Medidores de energia de novo!

maio, 2011

Edição 63 – Abril 2011
Por Luis Fernando Arruda

No nosso último encontro tratamos da questão dos medidores de energia elétrica eletrônicos quanto à sua escalada descendente de preços. Recebi uma série de comentários e entendo como positivo que haja posições discordantes; na verdade, sem isso, não temos evolução. São os que não se conformam com o que está dominante e que fazem os movimentos que resultam em melhorias (não sem antes causar algumas turbulências naturais das mudanças).

Alguns comentários, os mais consistentes no meu entendimento, citam que a qualidade dos equipamentos vem caindo muito. Outros falam sobre a transferência de empregos para a China ou mesmo se preocupam com a “morte” da engenharia brasileira no que tange à capacidade de projetar novos equipamentos.

Sobre a transferência de empregos, entendo que não temos (nós, os compradores e usuários) nada a fazer. Os clientes das distribuidoras aceitariam pagar uma tarifa maior para podermos comprar medidores genuinamente brasileiros?

Neste ponto, cabe a aplicação de política do governo federal, a quem compete tomar as medidas que entende cabíveis com as informações que lhes são passadas.

Com relação à “morte” engenharia brasileira, na verdade estamos apenas especificando e fazendo a montagem final aqui no Brasil, eu concordo plenamente. Estamos perdendo expertise. Estamos perdendo espaço importante e de qualidade. É, sem dúvida, um problema que vai nos trazer grandes prejuízos no futuro e entendo que cabe aqui também a aplicação de uma política estratégica para mudar o rumo atual. E este problema não se restringe apenas aos medidores de energia elétrica: é bem generalizado!

Quanto à questão da perda de qualidade, entendo, no entanto, que cabe uma ação de quem especifica, compra e recebe. Há várias ações e isso pode começar pela implementação de um controle eficiente dos defeitos detectados e exigir dos fornecedores um alongamento da garantia, caso o índice de defeitos ultrapasse um valor considerado como limite aceitável. Muitos fabricantes vão correr dessa cláusula de compra e os motivos são vários, desde o conservadorismo de algumas empresas até a convicção das próprias deficiências.

Outros, no entanto, vão “encarar” o desafio e fornecer produtos de qualidade em que o ganho se dá pela escala e não pelo valor unitário elevado. Os vários usuários podem se unir e trocar informações como se faz hoje em algumas associações, de forma a melhor pressionar os fabricantes pelo cumprimento de suas obrigações contratuais.

Tudo passa, portanto, por uma engenharia capaz de especificar com competência, de modo que se possa, de forma precisa, aferir os resultados. Empresa que não tem engenharia de medição vai pagar um elevado custo; são as escolhas que se fez nas empresas sem que fossem avaliadas corretamente as consequências.

Outro ponto que deve ser analisado é que estamos em pleno turbilhão, visto que os concorrentes buscam marcar espaço no mercado e que, passado este momento, os preços podem se acomodar em outro patamar.

Mais um ponto que merece atenção é o que teremos de enfrentar brevemente quanto aos medidores multifuncionais que serão obrigatórios no novo ambiente regulatório. Neste novo momento, vamos mergulhar em um patamar diferente de competição e sem qualquer referência de preços.

Vamos ficar atentos!

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