precisamos de ações competentes e corajosas do poder público.

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