Espírito olímpico na engenharia é possível?

ago, 2016

No início destes nossos jogos olímpicos nos deparamos com a grotesca situação dos prédios que deveriam abrigar as delegações, os quais estavam efetivamente não concluídos. Valeu a máxima que “obra não se conclui, obra se abandona”. Agora, então, “se abandona e se esquece”. O espetáculo foi ainda incrementado com as justificativas dos responsáveis pela “obra” corroboradas, vejam só, até por ministros de estado que se uniram às estúpidas justificativas sobre os fatos relatados e ironizados, nada menos, pelo próprio prefeito do Rio.

Fato é que olhando os acontecimentos pelo ângulo sério da engenharia, a situação nos deixa incrédulos, já que todas as normas nacionais recomendam as etapas de testes e verificações, incluindo a de desempenho das edificações. A nossa ABNT NBR 5410 apresenta um capítulo específico sobre as verificações finais que, evidentemente, também não foi atendido. Vamos esperar que ninguém seja vítima de eletrocussão e que equipamentos não sejam danificados, afinal “ELE” é brasileiro. Será que ainda é? Veremos.

No mundo real, o Circuito Nacional do Setor Elétrico (Cinase), etapa Salvador, nos traz esperanças para dias melhores, com um congresso denso em que o grau de interesse foi crescente. Foram mais de 500 profissionais trocando experiências em uma nova viagem pelas instalações elétricas. Congressistas, patrocinadores e organizadores saíram bastante motivados para repetir o fato em Curitiba, em outubro.

A nossa economia deu alguns poucos sinais de recuperação, ao menos, a percepção de progresso é melhor do que a de alguns meses atrás. Teremos que ter paciência e muito trabalho para levantar este moribundo atacado sem dó por inescrupulosos e execráveis personagens da nossa história.

Vivemos ainda um interessante momento de discussão de fontes de energia sem esquecer, é claro, que os atuais custos baixos decorrem de desequilíbrio entre oferta e demanda, em função da recessão e que a energia fotovoltaica é uma opção complementar e não uma fonte principal. Um sistema elétrico de bom desempenho depende ainda de boa potência de curto-circuito. Por maior que seja nosso espírito olímpico, as placas sozinhas em nossos telhados não serão capazes de suprirem a energia demandada por todas as nossas cargas. Um bom planejamento de geração e, principalmente, de uso de energia é sempre fundamental e o congresso brasileiro de eficiência energética (Cobee), realizado no final de agosto, em São Paulo, é sempre uma boa oportunidade para estas discussões, fundamentalmente, com boas práticas de engenharia.

Eng. José Starosta
Consultor da revista O Setor Elétrico
consultor@osetoreletrico.com.br

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