Grupos de trabalho dividem tarefas na revisão da NBR 5410

nov, 2016

*Por Eduardo Daniel

A reunião da CE 03:064.001 – Instalações elétricas de baixa tensão ocorrida em setembro foi uma das mais produtivas desde o início do processo de revisão da norma ABNT NBR 5410:2004. Uma visão que se consolidou nesta reunião foi a de que não basta revisarmos o texto-base somente porque a nossa “norma-mãe” da IEC foi alterada, mas sim, por consenso entre seus participantes de que se conhecem os motivos reais das alterações e que existe todo um conjunto de documentos “filhotes” igualmente importantes.

Na última coluna publicada, tratamos de parte dessas alterações no capítulo 5.1.2.2.4, “Seccionamento automático da alimentação” em função do esquema de aterramento adotado. Uma análise e pesquisa muito bem-feitas por alguns participantes mostraram que as dúvidas da Comissão foram sanadas e as alterações do texto, finalmente, tornaram-se claras e confiáveis, o que será descrito na próxima reunião, a ser realizada em outubro. Com isso, encerra-se um ciclo que foi desgastante de discussões e para o qual, conseguiu-se o consenso. E anda-se mais um pouco no texto.

Como havia sido comentado também na coluna anterior, teve início a leitura do texto-base preparado pelo GT fotovoltaico da complementação da ABNT NBR 5410 sobre requisitos de projeto, construção e verificação de instalações fotovoltaicas, também baseada em documentos internacionais e na experiência de quase 40 especialistas que participaram ativamente das atividades do GT em 14 reuniões presenciais realizadas, desde abril de 2015. O texto final tornou-se disponível aos membros da plenária da CE no mês de agosto de 2016. Avançou-se bastante na leitura do projeto de 70 páginas, com cerca de 40% já lido, alterado em algumas definições e validado pela plenária, em meio dia de reunião.

Foi muito debatida a necessidade de leitura integral do texto já elaborado por especialistas da área, porém, aproveito para lembrar que, em primeiro lugar, esse ritual é obrigatório pelo regimento das Comissões de Estudo da ABNT e, na verdade, tem uma razão de ser. Um Grupo de Trabalho (GT) deve ser criado justamente para assessorar uma Comissão por falta de tempo disponível nas plenárias ou, ainda, por permitir a extensão de participantes mais especializados, no entanto, a responsabilidade pela validação de suas propostas é sempre da Comissão de Estudos. Além disso, uma leitura em conjunto pode suscitar a discussão de pontos que não apareceriam em uma análise baseada somente à distância e individualmente, que foi o que ocorreu nessa última reunião. Apesar de parecer um item “sem importância”, uma definição já normalizada ou que pudesse ter uma leitura diferente do usuário da norma final mostra-se extremamente crítico para a qualidade do documento final. É melhor, mais seguro e prudente investir mais tempo nas discussões nesta fase do que esperar um retorno de votação da consulta nacional para rediscutir pontos já consolidados.

Os membros do GT constituem um verdadeiro estudo de caso para o processo de normalização da ABNT pela qualidade e cuidado que foram demonstrados na elaboração do texto lido, o que irá permitir que se complete o processo em breve. Importante ressaltar que a sequência de assuntos agendados para a Comissão foi alterada justamente para permitir que este importante documento seja publicado, já que dele dependem estruturas de treinamento, processos de certificação de pessoas e de instalações fotovoltaicas, cuja lacuna vem causando desconforto naqueles que querem garantir a qualidade e a segurança desse tipo de tecnologia e que pode ser questionada no futuro por seus usuários, projetistas e empresas de distribuição de energia elétrica, todos muito impactados pela alternativa da geração distribuída. Além disso, a geração fotovoltaica é a modalidade que tem apresentado a maior taxa de crescimento no país, apesar da situação econômica difícil, e suas perspectivas são ainda maiores à medida que já nascem da maneira correta. Por isso, peço paciência a todos para preservarmos os rituais que são realmente necessários para termos uma “boa norma” e que não corra o risco de ser mutilada após a votação. O processo democrático intrínseco da normalização exige isso, até porque sabemos das dificuldades dos participantes em utilizar seu tempo fora das reuniões para uma base mais completa de pontos sugeridos, ou seja, melhor fazermos em conjunto.

Além desses pontos importantes, a partir da reunião de agosto/2016, haverá, ao final da reunião (iniciando às 15h30), a continuação da discussão do texto-base da norma de eficiência energética de instalações elétricas conduzida pelo Grupo de Trabalho específico. Essa inserção no mesmo dia da reunião plenária da CE 03:64.001 visa aproveitar a presença dos participantes comuns e acelerar a discussão e a contribuição dos participantes.

Pela mudança da prioridade para discutir o texto acima, o GT que discute a norma da IEC de eficiência energética em instalações de baixa tensão apresentará a sua proposta, se possível, na próxima reunião de outubro.

Um Grupo de Trabalho adicional foi criado para a discussão sobre a interface entre a instalação da empresa distribuidora e a instalação interna no uso de geradores, cuja primeira reunião está sendo definida. Este era outro assunto muito importante aos usuários de instalações e às distribuidoras e que até agora estava sem uma definição clara.

Você se interessa por algum desses assuntos? Entre em contato conosco e participe, mesmo à distância. Mas lembre-se que todo trabalho voluntário só é realmente voluntário até que você se comprometa, depois, o grupo espera sua participação efetiva.

Comentários

Uma Resposta

  1. RAUL disse:

    Haverá alguma alteração na seção mínima dos condutores isolados de cobre para os circuitos de iluminação, visto que, a tendência do uso de LEDs é crescente e dominante, e a comercialização das lâmpadas incandescentes não é mais permitida?

    Estou fazendo um TCC que aborda essa questão e gostaria da sua opinião sobre a possibilidade de redução da bitola atual de 1,5 mm² do cabeamento para iluminação, já que, as lâmpadas de LED e fluorescentes tem potências muito menores do que as incandescentes.

    Ainda se tem a necessidade de considerarmos os pontos de 100 VA e 60 VA exigidos pela norma atual?

    Parabéns pelas reportagens. Tem me ajudado muito.

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