Notícias da Europa

abr, 2014

Edição 98 – Março 2014
Por Jobson Modena

Em 13 e 14 de março aconteceu o International Lightning Protection Symposium (ILPS), em Chamonix-Mont-Blanc, na França. Organizado pela International Lightning Protection Association (ILPA), o evento teve o propósito de informar o atual estágio de metodologias não convencionais, pelo menos no Brasil, que estão sendo praticadas na proteção contra descargas atmosféricas.

Mesmo tendo sérias restrições quanto à utilização no nosso país, em função do texto da ABNT NBR 5419:2005 – Proteção de Estruturas contra Descargas Atmosféricas, os captores com emissão antecipada de líder (Earlier Streamer Emission – ESE) encontraram seu espaço e hoje são desenvolvidos e utilizados em países membros da IEC, tais como Portugal, Espanha, França, Japão, China, Austrália e outros.

Com o propósito de nos familiarizarmos com as tecnologias em desenvolvimento, bem como com os novos documentos que estão sendo confeccionados e podermos, eventualmente, compará-los à já consagrada técnica utilizada, atendemos ao convite da organização do simpósio e fomos à França para participarmos do evento.

Dos inúmeros trabalhos apresentados tivemos contato com estudos de casos, simulações, ensaios laboratoriais e com a apresentação da perspectiva do lançamento de uma norma europeia específica para esse tipo de captores. É prática na Europa seguir a IEC 62305:2010-1 a 4 – Lightning Protection apenas no quesito instalação, já que a série IEC 62561 – Lightning Protection System Components é utilizada para componentes. Essa condição favorece a criação de documentos independentes para cada produto, o que, segundo seus autores, possibilita sua tentativa de inserção em um dos cadernos da IEC, obviamente, após passar por todos os trâmites inerentes ao processo (tanto técnicos, quanto burocráticos).

Tentando desfazer o mal entendido

Segundo alguns trabalhos apresentados e a opinião de congressistas locais, o equipamento para captação de raios com emissão antecipada de líder ascendente adquiriu má fama ao longo do tempo, pois teve seu funcionamento erroneamente vinculado ao do captor radioativo, cuja eficiência na atração de raios, comprovadamente, não é maior do que um pedaço de metal comum disposto na vertical, com a desvantagem de possuir componentes radioativos. No Brasil, a utilização de elementos radioativos com função de atrair raios é proibida pela resolução da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), de 19/04/89, publicada no Diário Oficial da União em 09/05/89.

Perspectivas

Sempre foi dado espaço para que novas tecnologias fossem apresentadas à CE-64.10 (comissão que revisa o texto da ABNT NBR 5419:2005) enquanto o texto da norma esteve em revisão, desde que elas estivessem tecnicamente fundamentadas, permitindo discussões saudáveis e soma de conhecimento. No entanto, adiantamos que, até o momento em que este texto foi escrito, nenhuma delas foi inserida no texto revisado da ABNT NBR 5419 que será colocado em consulta nacional até o mês de maio.

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