O paralelo (in)conveniente e o extintor de incêndio

out, 2015

Edição 116 – Setembro de 2015
Por José Starosta – Consultor Técnico

Quando algo não vai bem ou mesmo quando a crise chega às nossas empresas as equipes entram em polvorosa quase que em ato contínuo à constatação do problema. É certo que às vezes esta constatação pode não ser “tão online” como se gostaria, mas as ações corretivas merecem tratamento imediato tão logo surjam os problemas. Diagnosticadas as causas, a presidência da empresa, a diretoria, os departamentos e até mesmo os conselheiros partem para as discussões para sair da crise, os acionistas podem até serem avisados, mas esperam que os profissionais envolvidos cumpram os seus deveres de casa.

As ações podem depender das áreas de produção, de vendas, de recursos humanos, financeiras, de planejamento e em geral não trazem boas noticias para o corpo de funcionários. Neste instante, a “radio peão” começa a transmitir em ondas curtas quais os reflexos e os alvos das decisões tomadas por aqueles que mandam e quando saem estas primeiras decisões observam-se o corte de despesas, fusão de departamentos, redução de custos com fornecedores, realinhamento de atividades de forma que pelo menos o jogo termine empatado. O gerente do RH é um dos primeiros a ser chamado a exercer uma das suas habilidades, definir quem fica e quem não fica iniciando o processo de enxugamento. Outras possibilidades menos traumáticas seriam a captação de novos investimentos do mercado dependendo da projeção de novos negócios e oportunidades da empresa; aporte de capital por parte dos acionistas e outras que poderiam ainda ser exploradas, talvez mesmo vender, fechar o negócio ou restringir atividades.

Mas se descobrirem que o motivo da crise teria sido um roubo bilionário justamente na divisão mais rentável da empresa, associado com a anuência da diretoria e falta de fiscalização e “compliance” adequado? Qual seria a reação do corpo de acionistas? Será que estes aportariam mais dinheiro nesta aventura? E que tal se a presidência e os conselheiros não soubessem de nada? Pior, haveriam indícios que os conselheiros estariam se beneficiando da roubalheira.  Haveria saída? Talvez, mas algumas ações a serem recomendadas poderiam ser:

– Prender os ladrões (incluindo os conselheiros envolvidos) e restituir o dinheiro roubado para ao menos cobrir parte do rombo, certamente, o jurídico acharia a melhor forma com seus doutos integrantes;

– Cortar as despesas de RH, mesmo aqueles que haviam sido contratados para manter a boa relação entre a empresa, seus clientes e os sindicatos. Cortar as despesas operacionais como a redução do “vale coxinha”, incluindo viagens internacionais e mordomias, aluguel de limusines e outras;

– Deixar de lado projetos sem rentabilidade e que atenderiam apenas o lado institucional da empresa, aplicar o pouco dinheiro que sobrou para se investir em projetos que realmente resultarão em bons benefícios. Esclarecer por que tal roubo haveria ocorrido, quem estaria envolvido e como fazer para que não se repitam, será que a quadrilha haveria toda sido desbaratada? O que mais teria sido roubado? Quanto? Quem? Quando?

– Será que os acionistas topariam aportar mais dinheiro nesta situação? Duvido.

Que tenhamos pelo menos saúde para suportar os novos capítulos da novela. Quanto à presidência, a diretoria e os conselheiros, quem sabe?

E os extintores? Ora, façam o que queiram com os seus! Eu seria preso se fizesse o que me passa pela cabeça, ao bom estilo dos ótimos argentinos dos “relatos selvagens”. Aliás, uma ótima oportunidade para filmar aqui não os “relatos”, mas os “ratos selvagens”.

Eng. José Starosta
Consultor da revista O Setor Elétrico
consultor@osetoreletrico.com.br

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