Iluminâncias da tarefa e do entorno imediato

jun, 2011

Edição 64 – Maio 2011
Por Juliana Iwashita Kawasaki

A revisão da ABNT NBR 5413 – Iluminância de interiores trata com mais detalhes sobre as iluminâncias recomendadas para uma maior quantidade de ambientes, atividades e tarefas. A norma recomenda valores para uma condição visual normal sendo levados em consideração os requisitos para a tarefa visual, a segurança, a economia, a experiência prática e os aspectos psicofisiológicos, como conforto visual e bem-estar.

A Comissão Internacional de Iluminação (CIE) e a Organização Internacional para Estandardização (ISO) definem um fator de aproximadamente 1,5 a menor diferença perceptível no efeito subjetivo da iluminância. E definem uma iluminância horizontal de 20 lux como o menor valor considerado para diferenciar as características da face humana em condições normais de iluminação.

A norma estabelece a seguinte escala de iluminâncias:

20 – 30 – 50 – 75 – 100 – 150 – 200 – 300 – 500 – 750 – 1000 – 1500 – 2000 – 3000 – 5000 lux

Esta escala é utilizada para se ajustar os níveis de iluminância recomendados para as tarefas e as atividades quando as condições visuais forem diferentes das assumidas como normais. A iluminância deve ser aumentada em uma escala quando:

  • baixos contrastes fora do normal estiverem presentes na tarefa;
  • o trabalho visual for crítico;
  • a correção dos erros for onerosa;
  • for da maior importância a exatidão ou a alta produtividade;
  • a capacidade de visão dos trabalhadores estiver abaixo do normal.

A iluminância mantida necessária pode ser reduzida em uma escala quando:

  • os detalhes forem de um tamanho extraordinariamente grande ou de alto contraste; ou
  • a tarefa for realizada por um tempo excepcionalmente curto.

A norma estabelece que em áreas nas quais um trabalho contínuo for realizado, a iluminância mantida não deve ser inferior a 200 lux.

As iluminâncias recomendadas para as áreas de tarefa não devem estar abaixo dos valores estabelecidos pela norma, independentemente da idade e das condições da instalação. Assim, o projetista deve considerar, no dimensionamento do projeto, as condições de manutenção do local e recomendar práticas e periodicidades de manutenção.

Outro aspecto relevante em discussão na revisão da norma ABNT NBR 5413 é a adoção mais clara de valores de iluminância na área da tarefa e na área do entorno imediato. A iluminância e sua distribuição nas áreas de trabalho e no entorno imediato têm um maior impacto em como uma pessoa percebe e realiza a tarefa visual de forma rápida, segura e confortável.

A área da tarefa, seja ela horizontal, vertical ou inclinada, é definida como a área parcial em um local de trabalho no qual a tarefa visual está localizada e é realizada. A norma estabelecerá valores mínimos de iluminância para cada tipo de ambiente, tarefa ou atividade.

O entorno imediato, definido como uma zona de no mínimo 0,5 m de largura ao redor da área da tarefa dentro do campo de visão, poderá ter valores de iluminância menores que a área da tarefa.

A iluminância no entorno imediato, entretanto, deve estar relacionada à iluminância da área de tarefa e deve uma uniformidade bem balanceada no campo de visão, pois mudanças drásticas nas iluminâncias ao redor da área de tarefa podem levar a um esforço visual estressante e desconfortável.

A uniformidade da iluminância, definida como a razão entre o valor de iluminância mínimo e o valor médio, deve se alterar gradualmente na tarefa e no entorno imediato. Recomenda-se que a uniformidade da iluminância na tarefa não seja menor que 0,7 e a uniformidade da iluminância no entorno imediato não seja inferior a 0,5.

A iluminância mantida das áreas do entorno imediato pode ser mais baixa que a iluminância da área da tarefa, porém, não deve ser inferior aos valores estabelecidos na tabela a seguir.

 

Iluminância da tarefa (lux)

Iluminância do entorno imediato (lux)

≥ 750

500

500

300

300

200

≤ 200

Mesma iluminância da área de tarefa

Uniformidade ≥ 0,7

Uniformidade ≥ 0,5

Com isso, abre-se uma possibilidade para utilização de iluminação localizada quando o layout do edifício for conhecido.

Nestas ocasiões, a iluminação geral com o nível recomendado para área de tarefa não precisa ser adotada para todo o ambiente. Pode-se adotar um nível de iluminância em uma escala menor e projetar uma iluminação localizada nas áreas de tarefa. Assim, é possível obter um projeto luminotécnico mais eficiente energeticamente e possibilitar ao usuário a utilização de iluminação de tarefa com controles individualizados.

Esta prática, além de reduzir a potência instalada no teto, pode possibilitar maior conforto ao usuário, caso dispositivos de controle individuais sejam disponibilizados. O fato de os ocupantes terem a possibilidade de controlar a iluminação eleva a percepção de conforto visual e contribui indiretamente para aumento de produtividade dos ocupantes. Assim sendo, práticas mais eficientes de iluminação poderão ser planejadas, associadas ao enfoque de eficiência energética e bem-estar.

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