Estamos entrando em uma nova crise energética?

mar, 2014

Edição 97 – Fevereiro de 2014
Por Juliana Iwashita

Novos “apagões” e o possível aumento do custo da energia refletem os impactos de uma nova crise energética? Gerar energia é caro em qualquer lugar do mundo, então, por que não economizar? Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Conservação de Energia (Abesco), o Brasil tem um potencial de economia de energia elétrica da ordem de 46 TWh por ano. Este volume equivaleria à metade da produção anual da hidrelétrica de Itaipu.

Implantar medidas de eficiência energética é muito mais econômico que investir na geração de novas usinas. E é esse conceito que faz com que os países desenvolvidos engajados em eficiência energética adotem políticas efetivas para redução do consumo. Um kW economizado significa um kW deixado de ser produzido e, consequentemente, alguns milhares de reais economizados para aumentar a capacidade de geração.

A redução do custo da energia elétrica no ano passado, entretanto, foi uma medida que não ajudou as políticas de eficiência energética no país, pois aumentou os cálculos de retorno de investimento para implantação de soluções energeticamente mais eficientes. Embora seja bom pagarmos menos, a situação precisa ser real e duradoura.

A iluminação tem um papel importante nessa área, pois é um dos principais usos finais de energia elétrica. Aproximadamente 20% de toda a energia gerada no mundo é consumida com iluminação. O uso de sistemas mais eficientes e tecnologias para redução do consumo de energia, como Led, sensores de presença e sistemas de controle de luminosidade são as grandes tendências para eficiência energética em iluminação.

Além de impactar menos o custo de operação da instalação ao longo da vida, a economia gerada pode compensar o investimento inicial. Políticas nacionais para adoção dessas tecnologias precisariam, porém, ser mais efetivas, como observamos em alguns países. Redução de impostos e/ou subsídios para comercialização de equipamentos de tecnologias mais eficientes, proibições de comercialização de equipamentos ineficientes (como vem ocorrendo com as lâmpadas incandescentes) são apenas algumas políticas que poderiam ser adotadas.

O Brasil tem um grande potencial para práticas de eficiência energética, mas muito ainda a aprender e a conscientizar sua população. Talvez agora seja uma boa hora para discutirmos essa questão novamente junto às entidades pertinentes, mas também agirmos individualmente, mais conscientes quanto ao uso dos recursos disponíveis.

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