Nova investida brasileira

jul, 2010

Edição 53 – Junho de 2010

Por Lívia Cunha

Depois de algumas tentativas frustradas de desenvolvimento de uma indústria eletrônica nacional que produzisse componentes e semicondutores, o governo federal criou a Ceitec, a grande aposta de produção de tecnologia de ponta para o País

 

Criada pelo decreto nº 6.638, de 10 de novembro de 2008, a Ceitec S.A. é uma empresa de semicondutores estatal e 100% brasileira, que promete colocar o Brasil entre o grupo de principais países do mundo no desenvolvimento de microeletrônica. Subordinada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, ela tem como objetivo desenvolver a indústria eletrônica brasileira, com a implantação de um forte setor de semicondutores.

É verdade que o histórico brasileiro não é dos mais animadores, como relata o historiador Francisco Queiroz no livro A revolução microeletrônica – pioneirismos brasileiros e utopias tecnotrônicas, uma vez que, no País, “houve pouca ou quase nenhuma aplicação sistemática da ciência e da pesquisa à indústria, exceto em momentos esporádicos e descontínuos, como nos esforços de guerra” ou, ainda, na política da informática no fim da ditadura militar.

Esses esforços seriam os responsáveis pelo nascimento dessa indústria no Brasil, mas, por falta de experiência, questões políticas ou planejamentos inadequados, os projetos não foram para frente. Apesar de terem ocorrido tentativas governamentais de se criar uma indústria eletrônica que não deram certo, a direção da nova empresa estatal garante que agora será diferente. Por isso, dessa vez, começou-se diferente.

O alemão Eduard Weichselbaumer, engenheiro eletricista de formação e executivo com 25 anos de experiência internacional em indústria de semicondutores, foi escolhido pelo governo federal para presidir a empresa estatal. Nessa nova investida brasileira na indústria eletrônica, foram deixados de lado nacionalismos ou ufanismos, presentes nas tentativas anteriores. Foram convidados profissionais com experiência prática, independentemente da nacionalidade.

Weichselbaumer recebeu a reportagem da Revista O Setor Elétrico na Ceitec S.A., em Porto Alegre (RS) e, em entrevista exclusiva, explicou o funcionamento da empresa, seus objetivos e por que o desenvolvimento da indústria brasileira de microeletrônica dessa vez pode se concretizar. Os principais pontos conversados estão divididos por palavras-chave.

Mudança

A principal diferença dessa nova empreitada brasileira para as anteriores, na opinião do presidente da Ceitec S.A., é o caminho que está sendo trilhado. “O caminho está completamente diferente”, garante Weichselbaumer, em resposta aos questionamentos dos mais céticos sobre por que agora a indústria eletrônica brasileira deve vingar. E este trajeto, garante, é calcado na experiência.

O executivo usa uma personalidade da história da física moderna para justificar a adoção dessa nova postura. “Um alemão famoso, Einstein, falou que, se você fizer a mesma coisa esperando resultados diferentes, esta seria a definição de loucura. O mundo hoje é altamente competitivo e você tem de partir do começo já com uma estratégia, mas essa estratégia só poderá ser desenvolvida se você tiver conhecimento prático. Se eu for ler um livro sobre como se faz uma indústria de semicondutores, será outra coisa do que fazer isso durante 25 anos”, defende. Tentar do mesmo jeito de antes seria um erro e, para ele, é justamente a experiência e o planejamento que farão a diferença agora.

Por isso, na primeira contratação massiva da empresa, foram exigidas experiência em indústria de design de chips. “Contratamos 100 pessoas em 60 dias, batemos um recorde na área de tecnologia”, comemora Weichselbaumer. “Mas você tem de alinhar tudo isso, todas essas pessoas. Há pessoas chegando de vários lugares diferentes do mundo. Temos engenheiros brasileiros, formados no País, que têm pouca experiência na área porque ela não existe no Brasil, nem na América Latina”. Muitos desses brasileiros, conta o presidente da estatal, trabalharam em outros países e agora estão voltando.

Além disso, como não havia empresas de chip design para que os profissionais brasileiros pudessem adquirir experiência, o Ministério de Ciência e Tecnologia, conta o presidente da estatal, “montou cursos de treinamento em chip design há um ano com empresas muito boas e os frutos já estão trabalhando na Ceitec”.

Contra as críticas de que a empresa empregaria mais estrangeiros que brasileiros, Weichselbaumer rebate: “temos pessoal com experiência, mas eles estão em menor número ainda. Mas a maioria é de brasileiros, que não têm tanta experiência. Essas pessoas vão se desenvolver e os que têm mais experiência são como professores práticos. Em cinco anos, a gente vai ter um pessoal que já tem cinco anos de experiência em semicondutores, o que vai ser muito bom para o crescimento do Brasil”.

A empresa está alinhando esse conhecimento, mas como está aumentando a produção, até o fim de 2010, Eduard Weichselbaumer espera dobrar o número de funcionários, chegando a cerca de 230 empregados em toda a empresa.

Foco

Apesar da instituição legal no final de 2008, a empresa,  efetivamente, só foi inaugurada em março do ano seguinte, 2009, com a abertura do Design Center, um dos dois componentes da Ceitec S.A., na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. É nesse espaço que a tecnologia é criada.

Nele, são elaborados projetos, criadas patentes, desenvolvida propriedade intelectual e conhecimento em design de chips. O outro espaço da empresa é a fábrica, na qual efetivamente são criados os produtos, que foi inaugurada em fevereiro de 2010. Ao todo, foram investidos cerca de R$ 400 milhões nesta que é, até o momento, a única indústria de semicondutores da América Latina.

Um dos objetivos da empresa, conta Weichselbaumer, é sim “desenvolver propriedade intelectual e usar patentes para proteger a propriedade intelectual aonde a gente tem desenvolvimentos estratégicos. Mas o foco não é pesquisa, o foco não é patente, realmente o foco é ter produtos com sucesso no mercado”.

Por isso, a empresa tem estratégia de atuação centrada em mercados de nichos. Esses nichos identificados pela Ceitec são segmentos com oportunidade para crescimento, mas sem um participante dominando esse segmento. São três os principais campos de trabalho: RFID, comunicação sem fio e multimídia digital (ver mais no Box).

O primeiro nicho percebido foi o de rastreamento de rebanho. O chip de boi foi desenvolvido pela Ceitec com tecnologia própria. Lançado no ano passado, o produto é um chip aplicado a um brinco de gado usado para rastrear rebanhos bovinos, que utiliza a tecnologia RFID, de identificação por radiofrequência.

Atualmente, 15 mil peças estão em testes de campo em fazendas, principalmente, nos Estados de Minas Gerais e Mato Grosso. Esse produto garante a procedência da carne, evita a proliferação de doenças e permite que exportadores mais exigentes, como os países da União Europeia, importem os produtos sem grandes entraves.

Mas o diferencial desse produto para a empresa, aponta o presidente, é justamente o preço. “Os produtos competitivos do mercado internacional são em torno de R$ 7. Nosso produto foi exatamente feito com base na engenharia de custos para reduzir esse preço para R$ 2,50”, explica Eduard Weichselbaumer.

Mas isso não é conseguido em qualquer segmento de microeletrônica. Valores mais baixos, como o do Chip do boi, que é menos da metade dos importados, são alcançados justamente por ser um nicho específico. “Esse é um produto que a gente pode competir. Se você tentar competir com produtos na área d

e PCs, CPUs, memória, coisas assim, a competição é tão forte que a gente não pode competir. Pelo menos ainda não”, pontua o executivo alemão.

Pesquisa aplicada

Além de desenvolver pesquisas, a Ceitec S.A. quer criar produtos que alcancem sucesso no mercado. Por isso, afirma o presidente da estatal, que o que é feito na empresa é a pesquisa aplicada, prática, com objetivo de que o produto seja desenvolvido rapidamente. “Na Ceitec, a gente tem um foco, tudo que a gente está fazendo tem uma saída imediata para um produto porque estamos em uma empresa de fins lucrativos”, argumenta.

Weichselbaumer diz isso apoiado no fato de o Brasil ter o desenvolvimento de muitas pesquisas, mas que, em geral, não têm foco em produto, não têm o objetivo de produzir patentes ou algo do gênero. E isso inviabiliza o trabalho de qualquer indústria. Por isso, há muitas pesquisas e poucas patentes no País. Segundo a Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec), relativo a dados de 2008, os cientista brasileiros escreveram 2% dos artigos publicados no mundo, o que fez o País ser o 13º no ranking mundial de produção científica. Mas, se for analisado, o ranking de países solicitadores de patentes, o Brasil cai para a 24ª posição.

Para o presidente da Ceitec, isso é decorrência de uma característica cultural. “Você tem de chegar com a tecnologia certa, com o produto certo, com as características certas, no tempo certo, com o custo certo no mercado. Os engenheiros, os pesquisadores, normalmente, querem uma coisa perfeita. O mundo não é perfeito. Os produtos não precisam ser perfeitos, os produtos precisam ser suficientes. Mas se você deixar um pesquisador fazendo isso, ele vai pesquisar até ele ter um produto perfeito e vai chegar ao mercado três anos depois da concorrência. O consumidor não quer”, opina Eduard.

PIB

Com o desenvolvimento da indústria eletrônica no Brasil, puxado pela Ceitec, a estatal espera que a representação dela no Produto Interno Bruto (PIB) também cresça. Isso porque, hoje, esta indústria corresponde a 1,9% do PIB do País, enquanto nos países que têm esse segmento forte, como os Estados Unidos e alguns países da Europa, a indústria eletrônica representa 12% do PIB. “A base deles é muito mais alta do que aqui”, comenta Eduard.

Isso se deve, também, ao fato de lá se produzir tecnologia própria, o que está sendo iniciado aqui no País. “No Brasil, a maior parte da indústria eletrônica é de montadores de molduras, não é uma indústria de desenvolvimento de produtos eletrônicos com o coração de semicondutores”, explica o presidente da Ceitec. Esses produtos que são montados no Brasil, como não são elaborados e desenvolvidos no País, têm um valor agregado menor.

Por isso, conta Eduard Weichselbaumer, como não há indústria eletrônica de base desenvolvida no Brasil, eles precisam entregar o produto final já acabado, ao invés de venderem só os chips. “Minha preferência seria ter alguém para comprar os chips, mas como eu não tenho mercado, faço o mercado para cada produto. Então, para cada produto, a gente está olhando se não existe um mercado para chip, se não, a gente vai subir a escada produtiva até entregar o produto final pronto”, explica.

Fábrica e Design Center

Tanto a fábrica quanto o centro de desenvolvimento de chips (Design Center) da Ceitec S.A. estão localizados no mesmo complexo industrial em Porto Alegre. No Design Center, fica o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da empresa, responsável pelo patenteamento dos produtos e por gerar propriedade intelectual para o Brasil, de chips com design de classe mundial. Os produtos fabricados pela Ceitec S.A. são desenvolvidos nas áreas: digital, analógica e mixed-signal em CMOS 0,6 um a 65 nm.

Essas peças são produzidas na fábrica própria ou, ainda, em fábricas parceiras. A fábrica da Ceitec S.A. foi inaugurada em fevereiro deste ano, mas, antes disso, a empresa já produziu produtos para várias aplicações em fábricas de empresas parceiras. “Isso se chama Fab-Lite. É um conceito de estar usando empresas mundialmente, como a Texas Instruments (parceira da Ceitec S.A. na fabricação de algumas peças). Afinal, nem todo mundo tem tudo, todas as tecnologias e fábricas. Logo, você acaba terceirizando coisas e a gente está fazendo isso também”, explica Eduard Weichselbaumer.

Os primeiros produtos lançados pela estatal, como o chip de boi, foram elaborados em fábricas terceiras. Hoje, ainda, algumas peças são produzidas em outros ambientes que não o complexo da estatal. Isso ocorre quando a Ceitec S.A. desenvolve um produto, no Design Center, mas não tem tecnologia e equipamentos próprios para fabricá-los internamente.

A fábrica própria da Ceitec S.A. é equipada com ferramentas de processo para manufatura de circuitos integrados de rádio frequência, analógico/digital, mixed signal, com capacidade de integração de memória não volátil (NVM) a bordo, em grandes volumes e escalas comerciais. A linha de equipamentos de fabricação de circuitos integrados atualmente está em fase final de certificação. Esta fábrica conta com um ambiente extremamento limpo e sensível, chamado de “sala limpa”.

É nesta sala limpa, de cerca de 200 m², que os produtos são fabricados. Ela é uma sala limpa classe 100, que é considerada aproximadamente 10 mil vezes mais limpa que uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), um dos espaços mais limpos de um hospital. Essa exigência é porque os chips precisam ser gravados nos wafers de silício, que são finas fatias de material semicondutor, no qual os microcircuitos são construídos, pois, se uma impureza entrar em contato com o chip durante o processo de fabricação, ela inviabiliza a peça, que precisará ser descartada. A garantia dessa limpeza dos processos é alcançada pelos sistemas internos de purificação da água e do ar pela própria Ceitec S.A.

“Um dos grandes problemas na área de semicondutores é fazer um ambiente que seja ultra limpo, todos os materiais, com ar ultra puro. Se você olhar para uma fábrica como a nossa, a gente tem uma sala limpa relativamente pequena, sendo que o resto da operação é de auxiliares. Temos uma fábrica de água ultra pura e não existe nada assim na América Latina para os processos. Essa sala limpa tem o ar ultra puro e a água ultra pura. E, quando você entra, não pode usar roupa normal, maquiagem, nada. O cabelo tem de estar preso, tem de usar um uniforme, chapéu”, explica o presidente da estatal.

Tecnologia e produtos

RFID

O chamado chip do boi, primeiro produto 100% desenvolvido pela Ceitec, que utiliza tecnologia RFID, contém o chip CTC 11001 e faz a leitura de número de identificação por radiofrequência. Esse produto é alimentado de forma passiva e, assim, utiliza a energia do sinal enviado pelo próprio leitor por meio da técnica de acoplamento indutivo, que é usada para acionar circuitos lógicos digitais e reenviar a frequência por um datagrama.

Além desse, a empresa tem trabalhado no desenvolvimento de chips para identificação de documentos e passaporte, também com a tecnologia RFID. Nestes, o chip pode armazenar na memória informações como nome, data de nascimento, nacionalidade, data de validade do documento, endereço, telefone, entre outras. Já estão sendo desenvolvidos pela Ceitec produtos como esses, na frequência de 13 MHz, destinados à identificação pessoal.

Outro exemplo de produto com tecnologia RFID são os chips da Família 915. Os chips funcionam com blocos analógicos de uma tag passiva, na frequência de 915 MHz com capacidade para modulações em amplitude e em fase, além de possuírem interfaces para conexões com blocos digitais e com a memória. Podem ser usados em carros, com dados do veículo, como cha

ssi e número do Renavam; em bagagens, permitindo a automação de aeroportos e garantindo a segurança no transporte; em remédios, para identificação; e em pedágios e estacionamentos.

Comunicação sem fio

Outro dos três nichos de trabalho da Ceitec é o de wireless communication, do inglês, comunicação sem fio, que tem ganhado popularidade pela mobilidade oferecida, principalmente, para as empresas de telecomunicações.

Multimídia digital

Para o terceiro nicho de trabalho, o de multimídia digital, a Ceitec produz moduladores e demoduladores de televisão digital, como o Chip TV Digital, para modulação do sinal de televisão digital do modelo brasileiro. O circuito integrado atua na transmissão dos dados digitais. Já o chip para demodulação, utilizado nas set-up boxes, que são aparelhos para serem conectados a televisores analógicos, faz o caminho inverso. Quando estes são conectados às set-up boxes, eles permitem que o sinal digital recebido seja transformado em analógico.

10 anos de história

Conheça a cronologia dos principais eventos da história da Ceitec S.A., a nova indústria eletrônica estatal brasileira

2000

Criado projeto para formação de um Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec). Assinado um protocolo de intenções com a Motorola para a doação de equipamentos de uma fábrica que seria fechada em Austin, nos Estados Unidos. Inicialmente, a parceria era entre o governo federal, estadual e municipal, instituições de ensino e pesquisa, e entidades empresariais, com foco na formação de mão-de-obra em chips design.

2001

O projeto foi transformado em uma empresa autônoma.

2002

Na assinatura do contrato com a Motorola, estimava-se que a produção do Ceitec começasse em 2002. Realizada a assembleia de fundação e a primeira reunião do conselho de administração.

2004

Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) fez licitação para elaboração do projeto executivo do prédio de pesquisa e manufatura. Iniciada operação do centro de projeto, localizado no Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e no Parque Tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), o Tecnopuc. Foram começadas obras de construção dos prédios e a elaboração do plano de negócios do Ceitec.

2006

Iniciados trabalhos para elaboração de protótipos de chips, com aprovação do projeto pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O projeto contemplava o pagamento dos custos de prototipagem e concepção do produto.

2007

Entregue o primeiro chip comercial da empresa. Em 20 de novembro de 2007, o governo federal anunciou que o centro seria transformado em empresa pública estatal.

10 de novembro de 2008

Criada a Ceitec S.A. pelo decreto nº 6638, assinado pelo Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. A empresa utiliza o S.A. (de sociedade anônima) para se diferenciar do projeto do centro, do início da década.

19 de fevereiro de 2009

Eduard Rudolf Weichselbaumer é nomeado presidente da Ceitec S.A. e Fabio Pintchovski, o diretor de pesquisa e manufatura da empresa.

27 de março de 2009

Inaugurado o Design Center da Ceitec S.A. e o presidente da empresa toma posse do cargo.

15 de abril de 2009

Os Conselhos de Administração e Fiscal da Ceitec S.A. são compostos em assembleia realizada em Porto Alegre.

30 de abril de 2009

A Ceitec S.A. entrega o primeiro grande lote de chips desenvolvidos no Brasil. As 15 mil peças foram entregues à Altus Sistemas de Informática.

21 de junho de 2009

Ceitec S.A. apresenta nova família de chips usando a frequência de 915 MHz durante evento realizado em São Paulo. Entre as diversas aplicações da nova família de chips estão a rastreabilidade de veículos, cargas, bagagens, medicamentos, a automação de aeroportos, etc.

 

Fonte: Ceitec S.A., Boletim Inovação Unicamp e Rodrigo Müzell (Zero Hora).

 

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