Motivação – funcionário gato e funcionário cachorro

dez, 2010

Ed.58 – Novembro de 2010

Por Carla Valéria

Estava buscando inspiração para o tema desta coluna, enquanto minha cachorra puxava minha gata pelo cangote. Falei para o meu marido: “Acho que vou escrever sobre gato e cachorro, pois estou sem ideias”.

Imediatamente ele me lembrou das palestras de Daniel Godri, que falam sobre motivação, justamente comparando a atitude do gato e do cachorro. Ótimo tema, então, já que posso comparar e comprovar na prática o que foi demonstrado em teoria pelo autor da palestra.

Ele alega que o gato é muito mais inteligente que o cachorro. Só que é preguiçoso. Ele leva um tempão para acordar, se espreguiça, é lento. Sabe de tudo o que está se passando, mas não participa. Tenho que admitir que é a mais pura verdade. Ele é um ser independente, só que até demais. Se o dono sai o dia todo, quando chega tem que procurar pelo gato. Ele não vibra com a chegada do dono, tem uma atitude introspectiva. Ele não defende a casa em que mora, é esperto, mas foge quando percebe o perigo. Não enfrenta. Não concordo que o gato só pensa nele, acredito que demonstra amor de uma forma mais sutil e é mal interpretado. É como uma timidez, então cria um clima para conseguir comida e carinho, sem pedir, ele acaba conseguindo o que quer.

Já o cachorro é o primeiro a te receber e ama o dono incondicionalmente, vibra quando ele chega, defende, dá a própria vida. Ele nunca cansa, sua motivação é extraordinária. Mesmo amarrado, ele não perde o pique. O cachorro recebe bem não importa como a pessoa esteja. Bem ou mal vestida, independentemente do humor. E ele conhece seu dono de longe. O gato guarda rancor, o cachorro não. E tem uma capacidade fantástica de perdoar. Por mais que o dono expulse e brigue com o cachorro ele sempre encontra um jeito de conquistar o dono novamente. Além disso, se for bem treinado, o cão aprende rapidamente e se orgulha quando faz a coisa certa.

A minha cachorra aprendeu vários truques e entende várias palavras e comandos de uma forma impressionante. Eu sei que as minhas gatas também entendem tudo o que eu falo, mas quem disse que elas obedecem? Eu digo, “Vai para a caminha!”, e elas dão um miado de reclamação! Na terceira vez elas vão, mas bem revoltadas. Eu chamo pelo nome, elas me olham como quem diz: “Vai esperando que eu vou sair daqui só porque você quer!” A cachorra vem correndo, nem bem acabamos de chamar o seu nome.

O Brasil está cheio de funcionário gato. Pessoas inteligentes, mas que não vibram, não participam, não têm iniciativa. Precisamos de pessoas com a vitalidade e o otimismo do cachorro. Funcionários que acreditem e defendam a empresa até o fim, que realmente se importem, que perdoem algumas atitudes ou palavras impensadas e sempre busquem reconquistar e encantar cada cliente. O gato é um animal maravilhoso, mas o seu comportamento não é o ideal para um funcionário eficiente. Uma empresa não pode admitir pessoas que chegam atrasadas, cada dia em um horário, lentas e sonolentas, preocupadas somente com elas mesmas.

O funcionário cachorro é aquele que defende a sua empresa a qualquer custo, mesmo que alguém fale mal dela. Ele vai procurar resolver o problema do seu cliente, vai lutar para reverter qualquer situação negativa e zelar pela imagem da empresa. E ele conhece bem cada um de seus clientes.

Quando alguém fala mal da empresa, o funcionário gato começa a se coçar, balança a cabeça para a frente, concorda, e até diz que ouviu falar de outros casos. Quem quer um funcionário assim? Nenhuma empresa é perfeita e nenhuma está livre de cometer erros, mas se os seus funcionários tiverem uma atitude positiva e comprometimento, tal qual o cachorro, a solução dos problemas surpreenderá e fidelizará o cliente para sempre.

Se o funcionário tiver a inteligência do gato e a motivação do cachorro, ninguém segura.

 

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