Enquanto esperamos, fazemos o quê?

maio, 2015

Edição 111 – Abril de 2015
Por Luiz Fernando Arruda 

Parece que 2015 será mesmo um ano para ser esquecido e torcemos para que o ano que vem seja mais auspicioso para o setor elétrico e para o país de maneira geral.

Afinal, 2016 será o ano das olimpíadas e todos torcemos que a nossa combalida infraestrutura (transporte, segurança, energia etc.) não comprometa o desenrolar das disputas esportivas e torne nossa imagem ainda pior do que o retrato atual.

Por enquanto, estamos aguardando os fatos e torcendo para que não precisemos racionar energia elétrica neste ano e que o próximo verão tenha um regime de chuvas bem generoso.

Mas para quem tem alguma afinidade com planejamento e sabe das dificuldades de desenvolver projetos e executar obras no setor elétrico, simplesmente esperar é extremamente desconfortável.

Temos ainda de conviver com obras sem sincronismo, pois teremos usina hidrelétrica com linhas de transmissão ainda não disponíveis ou subestações com implantação atrasada.  Se a licitação e os leilões contemplassem a entrega de energia ao Sistema Interligado Nacional (SIN) com multas bem definidas (e aplicadas de fato), certamente estes eventos, frutos de problemas de gestão, não ocorreriam.

De qualquer forma, a explosiva combinação de recessão e inflação em alta (devida em parte ao aumento da tarifa de energia elétrica de mais de 60% nos últimos doze meses), pode nos livrar dos graves problemas do racionamento.

Seria melhor, no entanto, que este período de dificuldades fosse pródigo em gerar novas oportunidades para energias alternativas, para cogeração, tratamento adequado das elevadas perdas técnicas e não técnicas e eficientização energética levada a sério.

No entanto, a única medida de ordem prática pode vir a ser a compra ou a remuneração de energia gerada por unidades consumidoras de média tensão que hoje, para viabilizar a tarifa verde, possuem geração a diesel.

Alguns estudos, no entanto, mostram alguns dificultadores:

  1. A maioria terá de investir algum recurso para se tornar apta a mudar o modo como opera a unidade de geração;
  2. Poucos querem investir (mesmo que seja para compra de um tanque maior de armazenagem), pois há uma crise de confiança (muito justificada);
  3. O tempo de maturação do novo processo estará garantido apenas até dezembro deste ano e todos sabem que, se as chuvas forem generosas, as “vantagens” serão canceladas;
  4. A tarifa de compra proposta é sujeita a todos os impostos, o que a torna pouco atrativa;
  5. Ninguém se sente seguro quanto ao preço do diesel em um momento em que fazer renascer a Petrobras pode valer qualquer sacrifício dos que sempre pagam a conta (embora poucos de nós tenhamos a receber das ações ou tenhamos emprego na empresa);
  6. Aquelas unidades consumidoras que poderiam injetar potência no sistema de distribuição esbarram nas exigências de projeto, estudos e investimento em proteções e, pelo menos, cinco ou seis meses para o necessário e justo retorno do que foi gasto.

Assim, pode ser que esta medida temporária fique pelo caminho e que nada de perene reste para a nossa sociedade deste período de problemas que vivemos hoje.

Ficaremos esperando e, sem ao menos, transformar desafios em oportunidades!

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