Energy Star: um possível modelo para avaliação de lâmpadas de Leds no Brasil

set, 2013

Edição 91 – Agosto de 2013
Por Juliana Iwashita

Como se sabe, atualmente, o mercado de Led vem crescendo sem controle a cada dia. Tendência certa para substituição de fontes de luz convencionais, as lâmpadas de Led ganham espaço e atenção do consumidor final, que, embora pague mais caro inicialmente, tem a vantagem de uma vida muito mais longa e um consumo inferior. O que ocorre no Brasil, entretanto, é a existência de muitos produtos de qualidade questionável e a inexistência de um meio de seleção confiável, que garanta uma boa compra ao consumidor.

Os processos de etiquetagem ou certificação de produto, como ocorrem com lâmpadas fluorescentes compactas e reatores eletrônicos, respectivamente, seriam uma maneira para garantir um nível mínimo de qualidade dos produtos de Led. Atentas à necessidade do mercado, a Eletrobras e o Inmetro vêm trabalhando para a definição de uma metodologia a ser aplicada no Brasil.

Uma referência importante para esse trabalho é o programa Energy Star dos Estados Unidos, etiquetagem voluntária como o Selo Procel. Os produtos que conseguem o Selo Energy Star são produtos que atendem às diretrizes rigorosas de eficiência definidas pela Agência de Proteção Ambiental norte-americana, usando menos energia. Segundo o programa, economizar energia ajuda a economizar dinheiro em contas de serviços públicos e a proteger o meio ambiente, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa na luta contra a mudança climática.

Uma lâmpada Energy Star nos Estados Unidos:

  • Economiza cerca de US$ 6 por ano em custos de eletricidade e pode economizar mais de US$ 40 ao longo de sua vida;
  • Atende a requisitos rigorosos de desempenho que são testados e certificados por laboratórios de terceira parte;
  • Utiliza cerca de 75% menos energia do que uma lâmpada incandescente tradicional e dura pelo menos seis vezes mais;
  • Produz cerca de 75% menos calor, por isso é mais seguro de operar e pode reduzir custos de energia associados com a refrigeração da casa.

Atualmente, existe selo Energy Star para lâmpadas fluorescentes compactas e de Led. Para os Leds, ela define características de desempenho mínimas visando a garantir um mínimo de qualidade e confiabilidade nos produtos. Ver Tabela 1.

Tabela 1 – Requisitos de desempenho do Programa Energy Star nos Estados Unidos

No Brasil, critérios específicos de desempenho precisam ser adotados em função de características elétricas locais e características de produtos encontrados no mercado, como por exemplo, existência de muitas lâmpadas com temperatura de cor superior a 4000 K.

O Energy Star, entretanto, é um bom modelo para definição de critérios de desempenho de lâmpadas, uma vez que define parâmetros de vida útil, taxas de falha, depreciação máxima de fluxo luminoso ao longo da vida, características cromáticas como variação da temperatura de cor durante a vida, além de especificar critérios para ensaios de segurança. O futuro programa brasileiro deverá alinhar os produtos existentes no mercado com as normas locais recentemente lançadas e critérios de programas, como o Energy Star, para estabelecer padrões nacionais próprios e garantir ao consumidor critérios de avaliação de desempenho e conformidade de produtos.

Edição 91 – Agosto de 2013
Por Juliana Iwashita

Como se sabe, atualmente, o mercado de Led vem crescendo sem controle a cada dia. Tendência certa para substituição de fontes de luz convencionais, as lâmpadas de Led ganham espaço e atenção do consumidor final, que, embora pague mais caro inicialmente, tem a vantagem de uma vida muito mais longa e um consumo inferior. O que ocorre no Brasil, entretanto, é a existência de muitos produtos de qualidade questionável e a inexistência de um meio de seleção confiável, que garanta uma boa compra ao consumidor.


O Painel Setorial sobre Iluminação Pública e Tecnologias Eficientes teve por objetivo iniciar discussões na área, no âmbito da metrologia e da qualidade, com os vários segmentos no país. O evento teve a participação de representantes dos principais organismos públicos e privados, como Inmetro, Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), concessionárias de energia elétrica, laboratórios, instituições de pesquisa e ensino, prefeituras e gestores de iluminação pública, associações de classe, fabricantes, importadores de produtos de iluminação e profissionais da área.

Na ocasião, o presidente do Inmetro, Prof. João Jornada, abriu o evento enfatizando o problema energético do país, e como a economia de energia pode reduzir a necessidade de novos investimentos e impactos ambientais em favor da sustentabilidade.  Abordou o Led e o Oled como as novas tecnologias de pesquisa e desenvolvimento para iluminação, ressaltando a revolução tecnológica dos Leds, os aspectos ambientais favoráveis (ausência de mercúrio e outros metais pesados), a longa durabilidade e a economia de energia.

Outro ponto favorável mencionado à tecnologia do Led é o poder da indústria local. Segundo ele, o índice de nacionalização dos produtos de iluminação com Leds chega a 70%, sendo que muitas empresas importam apenas os diodos para fabricação do produto. Projetos futuros podem inclusive trazer a produção do chip para o país, o que contribuiria para o aumento da mão de obra e potencial de exportação para o país.

Durante o painel foi também assinado os Requisitos Técnicos da Qualidade (RTQ) para luminárias públicas e lâmpadas de Led. Estes documentos foram elaborados pelo Inmetro com a colaboração da Eletrobras, da Abilux, da Abilumi, de laboratórios e de empresas de iluminação com o intuito de elencar os requisitos técnicos a serem avaliados nos produtos de Led (lâmpadas e luminárias públicas) para futura certificação de produtos.

Os documentos entraram em consulta pública nacional por um período

de 60 dias e prevê-se que até o final deste ano, sejam publicadas as portarias para certificação compulsória dos produtos, assim como são feitos com refrigeradores e lâmpadas fluorescentes compactas.

Com isto espera-se estabelecer os requisitos de avaliação da conformidade destes produtos para garantir e atestar a durabilidade, a segurança, a confiabilidade e a eficiência energética, garantindo ao consumidor opções de compra dentro de atributos técnicos estabelecidos e evitar práticas enganosas de mercado.

Foram ainda debatidos assuntos relacionados à metrologia de equipamentos de iluminação pública, colocando-se a importância das medições em goniofotômetro para determinação das grandezas luminotécnicas e os processos de etiquetagem de eficiência energética de produtos de iluminação com a presença dos responsáveis pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) do Inmetro.

Discutiram-se ainda os aspectos da resolução normativa 414/2010 e os impactos da migração dos ativos da iluminação pública das concessionárias para as prefeituras. Segundo a Constituição Federal, Art.30, compete aos municípios organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, sendo, assim, de responsabilidade dos Municípios os ativos de iluminação pública. De acordo com o Superintendente de Regulação dos Serviços Comerciais da Aneel, Marcos Bragatto, a entidade está tratando de regular e fiscalizar o que por lei está determinado.

Uma prorrogação desse repasse está sendo discutida para municípios de até 50 mil habitantes (85% a 90% dos municípios brasileiros) para 31 de dezembro de 2014, com a justificativa da necessidade de elaboração de consórcios para redução de custos. A capacitação das prefeituras é outro ponto frágil sendo foco de alguns programas de eficiência energética.

O Painel Setorial apresentou ainda o exemplo de logística reversa da RioLuz, que, através do Centro de Logística Reversa dos Equipamentos de Iluminação Pública, recupera luminárias e equipamentos de iluminação pública danificados, retornando-os para o campo. Outro exemplo prático apresentado foi o da Cemig que, por meio de políticas em prol da elevação das tecnologias em materiais e normalização, tornou o Estado uma referência nos projetos de iluminação pública eficiente.

 

 

 

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