Energia e seu custo real

set, 2014

Edição 103 – Agosto de 2014
Por Luiz Fernando Arruda 

Quanto custa o kWh vendido pelas distribuidoras? Esta é uma pergunta recorrente, simples e sem resposta exata, embora alguns especialistas tenham prontamente o suposto valor.

Com os subsídios cruzados, custos “escondidos” (por exemplo, nas novas tarifas de geração aceitas por algumas empresas) e aumentos tarifários difíceis de entender (alguns da ordem de 35%), parece que, em cada lugar do Brasil, tem de haver valores bem diferentes e gente (isso mesmo: consumidores e clientes são gente!) que consiga pagar por isso.

De repente, sua conta de energia aumenta 35% e você tem de acomodar isso no seu orçamento!

Vejam a tarifa em alguns Estados, onde sabidamente a população tem baixo poder aquisitivo, e veremos uma grande inversão, pois eles pagam mais pelo kWh que clientes na América do Norte, que têm melhor qualidade de serviço e muito mais poder aquisitivo. Em alguns casos, esta relação é mais que o dobro.

O cenário ainda fica pior se olharmos o resultado das concessionárias de distribuição. Algumas ainda apresentam lucro, mas, definitivamente, o negócio da distribuição de energia elétrica no Brasil não é mais muito atrativo.

Se as regras impostas ao setor tornam a indústria não atrativa, o capital vai migrar para outras atividades, outros locais. E aí pode haver problemas desde a falta de agentes até de falta de investimento e o consequente desabastecimento.

Já vimos este fenômeno em vários países e não estamos imunes a isso!

Outras concessionárias de distribuição nos dão um prejuízo enorme. E digo “nos dão” pois, como elas pertencem ao governo federal, o prejuízo é repartido entre os que pagam impostos, entre os que produzem. Ou seja: o furto de energia em Manaus, por exemplo, é repartido pelos que mantém a máquina federal: você! Nós!

Com outros fatores que causam perdas (outro dia poderemos tentar abrir esta caixa) acontece o mesmo: socialização do prejuízo. Até quando e que até que ponto vai haver “lado” produtivo suficiente para manter coisas assim?

E o que vai ocorrer quando os custos da geração térmica passarem a ser parte das tarifas de distribuição?

E o que vai ocorrer com as concessões de distribuição de energia elétrica que terminam nos próximos anos?

Vamos ter uma MP similar à 579 / 2012 para as distribuidoras?

Seria interessante que consultores especialistas no assunto e os órgãos oficiais envolvidos com a questão se reunissem e estudassem as causas destes desequilíbrios e nos esclarecessem tantos pontos de incerteza.

Seria interessante, inclusive, viabilizar aos pobres consumidores brasileiros o acesso fácil à geração fotovoltaica nas suas casas, pois com o valor de kWh na baixa tensão atingindo a casa dos R$ 700 por MWh (incluindo os impostos que, corretamente, na visão do consumidor, representam custo de energia como qualquer outra parcela) todo investimento neste formato de geração distribuída vai se pagar rapidamente. E ainda começaremos a limpar nossa matriz, hoje pressionada pela geração das térmicas – tão combatidas há uma década e que, literalmente, estão nos salvando da escuridão total.

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