Inteligência para o SIN – O “smart grid” possível

maio, 2012

Edição 74 / Março de 2012
Por Luis Fernando Arruda

Este tema, muito importante e também dos mais interessantes, vem sendo objeto de muitos seminários, trabalhos para estabelecimento de estratégia e estudos dos mais variados possíveis.

Há serviços de consultoria especializados e já se sabe onde os primeiros projetos podem ser aplicados por proporcionarem ganhos de faturamento e diminuição de custos.

Porém, hoje, dadas as incertezas do ambiente regulatório, chego a pensar que estão certos os que até hoje só investem em medidores eletromecânicos! Afinal, nem mesmo o período para depreciação do medidor eletrônico foi alterado e continua valendo o mesmo tempo de 25 anos usados para os velhos medidores eletromecânicos que acumulam erro, mas que continuam marcando alguma coisa mesmo depois de duas décadas e meia de serviço em campo.

Quem atua nas concessionárias na área de medição sabe o preço que se paga por termos medidores diferentes do resto do mundo para as unidades consumidoras do grupo A (atendidas em média tensão ou em tensão superior): pagamos mais e tivemos (em alguns casos ainda se aplica o verbo no presente do indicativo) muitos problemas de falta de confiabilidade.

Mais recentemente, quando muitas concessionárias de distribuição iniciaram aplicativos de automação destas unidades de média tensão apareceram também os problemas de baixa confiabilidade do setor de comunicação (neste segmento usa-se a comunicação GPRS) e os problemas de qualidade associados.

Observam-se também aqueles problemas decorrentes de integração de sistemas (sistema de gestão da medição e sistema corporativo onde se encontra o aplicativo de faturamento), posto que o faturamento passa a ser feito de forma automática.

Ou seja: temos problemas de qualidade nas três áreas e incertezas absolutamente incompatíveis com as necessidades de um sistema de medição de faturamento que em algumas concessionárias responde por 50% ou mais de todo o faturamento!

Pretendo, nos próximos meses, tratar especificamente e mais detalhadamente sobre cada um destes pontos, mas agora quero apenas refletir se estamos preparados para uma aplicação maciça de tecnologias de automação voltadas para o mercado de baixa tensão, em que os quantitativos são extremamente maiores que na média tensão.

Projetos que poderiam se viabilizar em unidades consumidoras de baixa tensão, utilizando medidores com pouco custo agregado e com possibilidade de corte e religação remotos, vão se mostrar totalmente antieconômicos se tivermos que utilizar medidores com muitas funcionalidades e especificidades.

Pior ainda será se estas funcionalidades levarem a medidores diferentes dos que estão disponíveis no mercado internacional. Aí voltaremos no tempo e nos veremos enfrentando os mesmos problemas do início da implementação de medidores eletrônicos para o segmento de média tensão.

Poderemos ver até mesmo o absurdo de medidores que sejam exclusivos de apenas uma concessionária! A que preço isto será comprado? E a salutar concorrência?

Portanto, neste momento, mais que definir funcionalidades para os medidores, vejo que precisamos de um ambiente regulatório favorável a novos investimentos e projetos.

Assim, talvez, o smart grid possível seja, minimamente, o que já sabemos ser interessante para o sistema, retirando demanda do horário de ponta (permitindo postergar investimentos), diminuindo custos operacionais e perdas, incrementando a qualidade do fornecimento de energia e permitindo tarifas menores.

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