Luz no fim da Câmara

dez, 2013

Edição 94 – Novembro de 2013

Por Luiz Fernando Arruda 

No dia 13 de novembro de 2013, uma audiência pública da Comissão de Minas e Energia, na Câmara dos Deputados em Brasília, tratou do tema “redes inteligentes”.

Com presença chapa branca completa (Aneel, MME, MCTI, etc.), Abinee, Abradee e conselho de consumidores da Cemig, a discussão do tema tem, a meu ver, um ponto que se destaca: como até agora nada há na legislação que viabilize o investimento pelas concessionárias de distribuição de forma segura, quem sabe um decreto lei venha disciplinar e pacificar o tema.

Seria esperar demais? Não acho, pois o Congresso Nacional tem muitos bons valores em seu quadro e estes escutam a sociedade organizada quando esta de fato mostra os temas de forma clara e bem estruturada.

Outro ponto que merece ser lembrado: não houve sequer uma posição contrária à necessidade que temos de implementação de mais inteligência no sistema elétrico brasileiro, embora “alguns” do setor abominem a ideia de que há melhorias a serem feitas (acham que talvez isto seja uma forma de reconhecer que não estamos 100% como, às vezes, se propala). Quem tem juízo, no entanto, sabe que sempre se pode e se deve melhorar.

Destaco também a projeção de recursos necessários (de R$ 46 bilhões a R$ 91 bilhões), apesar de não haver ainda qualquer proposta de fonte de financiamento e menos ainda de retorno para a sociedade ao final das implementações projetadas.

Resta, no entanto, observar os dados dos Estados Unidos quanto aos investimentos em smart grid que demonstram retorno acima da média de outras inversões por incentivar a indústria e o desenvolvimento de sistemas que empregam tecnologia de ponta.

Também precisam (e podemos fazer isto com relativa precisão) ser quantificados os benefícios para a sociedade brasileira na forma de tarifas mais baixas para quem se adequar e consumir de forma mais racional, eliminar perdas desnecessárias (hoje custam quase R$ 8 bilhões anuais) e garantir mais qualidade e segurança no fornecimento de energia elétrica.

Como único senão eu me posiciono contra aqueles que contam a historinha da volta do Graham Bell e do Thomas Edison aos tempos modernos e que dão conta de que Edison constata que nada mudou para justificar a necessidade de alterações no sistema elétrico. Quanta ignorância e desconhecimento dos sistemas de proteção instalados nas usinas e subestações e nos centros de operação de distribuição e transmissão! Quanto desrespeito a tudo o que vem sendo feito e que tem sido minimamente suficiente, considerados os retornos dos investimentos e ambiente regulatório vigente!

Quanta falta de senso crítico para reconhecer que o sistema de telefonia do Brasil, além de pouco confiável, é um dos mais caros do mundo e, por isso, talvez aqui o sistema de celulares não possa ser considerado para qualquer programa de redes elétricas inteligentes de grandes proporções como já começa a ocorrer na América do Norte!

Voltaremos ao tema, pois ainda há muito a ser tratado!

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