Impactos da nova norma IEC 62586 na calibração de medidores de qualidade de energia elétrica

maio, 2016

Edição 123 – Abril de 2016
Aula Prática: Qualidade de energia
Por Eugenio Carvalheira, Javier Aprea e Marcelo Paulino*

Os fabricantes de medidores de Qualidade de Energia Elétrica (QEE) devem comprovar que os seus equipamentos atendem a normas vigentes. Algumas normas internacionais estão em vigor e são muitas vezes complementadas ou regionalizadas através da definição de requisitos de conformidade locais em um país ou região.

Em âmbito internacional, as IEC 61000?4?7, IEC 61000?4?15, IEC 61000?4?30, IEEE 519, IEEE 1159, IEEE 1453 e EN 50160 são as normas que definem os parâmetros de qualidade a serem monitorados e os seus métodos de medição. Essas normas definem o que os medidores devem medir e como fazer essas medições, porém, deixam a desejar na questão de definir os testes que devem ser realizados para garantir que os medidores atendam a esses requisitos.

 

A série IEC 62586 de normas foi publicada no final de 2013 com o intuito de definir os testes funcionais de tipo para equipamentos de medição de qualidade de energia. Essa nova norma complementa a IEC 61000?4?30 e fornece uma orientação adicional quanto aos métodos de verificação de desempenho dos medidores de QEE. A IEC 62586 proporciona uma base para a especificação e descrição de equipamentos com funcionalidade de qualidade de energia. Uma vez que os testes são claramente definidos pela norma, a sua aplicação traz uma grande contribuição para a comunidade internacional de qualidade de energia e benefícios para fabricantes, concessionárias e laboratórios. 

Este artigo apresenta uma breve descrição do escopo da IEC 62586 e dos testes definidos para os diferentes parâmetros. O trabalho sugere uma forma de conduzir os testes de tipo e apresenta alguns testes realizados com medidor comercial. O objetivo da metodologia apresentada é o de tornar os testes rastreáveis, o de reduzir os erros humanos, e reduzir custos e esforço na elaboração e execução repetitiva desses testes.

 

A medição da QEE no Brasil

No Brasil, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) regulamenta os Procedimentos de Distribuição (Prodist) que define os requisitos mínimos para os medidores de qualidade de energia a serem utilizados no sistema elétrico nacional. Atualmente, um dos institutos autorizados a realizar testes em equipamentos de medição da QEE, cujo laudo técnico é reconhecido pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), é o Núcleo de Qualidade de Energia Elétrica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Nesses testes, ondas com diferentes índices de qualidade são aplicadas às entradas do equipamento sob teste, os resultados são coletados e comparados ao padrão. O equipamento é considerado aprovado, caso os erros das medições forem menores que os critérios de aceitação.

IEC 61000?4?30

 

A IEC 61000-4-30 é uma norma básica de compatibilidade eletromagnética (EMC) que define os parâmetros a serem utilizados para análise dos distúrbios que afetam a qualidade de energia elétrica. Os seguintes parâmetros são classificados: frequência do sistema, magnitude da tensão de fornecimento, flutuações de tensão (flicker), subtensões (sag) e sobretensões (swell), interrupção de tensão, transitórios de tensão, desequilíbrio de tensão, harmônicos, interharmônicos e variações rápidas de tensão. As técnicas de medição são definidas para cada um desses eventos. A norma também define os algoritmos e cálculos que devem ser utilizados para a agregação das medidas em intervalos de tempo pré-definidos.

Para cada um dos eventos, a norma define três classes de precisão: A, S e B. Para cada uma dessas classes, diferentes requisitos de desempenho e precisão são especificados.

 

A nova norma IEC 62586

Escopo da IEC 62586

A IEC 62586, publicada no fim de 2013 pelo comitê técnico TC 85 da IEC, tem o título de Medição da Qualidade da Energia em Sistemas de Fornecimento de Energia Elétrica (em inglês, Power quality measurement in power supply systems). A norma está dividida em duas partes.

A IEC 62586?1 (em inglês, Part 1: Power Quality Instruments – PQI) é uma norma de produto para instrumentos de qualidade da energia que faz referências à IEC 61000?4?30, IEC 61000?4?7 e IEC 61000?4?15, e que também complementa essas normas básicas de EMC com requisitos ambientais, de segurança e desempenho. 

A IEC 62586?2 (em inglês, Part 2: Functional tests and uncertainty requirements) define os testes funcionais e testes de incertezas com o objetivo de verificar a conformidade de um produto aos métodos de medição definidos pela IEC 61000?4?30 para as classes A e S.

A IEC 62586, então, estabelece uma base de referência a ser utilizada na qual os instrumentos de qualidade da energia podem ser especificados e descritos, bem como o seu desempenho avaliado.

Requisitos gerais de teste

A IEC 62586?1 menciona que para os testes ambientais deve-se referir à IEC 60068; para testes de segurança deve-se referir à IEC 61010; para testes funcionais deve-se referir à IEC 62586?2 e para testes de rotina a cláusula 9 da IEC 62586?1.

A IEC 62586?2 define os requisitos aos quais devem cumprir os produtos que alegam atender à norma IEC 61000?4?30, classes A e S. As cláusulas 4 e 5 dessa norma apresentam um resumo de todos os testes a serem realizados, além da definição de todos os pontos de teste para cada um dos parâmetros de qualidade de energia. As cláusulas 6 e 7 definem o procedimento detalhado do teste funcional de tipo para instrumentos classe A e S, respectivamente.

Para a realização dos testes, os fabricantes têm que adequar os seus instrumentos para fornecer os registros definidos pela norma, tais como:

  •  Valores agregados a cada 10/12 ciclos (200ms); 
  •  Valores agregados a cada 150/180 ciclos (3 segundos); 
  •  Valores agregados de 10 minutos; 
  •  Valores agregados de 2 horas; 
  •  Valores de dez segundos para a frequência.

Para cada registro, o instrumento deve disponibilizar os dados de data, hora, informação de marcação (flagging) entre outros.

Testes funcionais de tipo

Os testes funcionais de tipo têm por objetivo verificar o cumprimento aos seguintes pontos (para cada tipo de distúrbio, se aplicável):

  •  Verificação do método de medição e agregação de medidas; 
  • Incertezas de medição:

o   Sob condições de referência;

o   Sob influência de um outro distúrbio (magnitude de tensão, frequência, harmônicos, etc).

  •  Incertezas de operação, devido a variação de grandezas externas (temperatura, tensão de alimentação, etc.); 
  •  Incertezas com influência de múltiplos distúrbios (incidência de vários parâmetros de qualidade de energia).

A tabela 3 da IEC 62586?2 apresenta uma lista dos pontos de teste (P1 até P5) para cada um dos parâmetros de qualidade de energia. Um exemplo, para o parâmetro frequência, é apresentado na Tabela 1.

Tabela 1: Pontos da tabela 3 da IEC 62586-2 para a frequência

A Tabela 4 da norma apresenta os estados de teste (S1 até S4) dos distúrbios simples de influência, o que permite verificar a incerteza de um determinado parâmetro sob a influência da variação de outro parâmetro. Ademais, a tabela 5 da norma (Tabela 2 neste trabalho) apresenta uma lista dos pontos e estados (M1 até M3) para os testes com múltiplos parâmetros de influência. Essa tabela é uma derivação da tabela 2 j&aacut

e; presente na IEC 61000?4?30. Por último, as tabelas 6 e 7 da norma definem os valores de influência das grandezas externas, respectivamente temperatura e tensão de alimentação.

Testes com influência de múltiplos distúrbios

Dos testes apresentados antes, sem dúvida, o mais complexo é o teste com a injeção de forma simultânea de vários distúrbios. Tem a finalidade de verificar a incerteza de um determinado parâmetro sob a influência de múltiplos distúrbios.

Alguns parâmetros irão, por definição, influenciar o valor medido de outros parâmetros. Como exemplo, a presença de harmônicos influenciará as medições de valor RMS da tensão. Por outro lado, alguns parâmetros não devem ter nenhuma influência sob outras grandezas medidas. Mudanças no valor da frequência fundamental, por exemplo, não deve influenciar na medição RMS da tensão.

Tabela 2: Tabela 5 da IEC 62586-2 com lista dos parâmetros de influência

Requisitos dos equipamentos de teste

A norma menciona alguns poucos requisitos de hardware para o equipamento de teste a ser utilizado no procedimento de certificação:

 

  •  A incerteza da fonte de sinais deve ser ao menos cinco vezes mais precisa do que a do parâmetro sendo medido. Para a magnitude de tensão, a norma define uma incerteza máxima de 0,1% da tensão de entrada definida para os medidores classe A. Isso significa que a fonte de sinais deve ter uma incerteza não maior que 0,02%, ou 0,05 V para uma tensão de entrada de 230 V; 
  •  Suportar a injeção de tensão de até 200% do valor nominal de tensão do medidor, necessário para o teste da sobretensão (swell); 
  •  Sincronização precisa de tempo para testes de medidores classe A.

Além disso, também é importante que o hardware possua uma fonte trifásica de sinais. Apesar de os testes de certificação serem executados em laboratório, a portabilidade do equipamento é também um fator importante.

Quanto ao software, o principal requisito é o de permitir uma configuração simples dos sinais necessários, incluindo os complexos sinais gerados para os testes com influência de múltiplos distúrbios.

Os testes funcionais exigem a execução de centenas de pontos de teste, onde alguns deles têm uma duração de horas. Pode-se imaginar que os esforços na preparação e execução destes testes são elevadíssimos. Para tornar viável a sua execução por parte dos fabricantes, laboratórios de certificação ou até mesmo do usuário final, o software deve permitir a criação de rotinas de teste e geração automática de sinais.

 

Testes funcionais realizados com medidor comercial

 Configuração do teste

Com o intuito de obter uma experiência prática no assunto, de investigar a viabilidade da execução dos testes funcionais definidos pela IEC 62586?2 e de analisar o seu impacto na adequação por parte dos fabricantes de medidores, alguns dos procedimentos de teste foram realizados como parte deste trabalho.

O instrumento de QEE submetido ao teste foi o analisador de qualidade de energia elétrica PowerNET PQ-600 da IMS Power Quality. Como equipamento de teste foi utilizado o OMICRON CMC 256plus, o seu software Test Universe e o módulo de teste PQ Signal Generator.

O software Test Universe possui uma biblioteca com as rotinas de teste de acordo com a IEC 62586?2, IEC 61000?4?30 e IEC 61000?4?15, conforme apresentado na Figura 1. O módulo de teste PQ Signal Generator oferece a possibilidade de configurar a geração dos sinais de teste, incluindo a incidência de múltiplos distúrbios conforme ilustrado na Figura 2.


Figura 1 – Lista das rotinas disponíveis no software Test Universe para os testes de tipo.


Figura 2 – Configuração da incidência de múltiplos parâmetros.

 

Testes da medição de frequência  

 

Para a medição de frequência, o capítulo 6.1 da IEC 62586?2 define os procedimentos de teste a serem realizados em instrumentos classe A. A seguir é apresentada uma descrição dos testes e os resultados obtidos.

Vale ressaltar que a metodologia de cálculo de frequência pelo equipamento submetido ao teste (EUT) não é a mesma definida pela IEC 61000?4?30. Diferentemente da norma, que define frequência como sendo

a contagem de ciclos inteiros em uma janela de 10 segundos, o EUT calcula a frequência através da quantidade média de amostras em um ciclo para uma janela de 12 ciclos dividido pela frequência de amostragem do sinal. Para o teste, fez-se necessário configurar o EUT para realizar agregação das medições a cada 10 segundos e também alterar os pontos (ver Tabela 1) P1 para 53 Hz e P3 para 68,9 Hz. O ponto P2 foi mantido em 59,95 Hz.

 

Método de medição

O teste A1.1.1 da norma tem o objetivo de verificar que o medidor registra medidas em intervalos de dez segundos. O procedimento especifica a aplicação de uma forma de onda com rampas de variação da frequência, conforme ilustrado na Figura 3, por um período de dois minutos.

 


Figura 3 – Rampa para verificação do método de medição da frequência.

 

O resultado esperado é que o medidor atenda aos critérios TC (11 ≤ N ≤ 13) – o número de leituras de frequência registradas seja entre 11 e 13; e TC10s(sam) – todas as leituras de 10 s devem ser iguais neste intervalo (dentro de duas vezes a precisão intrínseca).

O resultado obtido foram 12 leituras com frequências medidas entre 61,1873 Hz e 61,5755 Hz. O EUT é então aprovado no critério TC (11 ≤ N ≤ 13), porém, é reprovado no critério TC10s(sam), já que as leituras não possuem o mesmo valor. Essa não aprovação já era esperada já que a metodologia de medição do EUT diferia da proposta na IEC 61000?4?30.

 

Incerteza da medição sob condições de referência

 

Tem o objetivo de verificar as incertezas dentro da faixa de medição. Três testes (A1.2.1, A1.2.2 e A1.2.3) são definidos com a aplicação dos pontos P1, P2 e P3 da Tabela 1 nas entradas do EUT por 1 minuto. O resultado esperado é que o medidor atenda ao critério TC10s(unc) – todas as leituras de 10 s de frequência devem ter precisão superior a ±10mHz para equipamentos classe A e ±50mHz para classe S.

A Tabela 3 apresenta o resultado dos três testes. O EUT é aprovado no critério TC10s(unc) para os três pontos de medição, sendo a incerteza da medição dentro dos critérios definidos para um equipamento classe A.

Tabela 3: Resultados dos testes A1.2.1, A1.2.2 e A1.2.3

Incerteza sob influência de um distúrbio

Tem o objetivo de verificar as incertezas sob a influência de outro distúrbio. O teste é feito para a influência da magnitude de tensão e da distorção de harmônicas, conforme apresentado na Tabela 4. O critério TC10s(unc) é utilizado para a avaliação.

 

Tabela 4: Pontos para Teste com influência

A Figura 4 mostra a configuração para o teste A1.3.2 da Tabela 4 e a Figura 5 apresenta as formas de onda dos sinais gerados.

 


Figura 4 – Configuração do Teste A1.3.2 para influência de harmônicas no módulo PQ Signal Generator do software Test Universe.
 


Figura 5 – Formas de onda geradas para o Teste A1.3.2.

 

A Tabela 5 mostra os resultados dos dois testes. O EUT é aprovado no critério TC10s(unc), mostrando que a medição de frequência mantém-se dentro da faixa de incerteza mesmo com a variação da magnitude de tensão, ou presença de harmônicos de tensão.

 

Tabela 5 – Resultados dos testes A1.3.1 e A1.3.2

Incerteza sob influência de múltiplos distúrbios

Apesar de não terem sido realizados como parte deste trabalho, menciona-se que a IEC 62586 também faz referência ao teste de influência de múltiplos distúrbios definido pela IEC 61000-4-30. O teste define que a incerteza de medição deve ser verificada da seguinte forma:

  •  Verificar a incerteza na medição para cinco pontos de frequência espaçados uniformemente entre a faixa de medição, mantendo-se os valores de todos os outros parâmetros no estado M1 da Tabela 2; 
  • Repetir o teste, mantendo-se os valores de todos os outros parâmetros no estado M2 da Tabela 2; 
  •  Repetir o teste, mantendo-se os valores de todos os outros parâmetros no estado M3 da Tabela 2.

Conclusão 

Este artigo apresenta a nova norma IEC 62586 que foi criada para complementar as normas, já existentes, que definem as metodologias e critérios de medição dos parâmetros de qualidade de energia. O artigo descreve o escopo da norma e os testes funcionais de tipo que são definidos. Esses testes são realizados, em um âmbito internacional, pelos fabricantes em seus medidores classe A e S de acordo com a IEC 61000?4?30.

O artigo discute os benefícios da criação dessa norma, que passa a representar uma referência internacional para a comparação do desempenho de diferentes medidores. Alguns dos requisitos e desafios para a realização dos testes são discutidos. Os testes de verificação da incerteza de parâmetros sob a influência de múltiplos distúrbios são sem dúvida os que impõem mais dificuldades para a sua realização e para a geração dos sinais por parte dos equipamentos de teste.

Os testes definidos pela IEC 62586 para a frequência foram realizados em um medidor comercial e os seus resultados são apresentados neste artigo.

Com base na experiência adquirida nos testes pôde-se observar que a norma apresenta desafios aos fabricantes na adequação de seus medidores para a realização dos testes. Além disso, para que o teste seja viável, é de grande importância a criação e utilização de rotinas de teste que possibilitem a execução de todo o procedimento de forma eficiente, repetitiva e com reduzido esforço.

Referências

 

  •  IEC 62586-1:2013, Power quality measurement in power supply systems – Part 1: Power quality instruments (PQI). 
  •  IEC 62586-2:2013, Power quality measurement in power supply systems – Part 2: Functional tests and uncertainty requirements. 
  •  IEC 61000-4-30:2008, Electromagnetic compatibility (EMC) – Part 4?30: Testing and measurement techniques – Power quality measurement methods. 
  •  IEC 61000-4-15:2010, Electromagnetic compatibility (EMC) – Part 4-15: Testing and measurement techniques – Flickermeter – Functional and design specifications

     

  • IEC 61000-4-7:2009, Electromagnetic compatibility (EMC) – Part 4?7: Testing and measurement techniques – General guide on harmonics and interharmonics measurements and instrumentation for power supply systems and equipment connected thereto

 

 


 

*Eugenio Carvalheira é engenheiro eletricista e mestre em engenharia da computação. É gerente de engenharia na Omicron, responsável pelo desenvolvimento de soluções de teste para sistemas de proteção e medição em sistemas elétricos. 

Javier Aprea é gerente de P&D na IMS Soluções em Energia, responsável pelo desenvolvimento de soluções em Eficiência Energética, incluindo equipamentos e software para medição, análise e controle de Qualidade da Energia Elétrica.

 Marcelo Paulino é engenheiro eletricista e especialista em manutenção de sistemas elétricos pela Escola Federal de Engenharia de Itajubá (EFEI), atual Unifei. Foi gerente técnico da Adimarco e atualmente é diretor da Techmarc Engenharia.

 

 

 


Com a necessidade de redução de peso das plataformas, visando alívio das unidades flutuantes e, consequente redução dos custos, fez-se necessário o desenvolvimento de materiais mais leves. Surgem assim, as tecnologias Ex-nA (não acendível) e Ex-e (segurança aumentada), empregando geralmente materiais plásticos em sua estrutura. Para aumentar a resistência mecânica, adiciona-se fibra de vidro ao plástico. Com isso, obtém-se um material mais leve que o alumínio e com adequada resistência mecânica.

 

Devido à proximidade com a água salgada do mar, os equipamentos em alumínio, caso não protegidos por uma camada de tinta especial, podem sofrer corrosão pela salinidade e umidade. O material plástico empregado nas luminárias de tecnologia Ex-e apresentam alta resistência à corrosão.

 

 

Figura 1 – Luminária fluorescente linear em plástico reforçado com fibra de vidro.

 

 

 

 

No entanto, para ambas as tecnologias Ex-d e Ex-e, são conhecidos os problemas relacionados aos efeitos de EOL (End-Of-Life) que ocorrem nas lâmpadas fluorescentes gerando manutenções constantes de troca das mesmas. São também conhecidos os problemas que ocorrem nos respectivos reatores eletrônicos, os quais também requerem a sua substituição periódica. Em instalações offshore, tais manutenções resultam quase sempre em paradas de produção e procedimentos de segurança demorados que acarretam custos extremamente elevados.

 

 

A tecnologia Led aplicada às luminárias lineares permite reduzir fortemente essa necessidade de constante substituição das atuais lâmpadas fluorescentes devido à sua elevada vida útil, minimizando assim os elevados custos inco

rridos dos trabalhos de manutenção. Um módulo Led é projetado para durar cerca de 60.000 horas enquanto que uma lâmpada fluorescente tubular convencional dura cerca de 16.000 horas.

 

Outro ponto que vem ganhando importância atualmente é a eficiência energética dos equipamentos elétricos. Quanto maior essa eficiência, menos robustas precisam ser as instalações elétricas e menor é o consumo de potência durante a operação. Isso resulta em custos menores de construção e operação. A tecnologia Led apresenta um consumo de potência elétrica menor em relação à fluorescente para produzir um mesmo fluxo luminoso. Ou seja, para gerar o mesmo nível de iluminação, a tecnologia Led consome menos energia que a fluorescente, sendo assim, mais eficiente. Essa redução pode chegar a 20% dependendo dos modelos utilizados. Muitas dessas luminárias são dotadas de sistemas autônomos de emergência. Em caso de queda de energia, esse sistema mantém as lâmpadas acesas através de um conjunto de baterias. O consumo menor de energia apresentado pelo Led permite um maior período de funcionamento autônomo ou uma redução no tamanho do módulo de baterias dependendo da necessidade desejada.

 

 

Figura 2 – Sistema autônomo de emergência integrado à luminária.

 

 

 

 

 

 

Outra vantagem da tecnologia Led é a alta resistência às vibrações e impactos, sempre presentes nas plataformas offshore devido ao modo de operação e ao reduzido espaço disponível. As lâmpadas fluorescentes possuem em seu interior um par de eletrodos, um em cada extremidade, e um gás inerte à baixa pressão que ficam encerrados pelo invólucro de vidro tubular. Tanto os eletrodos quanto o invólucro são susceptíveis ao dano por vibração ou impacto, causando falhas prematuras das lâmpadas. No caso da tecnologia Led, a luz é gerada por materiais semicondutores (estado sólido) e não são utilizados eletrodos ou invólucros de vidro que possam ser danificados, assim, a tolerância à vibração e impactos é muito maior.

 

Para se acender uma lâmpada fluorescente é necessário que se aplique uma elevada tensão elétrica inicialmente para causar a ionização do gás inerte. Dessa maneira, a cada chaveamento de liga-desliga, é gerado um estresse nos eletrodos da lâmpada. Quanto mais frequentes forem esses chaveamentos, mais reduzida será a vida útil do eletrodo e, por consequência, da lâmpada. Esse efeito não acontece com os módulos de Led, uma vez que não necessitam de altas tensões de partida para ionização de gases como nas fluorescentes.

 

Outro ponto a ser observado é que esses gases ionizados produzem a nociva radiação ultravioleta (UV), cujos níveis são regulamentados pelas normas vigentes. Esse é um efeito intrínseco ao funcionamento das lâmpadas fluorescentes que necessitam dessa radiação para excitar o composto de fósforo que recobre o tubo de vidro internamente gerando luz no espectro visível ao olho humano. Isso não acontece com a tecnologia Led, na qual a luz é gerada diretamente no espectro visível. Deve-se evidenciar também a ampla gama de temperaturas de cor e o alto índice de reprodução de cor (IRC) oferecidos pelo Led que permitem flexibilidade e capacidade de atender aos diversos requisitos de aplicação.

 

A tecnologia Led também apresenta vantagens no final de sua vida útil. Ao contrário das lâmpadas fluorescentes que podem conter mercúrio, fósforo e outros metais pesados em seu interior e não podem ser descartadas indiscriminadamente, os módulos Led não requerem esse controle rigoroso e dispensam a necessidade de espaço de armazenamento.

 

 

Figura 3 – Descarte inadequado das lâmpadas fluorescentes pode causar contaminação do solo por metais pesados. 

 

Dentro deste panoram

a, existe uma forte tendência de se efetuar estas modificações nestas luminárias, retirando-se os reatores e as lâmpadas fluorescentes e colocando em seu lugar as lâmpadas Led lineares, as quais já possuem toda a eletrônica requerida “embarcada”, dispensando a instalação de reatores ou de drivers adicionais.

 

Deve ser ressaltado que os pinos terminais das lâmpadas tubulares Led são idênticos aos terminais das lâmpadas bipino fluorescentes. Dessa forma, não há necessidade de modificação dos suportes terminais existentes nas luminárias “Ex” e nem réguas de bornes terminais ou colocação de qualquer componente adicional, reduzindo-se, assim, o tempo de parada para a substituição.

 

 

 

 

 

 

 


Figura 4 – O módulo Led substitui as lâmpadas fluorescentes, conectando-se diretamente aos soquetes e mantendo o reator existente.

 

As vantagens dessa substituição das lâmpadas fluorescentes existentes por um módulo Led linear são:

 

• Tecnologia Ex-e para facilitar manutenção;

• Economia de energia em cerca de 20%;

• Fluxo luminoso e distribuição equivalente à fluorescente já instalada;

• Iluminação indireta via refletor evitando ofuscamento;

• Fácil instalação sem necessidade de acesso ao reator ou às conexões elétricas;

• Ampla gama de temperaturas de cor para atender as várias necessidades de aplicação;

 

• Redução dos altos custos de manutenção comparados com as lâmpadas fluorescentes tradicionais devido às frequentes trocas;

 

Vida útil de 60.000 horas;

 

Dispensa necessidade de alteração das luminárias já existentes;

 

Ampla faixa de temperatura ambiente de operação (-25 °C a +50 °C)

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