Novas alterações previstas na ABNT NBR 5419

ago, 2012

Edição 78 – Julho de 2012
Por Jobson Modena 

As maiores alterações previstas na revisão da ABNT NBR 5419 são aquelas relacionadas à análise de risco, dentre elas a definição da necessidade da instalação do SPDA e a forma de obtenção do nível de proteção a ser adotado em um projeto de para-raios.

 

No arcabouço do projeto de norma há várias particularidades que influenciarão as decisões dos projetistas quando estiverem tratando dos assuntos mencionados no parágrafo anterior, incluindo a forma de obtenção da densidade de raios (Ng) em uma determinada região.

Os textos das antigas versões (P-NB – 165:1970 e ABNT NBR 5419:1977) não faziam considerações sobre Ng e nem definiam critérios para a determinação da necessidade ou não de SPDA. A partir da revisão de 1993, o assunto passou a constar do texto da norma e, desde então, Ng pode ser obtido por meio de índices ceráunicos (Td) e da relação:

Ng = 0,04 Td1,25

 

No Anexo A da IEC 62305-2 ed.2 consta que Ng é um dado que pode ser disponibilizado por meio de várias redes de localização de raios pelo mundo. Estabelece ainda que, em regiões com clima temperado, se não houver um mapa disponibilizando os valores de Ngo, ele pode ser estimado a partir da relação:

Ng = 0,1 Td

Sendo assim, Td poderia ser obtido pela consulta aos mapas isoceráunicos das Figuras B.1.a) e B.1.b), anexo B da ABNT NBR 5419, porém, o mapa de curvas isoceráunicas da Figura B.1a) é o resultado de um trabalho antigo, de 1910 a 1951, feito com os poucos recursos da época, com pequeno número de locais de observação (escuta e registro) de trovoadas e com diferentes períodos de observação para diferentes regiões. Na prática é um mapa de difícil utilização, pois tem baixa resolução e as únicas referências para a localização de um ponto geográfico qualquer são os detalhes do contorno do país. O mapa exibe poucas curvas e grandes áreas em que a extrapolação de valores é o único recurso para se chegar a algum valor. O outro mapa de curvas isoceráunicas, apenas para a região sudeste (Figura B.1b), é mais detalhado, porém ainda com limitações. Este mapa foi elaborado pela Cemig com dados de aproximadamente 25 anos (1971 a 1995). Os dados foram obtidos de 580 pontos de observação em Minas Gerais e de 120 pontos de observações em regiões próximas. Quando se compara dados de uma mesma região nos dois mapas nota-se diferença entre os valores dos índices ceráunicos.

Visando maior precisão na obtenção de Ng e valendo-se de novas tecnologias existentes, a Comissão de Estudos que revisa a ABNT NBR 5419, com a colaboração do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do INPE adotará uma nova forma de consulta: o índice ceráunico deixará de ser utilizado, pois os valores fornecidos pelo ELAT representam a densidade de raios de forma direta, ou seja, uma etapa do cálculo na análise de risco se tornará desnecessária. Os mapas de Ng serão apresentados por região geográfica e publicados com qualidade gráfica adequada, além disso, foi considerada a alternativa complementar de acesso via internet a uma base de dados em que o interessado lançará as coordenadas geográficas do local para obter Ng.

Alguns estudos e simulações ainda estão sendo realizados, mas espera-se ter mais este avanço incorporado no texto revisado o mais breve possível.

A legenda indica valores máximos. No nível mais alto (vermelho) em que se lê (18) deve-se ler (>18).

Figura: Exemplo ilustrativo de mapa com as densidades de descargas atmosféricas para a terra, baseado em 12 anos (1998 – 2009) de dados colhidos a partir de sensor ótico embarcado em satélite. Fonte: KleberNaccarato, Osmar Pinto Jr, Carlos Campinhoem “Lightning density maps obtained by keraunic levels, lightning detection network data and satellite observations”, SIPDA 2011.

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