Mini e microgeração – o futuro da democratização da geração de energia

mar, 2013

Edição 85 – Fevereiro 2013

Por Luiz Arruda 

Coluna Instalações MT

 

Com a nova ordem das tarifas – diminuição de 30% no custo da energia em média tensão e 20% em baixa tensão – vale dizer que a decisão de investidores para tornar este projeto realidade vai ser adiada ou, pelo menos, os novos casos vão ser em menor quantidade do que se previa.

A questão é simples, pois se trata da simples verificação quanto ao tempo necessário para amortizar o investimento dos consumidores (“prosumidores”) em qualquer fonte alternativa incentivada.

Obviamente que, nas áreas de concessão, onde o importe total (energia e impostos) ainda supera a barreira dos R$ 400,00 por MWh, muitas fontes alternativas ainda se mostram competitivas consideradas as condições gerais estabelecidas pela Resolução Normativa 482/2012.

Como já dissemos, esta resolução flexibilizou o sistema de compensação de energia no tempo de forma a eliminar a necessidade de sistemas de acumulação de energia, que são caros e totalmente não amigáveis quanto à manutenção e também com relação ao meio ambiente.

De forma geral, as concessionárias já possuíam alguma normatização para acessantes do seu sistema, mas desconheço quaisquer regras para valores cuja conexão possa ser em baixa tensão (que devem ser, de forma geral, muito comuns, quando se trata de geração por painéis fotovoltaicos, por exemplo).

Também com relação à medição fica um hiato, pois não está claro se nestas conexões em baixa tensão será necessária a sofisticação de medição aplicáveis a acessantes de potências superiores aos sistemas de média e de alta tensão. Se esta medição for – injustificadamente – sofisticada vai encarecer sobremaneira qualquer investimento.

Deve ser notado também que há unidades consumidoras de alguns MW de demanda contratada que têm a medição de faturamento feita por apenas um medidor, não raramente, bem antigo (quem trabalha na área pode ver isto pela verificação de faturas de energia).

O que sabemos é que qualquer que seja a medição, esta deve ser automatizada de forma que a aquisição das informações seja feita de forma remota e em quatro quadrantes, permitindo o pleno conhecimento da troca de energia entre unidade prosumidora e sistema da concessionária. 

Assim, seria muito interessante se as empresas estudassem o assunto e disponibilizassem informações mais claras e precisas, facilitando a compreensão dos requisitos de medição destes casos em que a conexão pode ser em baixa tensão.

O que realmente preocupa e, no meu entendimento, deveria ser exaustivamente discutido e estudado são as questões operacionais envolvendo proteções e seus ajustes e as questões ligadas à segurança de quem se envolve em trabalhos de manutenção da rede e também dos usuários comuns que serão afetados pelas novas condições de geração distribuída.

Os procedimentos das distribuidoras certamente serão mais complexos e os custos envolvidos maiores que os atuais.

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