Não permita que sua instalação “Ex” se transforme em uma instalação ex-“Ex”

abr, 2011

Edição 62 – Março de 2011
Por Dácio de Miranda Jordão

Facilmente uma instalação Ex pode perder suas características de adequação à atmosfera explosiva e comprometer o nível de segurança. Para uma instalação desse tipo, cada fase de execução deve atender a requisitos específicos, expressos em normas, para finalmente ser considerada com elevado nível de segurança.

 

Deve começar com uma classificação de áreas benfeita, com consistência, baseada em conceitos sólidos, bem como na experiência e vivência de quem elabora esse trabalho, de modo que o volume atribuído às áreas classificadas seja o menor possível, sem prejudicar o nível de segurança que é esperado existir na unidade.

 

Depois disso, a seleção dos equipamentos elétricos e eletrônicos que vão operar nesses ambientes deve ser cuidadosamente estudada, buscando-se preferencialmente as tecnologias mais evoluídas para tornar a instalação mais leve, de mais fácil montagem e consequente manutenção e operação.

Na sequência, a montagem deve ser feita exclusivamente por pessoal qualificado, que tenha conhecimento sobre as exigências que impactam esse tipo de trabalho. Lembre-se de que isso é uma das questões obrigatórias pela NR 10, item 10.8.8.4, em que é mencionado: “Os trabalhos em áreas classificadas devem ser precedidos de treinamento específico de acordo com o risco envolvido.”

 

Relato aqui um fato pitoresco: certa vez, caminhando por uma unidade de processo em que estava acontecendo uma ampliação, percebi um técnico instalando uma unidade seladora. Com o fim de testar se o profissional possuía treinamento sobre esse assunto, aproximei-me e perguntei, apontando para a unidade seladora:

– O que é isso?

Ao que prontamente, ele me respondeu:

– Ah! Isso é um “Y”.

Perguntei novamente, demonstrando surpresa:

– Como assim?

Foi quando recebi a surpreendente resposta:

– Sim – explicando-me cuidadosamente –, você pode passar com o cabo diretamente ou sair por aqui (apontando para a entrada de massa seladora).

Veja a seguir a foto que ilustra perfeitamente o que o técnico queria dizer:

As fases seguintes seriam manutenção e operação, que nesse caso exigem cuidados não menos rigorosos. Nesse aspecto, percebe-se então um universo infindável de não conformidades, que evidentemente põem em risco a instalação como um todo. A manutenção feita por pessoal não qualificado tem introduzido um sem-número de pontos que podem ser considerados como se fossem “pequenas bombas-relógio”, que ficam lá na unidade adormecidas até que um dia elas se manifestam, geralmente causando verdadeiras tragédias. Algumas dessas situações comprometedoras e constrangedoras podem ser visualizadas nas fotos a seguir:

 

Justamente por essa razão é que a NR 10 exige que seja feito um laudo de adequação da instalação aos requisitos da norma. Esse laudo deve ser elaborado com base na ABNT NBR IEC 60079-17 – Inspeção de Instalação Elétrica em Áreas Classificadas. Segundo essa norma, a inspeção deve ser periódica e preferencialmente nunca passar mais do que três anos sem ser realizada, a menos que haja um parecer de um especialista.

Ainda sobre inspeção, estabelece essa norma que os equipamentos móveis (portáteis, manuais ou transportáveis) sejam submetidos a uma inspeção “apurada” pelo menos a cada doze meses e que sejam inspecionados no modo “visual” pelo seu operador antes do uso.

Pergunta-se: esse item da norma de inspeção é cumprido de forma rotineira pelas indústrias de processo?

Resposta: Responda você mesmo… talvez a sua resposta coincida com a nossa.

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