O momento atual e a automação

nov, 2012

Edição 81 – Outubro de 2012

Por Luiz Fernando Arruda

Tudo indica que as alterações em curso no sistema elétrico devem motivar as empresas a aplicar a automação de processos de uma forma mais intensa visando à melhoria de qualidade de serviços e, principalmente, a redução de custos.

 

 

 

No setor de distribuição de energia a automação hoje aplicada é incipiente e as experiências em curso, considerando desde a automação de leitura até a aplicação de medidores inteligentes, pouco ou quase nada vão contribuir com dados relevantes além do que já se conhece de experiências no exterior.

No mês passado comentamos sobre termos novos vetores motivando a automação, mas hoje podemos identificar uma questão que assombra qualquer setor que apresenta as características de longo tempo de retorno: a insegurança institucional, já que a simples possibilidade de alterações contratuais costuma afastar a possibilidade de novos investimentos.

Na verdade a questão de “quebra de contrato“ é um fantasma que ronda alguns países vizinhos e traz grandes prejuízos para a credibilidade da nação. Nesse sentido, a simples introdução de novas regras, as mudanças abruptas de práticas esperadas e, principalmente, o arroubo verbal de alguns compelindo à aceitação de novas regras e/ou ameaçando retaliar quem não se alinhar à nova ordem já são suficientes para acender a luz vermelha que indica maior risco no setor.

Nenhuma empresa vai iniciar investimentos pesados de modernização e que levem a mudança do seu patamar tecnológico sem a segurança de retorno do investimento.

Assim, parece que o setor ganhou tempo para nova reflexão e para planejar as ações de uma maneira organizada. Quem vem investindo em tecnologias antiquadas vai poder parar e repensar o curso de suas ações.

Aquelas empresas que ainda não iniciaram ações têm mais chance de acertar e de poder ter um novo momento para planejamento, elegendo tecnologias já consagradas, ou seja, evitar aventuras com tecnologias pioneiras, mas abundantes em problemas e limites operacionais.

De qualquer forma, neste momento, apenas e tão somente aquelas ações voltadas à diminuição de perdas não técnicas ainda podem ser consideradas seguras. E esta segurança somente será real se a empresa que as implementarem souber que apenas tecnologia de automação não resolve qualquer problema desta natureza em campo, tendo de se conjugar inovação com times de inspeção bem treinados e motivados e que no futuro não venham a voltar suas ações para o aumento das perdas. Este retrocesso é muito comum quando se usa mão de obra terceirizada de forma massiva e que depois de atingidos os índices é “jogada fora”.

Ou seja, teremos mais alguns meses de indefinição no mercado e isso definitivamente não combina com inovação, eficiência e novos investimentos.

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