Motivações para o smart grid – unidades consumidoras de MT

ago, 2012

Edição 77 / Junho de 2012
Por Luiz Fernando Arruda

Como comentamos no mês anterior, os projetos de automação de processos comerciais no Brasil estão carentes de motivadores concretos e que realmente remunerem o investimento, melhorem o perfil de custos das concessionárias e resultem em melhor atendimento aos clientes.

 

Esta classe de clientes, normalmente, responde por parcela significativa do faturamento das empresas de distribuição (30% ou mais) e, ao mesmo tempo, representa uma pequena porcentagem do total de unidades consumidoras (de 0,5% a 3%).

Assim, ações neste segmento costumam ser muito rentáveis e somente as empresas de perfil extremamente conservador (ou, em outras palavras, aquelas que detestam ou têm medo de investir em tecnologia) ou as que não investem por falta de visão estratégica não se atentaram para as possibilidades existentes.

Para a medição e automação deste segmento temos, inclusive, à disposição cubículos de medição; são equipamentos que já incorporam os transformadores de corrente e potencial, medidor, chave de aferição e dispositivos para acesso remoto (normalmente uma Gateway e um celular) e podem ser instalados ao tempo junto à rede, fazendo com que o ramal de ligação já direcione para a instalação consumidora uma energia medida.

Sua instalação, considerada a diferença de custo para a medição convencional (abrigada na SE consumidora), se justifica tão somente para minimizar o furto de energia tão comum em certas áreas de concessão nas unidades consumidoras eletrointensivas.

Considerando apenas aquelas unidades consumidoras “normais”, a necessidade de investimento para automação envolve um valor muito baixo por unidade consumidora (da ordem de R$ 1.000,00 em licitações públicas realizadas recentemente), cujo retorno será obtido pela simples economia de deslocamentos mensais de uma dupla de eletricistas para leitura, inspeção e ajustes de “clock” de horário de verão e outros motivos. Obviamente que naquelas concessionárias que se arriscam a terceirizar serviços neste segmento, o devido retorno virá num tempo maior.

Mas o maior ganho, na verdade, está nas funções que poderão ser implementadas contando com um competente software de gerenciamento da medição.

Eventuais irregularidades na medição (provocadas por manipulação indevida ou por defeito nos dispositivos de medição) poderão ser detectadas por meio de funções de comparação de parâmetros e alarmadas para tomada de decisão. Com isso, pode-se considerar que parte importante do faturamento estará “blindada” para estes eventos.

Além disso, a própria área operacional pode contar com informações “online” de avisos de falta de tensão em circuitos de média tensão, o que pode abreviar o tempo de atendimento e resolução de falhas. Isto leva a maior venda de energia, melhoria da qualidade percebida pelos clientes e menor exposição da concessionária a multas relacionadas com a qualidade da energia fornecida.

Assim, além da integração do sistema de gestão da medição com o sistema de faturamento da empresa, há a necessidade de integrar este sistema com o COD de forma a disponibilizar informações para a área operacional.

Na verdade, não há limites para a utilização das informações disponibilizadas. O próprio planejamento de sistema pode se beneficiar desta massa de dados agora disponível na empresa.

Fica claro, no entanto, que a parte de TI passa a ser um componente que vai merecer todo o cuidado para garantir o sucesso de qualquer projeto de automação (para qualquer segmento e não somente deste de média tensão).

Se olharmos apenas o que é apresentado nos seminários especializados, parece que não há muito com o que se preocupar. Mas, ao viver ou observar fatos do dia a dia de algumas empresas ou conversar com colegas, nos deparamos com alguns absurdos acontecendo e jogando por terra o resultado esperado de grandes investimentos realizados.

Basta observar sistemas que foram implementados e dos quais só restou sucata!

Comentários

Deixe uma mensagem