Indicadores – Abinee

jan, 2010

Por Weruska Goeking – 20 de Janeiro de 2010

 

Setor eletroeletrônico fecha ano em queda, mas otimista para 2010

 

A crise econômica internacional resultou em queda de faturamento de 9% da indústria eletroeletrônica em 2009, alcançando R$ 112,2 bilhões frente aos R$ 123,1 bilhões faturados em 2008, de acordo com o Desempenho Setorial, documento divulgado anualmente pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). As empresas pesquisadas acreditam, porém, que o faturamento total do setor em 2010 cresça 11%, alcançando cerca de R$ 125 bilhões.

A queda de faturamento foi percebida em seis das oito áreas acompanhadas pela associação. Os primeiros sinais de que 2009 seria um ano difícil para o setor foram sentidos no primeiro trimestre com o fraco desempenho dos Materiais Elétricos de Instalação, mas recuperou-se graças aos estímulos governamentais para a construção civil, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Programa Minha Casa Minha Vida. Essas medidas fizeram com que os Materiais Elétricos de Instalação mantivessem quase o mesmo faturamento de 2008, com aumento de apenas 1%.

 

O ligeiro aumento pode ser visto como uma grande vitória, levando-se em consideração a queda de outras áreas, como a de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (GTD), que teve seu faturamento diminuído em 12% em relação a 2008. O índice negativo foi provocado pela redução de investimentos em cogeração de energia e em linhas de distribuição que, por sua vez, foi causado pela diminuição do consumo de energia pelas indústrias. A Abinee espera que, com a estabilização da economia e a consequente retomada do setor produtivo, os investimentos em GTD aumentem. Os leilões de geração das usinas de Jirau e Santo Antônio ainda não influenciam nos resultados de GTD, pois seus equipamentos ainda estão em produção.

 

O segmento de Automação Industrial também teve expressiva diminuição em seu faturamento com queda de 17%, assim como os Componentes Elétricos de Instalação, que tiveram redução de 9% no total, sendo que a queda foi de 7% para materiais elétricos e de 22% para componentes eletrônicos.

 

A retração só não foi maior porque o setor de bens de capital, que inclui empresas de automação e equipamentos Industriais, e de infraestrutura de energia elétrica ainda contavam com encomendas feitas no período anterior à crise. Ainda assim, muitos pedidos foram postergados e até mesmo cancelados durante 2009.

 

O Brasil deixou de comprar US$ 8 bilhões em equipamentos eletroeletrônicos – especialmente do sudeste da Ásia –, totalizando US$ 24 bilhões em importações, o que significa uma retração de 25% comparando-se com 2008, quando o setor importou US$ 32 bilhões.

 

 

O mercado internacional também não viveu bons momentos em 2009 devido à retração da economia mundial e à valorização da moeda brasileira – que diminuiu a competitividade do setor –, acarretando na queda das exportações. Além disso, países que costumam comprar muitos eletroeletrônicos brasileiros, como Argentina, Venezuela e Equador, adotaram medidas para diminuir importações. O setor de Materiais Elétricos de Instalação teve redução de 24% nas exportações, o de Componentes Elétricos e Eletrônicos teve queda de 25% e o segmento de Automação Industrial reduziu sua exportação em 18%. O setor de GTD registrou a menor queda, com 10% de redução.

 

Dessa forma, as exportações devem atingir US$ 7,2 bilhões em 2009 frente aos US$ 9,9 bilhões de 2008, resultando em uma queda de 27%. Em virtude dessa redução, a participação das exportações no faturamento das indústrias do setor deve ser de 12,8%, valor 2% menor que o de 2008.

 

A recuperação de todo o setor, evitando uma queda ainda maior dos índices, aconteceu no segundo semestre devido – além dos estímulos da construção civil já citados – aos investimentos em petróleo e gás, redução de impostos, criação e adequação de programas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e estímulo de crédito, com ampla atuação de bancos federais. “Algumas áreas não deixaram totalmente a crise, mas estão com melhores desempenhos”, afirma o presidente da Abinee, Humberto Barbato.

 

O número de empregos do setor manteve-se praticamente estável durante todo o ano, que iniciou com 161 mil trabalhadores, caiu para 155 mil em maio, mas recuperou-se e terminou 2009 com 160 mil funcionários diretos, sendo que para cada emprego diretamente ligado ao setor, são criadas mais três vagas indiretas.

 

Previsão para 2010

Empresas pesquisadas pela Abinee acreditam que o faturamento total do setor em 2010 deve ter aumento de 11% em relação ao desempenho de 2009, alcançando R$ 124,9 bilhões. A área de GTD deve registrar o maior índice, com alta de 12%, devido aos investimentos em distribuição provindos do Programa Luz para Todos e das contratações de equipamentos para geração de energia que devem acontecer no segundo semestre deste ano. “A perspectiva para 2010 é muito boa, podemos empatar os índices com 2008, que é um ano de referência muito bom”, afirma Barbato.

 

As indústrias de bens de consumo e de capital dependerão do crescimento econômico do país, que tem previsão de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5%, o que leva a uma expectativa de aumento de 10% do faturamento dessas empresas.

 

Já o segmento de Componentes Elétricos e Eletrônicos é o que espera menor crescimento, de apenas 1%, devido às dificuldades relacionadas ao câmbio que devem permanecer durante todo o ano e que prejudicam a competitividade industrial. Esse fator, aliado às políticas de controle de importações dos países da América Latina, também devem prejudicar a exportação de outras áreas. Por isso, as exportações devem manter o mesmo valor registrado em 2009, US$ 7,2 bilhões.

 

As indústrias deverão investir 4% do faturamento no setor, totalizando aproximadamente US$ 5,3 bilhões. As expectativas de índices positivos para 2010 devem aumentar também o número de vagas no setor, aumentando o total de contratados para 163 mil trabalhadores.

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